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Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

40 anos de Abril

24.04.14, Alice Alfazema

Hoje é véspera de Abril, daquele de 74, do século passado, do milénio passado, aquele de há quarenta anos. Os cravos estariam murchos se resistissem até hoje, mas os cravos renovam-se, vermelhos, a cada ano. 

 

Naquele tempo eu era pequena, tinha ainda mãos pequeninas, não sabia de nada, apenas ouvia conversas e músicas que se repetiam. Nesse dia lembro-me da mão da minha mãe apertando a minha, com força, não pude subir a ladeira a correr e fomos para casa, os vizinhos vieram conversar e contar as notícias daquilo que acontecia.

 

Hoje eu sei que ganhei. Como mulher ganhei um outro papel social, ganhei escolhas que posso fazer sem pedir autorização. A sociedade modificou-se, apesar de ainda existirem raízes que querem florescer, no entanto, agora podemos escolher, podemos mudar, podemos se quisermos!  E isso é Abril!

 

 

Alice Alfazema

Da Terra

22.04.14, Alice Alfazema

 

Da Terra vem o sopro que torna os sons em música. Do sopro, destilado nos pulmões, vibram melodias, que saem através do ar quente que se espalha na água condensada que se liberta numa dança de sons. O bocal brilha coberto de ouro que vem das entranhas da Terra, o som vibra no espaço com o sopro que vem das entranhas do músico. 

 

Ao meu filho: beijos.

 

 

Alice Alfazema

Aleluia

19.04.14, Alice Alfazema

 

Madalena
Quedaram, frio o sangue, as mulheres chorosas, 
Sem cor, sem voz, de espanto e medo. E, de repente, 
Caíram-lhes das mãos as ânforas piedosas 
De bálsamo odoroso e de óleo recedente. 
 
Enfeitiçou-se o chão de um perfume dormente, 
E o arredor trescalou de essências capitosas, 
Como se a terra toda abrisse o seio, e o ambiente 
Se enchesse da jasmins, de nardos e de rosas. 
 
E Madalena, muda, ao pé da sepultura, 
Tonta da exalação dos cheiros, em delírio, 
Viu que uma forma, no ar, divinamente bela, 
 
Vivo eflúvio, vapor fragrante, alva figura, 
Aroma corporal, pairava... 
como um lírio, 
Num sorriso, Jesus fulgia diante dela. 


Olavo Bilac
Alice Alfazema