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Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Prendas

18.12.12, Alice Alfazema

A miúda tem cinco anos. Os pais preocupam-se em lhe dar tudo, dizem que não podem ter mais filhos, porque a disponibilidade financeira não lhes permite tal devaneio. A miúda não quer irmãos, diz que assim teria de dividir as suas coisas. O quarto está a abarrotar de brinquedos, de roupas, de utensílios só seus, que mais ninguém brincou, e ela está feliz, sorri e dá gargalhadas nesse seu mundo, tão só e seu. Os meus pais trabalham muito! Dão-me tudo o que eu quero, diz contente. O que queres para o Natal? Quero isto e aquilo, mais o aqueloutro. Chegando o dia rasga os papéis de embrulho, um a um  e vai amontoando  as prendas do Pai Natal. O monte vai aumentando e a mãe preocupada não sabe se tem espaço no quarto para a arrumação. Não interessa, o que interessa realmente é que a sua filha esteja feliz. Acabou de desembrulhar as prendas, a alegria foi-se, quase que instantaneamente deixa para trás a alegria. Não sabe quantos meninos não têm nada, não sabe que a qualquer momento esse seu pequeno mundo, feito de bola de sabão, pode rebentar, mas o que isso interessa?  

 

Feliz Natal!

 

 

 

Alice Alfazema

Árvores alheias

18.12.12, Alice Alfazema


 

Segue o teu destino,
Rega as tuas plantas,
Ama as tuas rosas.
O resto é a sombra
De árvores alheias.

                          


Ricardo Reis



Alice Alfazema

Às gentes do mar

16.12.12, Alice Alfazema

 

Virgem Maria, cheia de graça,

a terra em ondas é o teu altar.

Reza-te o vento quando aí passa,

ao som das preces do velho do mar.

 

Virgem Maria, milhões de estrelas

poisam de noite no teu altar.

Servem de luzes, são tuas velas.

É teu órgão a voz do mar.

 

Virgem Maria, cheia de graça,

deixa que eu suba, deixa-me orar.

À voz do vento quando aí passa,

 

ao som das preces do velho do mar,

deixa que eu ore, dá-me essa graça;

deixa-me a bênção do teu olhar!

 

 

Arronches Junqueiro





Gosto das gentes do mar, é gente que não se lamenta.



Alice Alfazema