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Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Oração

02.11.13, Alice Alfazema

 

 

Não tenho por hábito visitar cemitérios, apenas vou quando tenho de ir, nunca para visitar ninguém. As minhas gentes não eram gentes de estar somente num sítio, presas de hábitos. As minhas gentes eram gentes de liberdade, por isso quando lhes quero falar vou para sítios onde os possa encontrar, onde haja liberdade, onde corra o vento, onde bata o sol, e eu veja a imensidão do azul do mar e do céu. É aí que os encontro, onde me esperam, não lhes levo flores, não lhes faço orações, apenas os abraço em meu pensamento. É no cheiro da Serra que os gosto de encontrar, nesse espaço de liberdade, onde o silêncio abunda, onde voam aves solitárias, onde passos de outrora voltam até de mim. E oiço os risos por detrás dos arbustos.

 

Subirei sozinha

alheia ao cansaço da viagem

 

Sonho

Grito

Canto

Desperto tudo ao meu redor

 

O Mar levanta-se

O Céu inventa-se 

 

É a palavra

em tempo de Amor.

 

Alexandrina Pereira



Alice Alfazema