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Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Desperdícios

17.04.14, Alice Alfazema

 

Ilustração Leticia Zamora

 

Uso a palavra para compor meus silêncios.
Não gosto das palavras
fatigadas de informar.
Dou mais respeito
às que vivem de barriga no chão
tipo água pedra sapo.


Entendo bem o sotaque das águas.
Dou respeito às coisas desimportantes
e aos seres desimportantes.
Prezo insetos mais que aviões.
Prezo a velocidade
das tartarugas mais que as dos mísseis.


Tenho em mim esse atraso de nascença.
Eu fui aparelhado
para gostar de passarinhos.
Tenho abundância de ser feliz por isso.
Meu quintal é maior do que o mundo.


Sou um apanhador de desperdícios:
Amo os restos
como as boas moscas.
Queria que a minha voz tivesse um formato de canto.
Porque eu não sou da informática:
eu sou da invencionática.
Só uso a palavra para compor os meus silêncios.

 

Manoel de Barros

 

Alice Alfazema

 

Tendências

16.04.14, Alice Alfazema

Existe uma vontade de recuperar coisas sentidas. Por todo o lado vemos gente nova comprando roupa antiga, vestindo-a com gosto, exibindo-se com alegria. É como se recuperássemos sentimentos e risos antigos, coisas que não têm volta. Ecos. Gosto deste tempo, de coisas feitas por pessoas alegres e mãos habilidosas, nada de caprichos de linhas de produção. Gosto desta gente nova que quer fugir à gaiola, que quer viver em paz com a Natureza. Gosto.

 

Alice Alfazema

Hoje na minha escola

14.04.14, Alice Alfazema

Hoje andei a ver as flores, e é impressionante o quanto as plantas crescem em tempo de férias, cá por mim os gritos atrofiam-nas. Conseguem florir, assim como num abrir e fechar de olhos, acho que sabem que não têm muito tempo para mostrar o que valem. É aproveitar minhas amigas, é aproveitar...

 

Alice Alfazema