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Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Uma pergunta por dia: Uma reflexão em dia de finados?

01.11.14, Alice Alfazema

Prefiro que partilhes comigo uns poucos minutos, agora que estou vivo, e não uma noite inteira, quando eu morrer...

 

Prefiro que apertes suavemente a minha mão, agora que estou vivo, e não apoies o teu corpo sobre mim, quando eu morrer...

 

Prefiro que faças uma só chamada, agora que estou vivo, e não faças uma inesperada viagem, quando eu morrer...

 

Prefiro que me ofereças uma só flor, agora que estou vivo, e não me envies um formoso ramo, quando eu morrer...

 

Prefiro que elevemos ao céu uma oração, agora que estou vivo, e não uma missa cantada e celebrada, quando eu morrer...

 

Prefiro que me digas umas palavras de alento, agora que estou vivo, e não um dilacerante poema, quando eu morrer...

 

Prefiro escutar um só acorde de guitarra, agora que estou vivo, e não uma comovedora serenata, quando eu morrer...

 

Prefiro que me dediques uma leve prece, agora que estou vivo, e não um político epitáfio sobre a minha tumba, quando eu morrer...

 

Prefiro desfrutar de todos os mínimos detalhes, agora que estou vivo, e não de grandes manifestações, quando eu morrer...

 

Prefiro escutar-te um pouco nervosa dizendo o que sentes por mim, agora que estou vivo, e não um grande lamento porque não o disseste a tempo,

E AGORA ESTOU MORTO

 

 

Retirado do jornal,  Ecos do Sameiro, Setembro de 2014

 

 

 

Uma pergunta até ao final do ano, quem quiser responder esteja à vontade.

 

Alice Alfazema

 

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