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Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Detalhes de um dia de Verão

24.07.14, Alice Alfazema

 

 

Um dia destes, na praia, observo alguém jovem, careca, deitado na areia sobre a toalha de praia, com os braços cruzados debaixo da cabeça, a cara virada para o céu, ao lado uma jovem loura e tostadinha pelo sol fazia-lhe companhia. Eu passo perto do casal, não posso deixar de olhar, da mochila pequena que estava perto do rapaz saía um tubo que entrava nos seus calções de banho, disfarço e olho por baixo dos meus óculos de sol. Uma algália. Não olho mais. Deito-me na toalha e olho o céu e o mar, olho quem está comigo, tento ver de que azul é céu, é azul clarinho, azul bebé. Mais tarde vejo a rapariga a dobrar a toalha de praia, enquanto o rapaz está sentado numa cadeira de rodas, o nadador salvador prepara-se para empurrar a cadeira naquela grossa passadeira vermelha. Eu levanto-me e vou mergulhar, preciso de água fria. 

 

Alice Alfazema

 

 

Cravos e hortelã

24.07.14, Alice Alfazema

 

 

O quintal do meu sogro é assim uma mistura de flores com ervas aromáticas, tudo ao molho e fé em Deus. Deu-me ontem um ramo de chá, perguntei-lhe que chá já era aquele, respondeu-me que é de uma erva maluca, pergunto-lhe outra vez para ver se ele se recorda do nome da planta, é duma erva maluca, mas não é doce-lima. Sendo assim uma hipótese já foi eliminada, o resto fica para depois, temos tempo.

 

Alice Alfazema

Crimes de guerra

23.07.14, Alice Alfazema

Algum sorriso eu perdi

22.07.14, Alice Alfazema

Cada vez mais sinto que não tenho tempo para tudo que ainda quero fazer, apesar de nos últimos anos ter conseguido fazer coisas que não tive oportunidade de fazer quando era mais nova, no entanto desperdicei tanta coisa, desperdicei por desconhecimento, por ignorância, por fraternidade, desperdicei o meu tempo, muito tempo...Algum sorriso eu perdi. À medida que o tempo passa a vida não passa sem nos chamar à razão. Essa razão tem sido amiga ou não. Vou pedir ao tempo que me dê mais tempo. Andei por o tempo fora, às vezes voando outras planando, a minhas asas estão cansadas. Não sei se voei depressa demais. Talvez. Percorri tantas paisagens, umas verdejantes outras áridas, às vezes parece-me que vivi noutro corpo. O que a idade nos trás é a possibilidade de reflectir à distância do corpo e da mente, e sim algum sorriso eu perdi. Mas ganhei outros. Poderia ter sido de outro modo, não sei, nas mesmas circunstâncias faria provavelmente as mesmas escolhas. Eu sei que a vida tem pressa, ainda quero voar mais, mas apenas nas paisagens que tenho sonhado, porque agora a experiência é minha aliada.

 

Ao meu marido e aos meus filhos que me têm deixado voar, obrigada.

 

 
 
Alice Alfazema