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Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Uma pergunta por dia: Na Alemanha há mulheres a mais a usarem cuecas de gola alta?

05.11.14, Alice Alfazema

Poderão saber mais aqui, assunto que merece ser reflectido no dia a dia, desde os pequenos poderes aos grandes, resumindo, somos todos capachos? Os que precisam e os que querem. 

 

Uma pergunta até ao final do ano, quem quiser responder esteja à vontade.

 

Alice Alfazema

 

 

A miúda das bochechas cor-de-rosa

03.11.14, Alice Alfazema

Ilustração Aurélie Blanz

 

A miúda tem voz de desenho animado, faz covinhas na cara quando ri, nunca larga o telemóvel, e o seu nome é nome de flor. É miudinha, com rosetas nas bochechas, tem sempre amigos por perto, preocupam-se com ela, tem uma amiguinha que nunca sai da sua beira, passam os intervalos sempre juntas, sempre falando e rindo. A miúda na sua cadeira de rodas rosa, com rodinhas de luzes é transportada com um enorme carinho. A mãe, da menina com nome de flor,  tem sempre um sorriso, um bom dia dito de forma alegre. Há algo de mágico na relação entre as duas. A flor, tem uma saúde frágil, uns ossos que se partem com um sopro, o que talvez tenha acontecido hoje, mas ela mantêm o sorriso e diz que talvez tenha o braço partido, e fala sem chorar, habituada à dor. Eu fico ali a olhar, sinto vontade de a abraçar, faço-lhe um carinho na bochecha colorida, ela dá-me um leve sorriso. Fico ali naquele momento perdida nos meus pensamentos, a pensar que as minhas grandes tristezas não valem nada perto daquilo que vejo, sinto-me pequenina diante daquela miúda tão forte e sorridente, com voz de desenho animado que alegra este átrio.

 

Alice Alfazema

Uma pergunta por dia: Uma reflexão em dia de finados?

01.11.14, Alice Alfazema

Prefiro que partilhes comigo uns poucos minutos, agora que estou vivo, e não uma noite inteira, quando eu morrer...

 

Prefiro que apertes suavemente a minha mão, agora que estou vivo, e não apoies o teu corpo sobre mim, quando eu morrer...

 

Prefiro que faças uma só chamada, agora que estou vivo, e não faças uma inesperada viagem, quando eu morrer...

 

Prefiro que me ofereças uma só flor, agora que estou vivo, e não me envies um formoso ramo, quando eu morrer...

 

Prefiro que elevemos ao céu uma oração, agora que estou vivo, e não uma missa cantada e celebrada, quando eu morrer...

 

Prefiro que me digas umas palavras de alento, agora que estou vivo, e não um dilacerante poema, quando eu morrer...

 

Prefiro escutar um só acorde de guitarra, agora que estou vivo, e não uma comovedora serenata, quando eu morrer...

 

Prefiro que me dediques uma leve prece, agora que estou vivo, e não um político epitáfio sobre a minha tumba, quando eu morrer...

 

Prefiro desfrutar de todos os mínimos detalhes, agora que estou vivo, e não de grandes manifestações, quando eu morrer...

 

Prefiro escutar-te um pouco nervosa dizendo o que sentes por mim, agora que estou vivo, e não um grande lamento porque não o disseste a tempo,

E AGORA ESTOU MORTO

 

 

Retirado do jornal,  Ecos do Sameiro, Setembro de 2014

 

 

 

Uma pergunta até ao final do ano, quem quiser responder esteja à vontade.

 

Alice Alfazema

 

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