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Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Raiz

25.08.13, Alice Alfazema

Ilustração Svenja Jödicke



Examino esta saudade, seixo na palma da mão, núcleo 
de sangue, raiz que se recusa à morte. 

Examino este seixo: venoso, a linha dos erros sinuosa, 
os pontos cinzentos dos poços de ar; sinais de uma 
trajectória a que um signo cortou a respiração. 

Examino esta veia: sinto-a transmitir ainda uma pulsa-
ção, um ritmo de folha no vértice do Outono. 

Pouso este seixo sobre a mesa: um acto gratuito que 
nos liga, que me veste com o cancro da pedra. 

Egito Gonçalves


Alice Alfazema

Nortada

24.08.13, Alice Alfazema


Ilustração Jeffrey T. Larson


Fúria nas trevas o vento 
Num grande som de alongar, 
Não há no meu pensamento 
Senão não poder parar. 

Parece que a alma tem 
Treva onde sopre a crescer 
Uma loucura que vem 
De querer compreender. 

Raiva nas trevas o vento 
Sem se poder libertar. 
Estou preso ao meu pensamento 
Como o vento preso ao ar. 

 

Fernando Pessoa



Alice Alfazema