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Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Metades

31.10.13 | Alice Alfazema



Metade de mim é fada,
a outra metade é bruxa.
Uma escreve com sol,

 

 

 

a outra escreve com a lua.
Uma anda pelas ruas
cantarolando baixinho,
a outra caminha de noite
dando de comer à sua sombra.
Uma é séria, a outra sorrí;
uma voa, a outra é pesada.
Uma sonha dormindo, 
a outra sonha acordada.

 

Roseana Murray, in Pêra, Uva ou Maçã, ed. Scipione, 2005



 

Alice Alfazema

Uma pergunta por dia: O que é o Outono?

29.10.13 | Alice Alfazema
 

Outono,

simplesmente constacto

a mudança de estação,

nada de sonhos extravagantes

ou outros desejos ocultos

apenas a chuva que cai

a devorar o Verão!

Através da varanda

da cozinha ancestral

sinto os ventos

esgaçando folhas sangue,

amarelo cera,

castanho terra,

adubando a cama

onde hiberna a Natureza!

De repente o silêncio

até à fecundação

que se dá na Primavera!

O sol viril

será pai

de todos os frutos

pendurados nas árvores

pungentes

do pomar!


 


 

 


Uma pergunta por dia até ao final do ano, quem quiser responder esteja à vontade.

 



Alice Alfazema

Uma pergunta por dia: O que diz este olhar?

28.10.13 | Alice Alfazema

 

Gosto de ver as entrevistas do Daniel Oliveira, no programa Alta Definição, gosto especialmente daquela pergunta: o que dizem os seus olhos? Poderão os animais também responder com um olhar? Quem com eles lida saberá que sim.

 

 

Uma pergunta por dia até ao final do ano, quem quiser responder esteja à vontade.



Alice Alfazema

Manhãs de domingo

27.10.13 | Alice Alfazema

Pega na bicicleta de marca, coloca na cabeça o lenço que comprou na loja da especialidade, depois enfia o capacete. Faz-se à estrada, que a bicicleta está equipada para o alcatrão, na via encontra o pessoal amigo. É domingo. Está sol. A malta pedala em fila indiana, por vezes alguém sai da fila para conversar com outro compincha. Na broa aí vão eles, percorrendo o asfalto e exibindo o equipamento. Belas cores desfilam nesta manhã de domingo. Fazem a curva na perfeição. As horas passam descontraídas, os músculos já doem, está na hora de voltar a casa.

 

- Isabel, o que fizeste para o almoço?

- Feijoada.

 

Senta-se, ajeita a barriga, e saboreia com calma a suculenta feijoada, daqui a oito dias será outra vez dia de pedalar.

 

Alice Alfazema

 

Uma pergunta por dia: Os velhos têm mais genica que os novos?

26.10.13 | Alice Alfazema


Fotografia Beaudenon Florian


A minha avó era assim como a senhora desta foto, sempre de sorriso no rosto, talvez eu tenha herdado isso. Gostaria de ter a mesma genica que a movia. Gostaria, também, de poder voltar a abraçá-la e de receber essa energia que emanava dela, de sentir as suas bochechas cheias de rugas e de lhe fazer arroz doce.


Uma pergunta por dia até ao final do ano, quem quiser responder esteja à vontade.


Alice Alfazema

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