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Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

A praia das ondas

26.08.12, Alice Alfazema

 

Hoje é um dia importante para nós os dois,  marca o inicio de um percurso juntos, e quero-te dizer que és das pessoas mais importantes da minha vida.

 

Olha para esta fotografia - é o meu presente, se olhares bem vês que, no azul do céu passa um avião, imagina-te nele, fazendo as tuas viagens e cumprindo as tuas metas, por detrás do chapéu está o Sol, mesmo quando não o vês ele está lá, eu também estou. Dou-te abraços mesmo quando não me vês e mando-te energia sempre que precisares. Nunca desistas de ti nem dos teus objectivos. Por vezes, o caminho poderá ser difícil, mas isso é apenas um pormenor. A experiência são pérolas que deves guardar, e mesmo que se transformem em pedras, com elas poderás fazer a tua estrada, ser-te-á mais fácil caminhar. Ainda és uma arvore fininha, não duvido que vás ficar frondoso, pensa que elas também passam por percalços, e nem todos lhe agradecem a sua sombra.

 

Este é mais um ano que agora começa, faz dele o começo de muitas experiencias boas e enriquecedoras.

 

Um grande abraço.

 

Parabéns

 

 

 

Alice Alfazema

Já está!

24.08.12, Alice Alfazema

 

 

Gosto da infantilidade e das coisas simples, não poderia deixar de ter aqui neste espaço um dos momentos infantis de 2012. A D. Cecília tentou restaurar esta obra, dizendo-se conhecedora de tais técnicas, e eis que sai esta preciosidade, que eu quero ter aqui a decorar o meu espaço.

 

Esta história faz-me recordar outra:

 

Há uns anos, decidi pintar uma parede do quarto de cor-de-laranja bem forte, o meu marido perguntou-me várias vezes, é esta cor que queres? Não é muito berrante?. Claro que perguntei aos miúdos se gostavam da cor. Assim, três contra um decidimos que o laranja era muito bonito. Mãos à obra, e  o laranja foi crescendo, ainda hoje resiste. É esta cor que queres? Olha que depois é difícil tirar!, a obra corria às mil maravilhas, o pintor já estava resignado, e eis que o inesperado acontece: Já está! Já está! Ò pai está bonito?, e a miúda de pincel em riste, mostrando o maravilhoso laranja, aparece vinda do corredor. Está? O que é que já está?Anda ver o meu desenho? E eis que na parede do corredor aparecem gravuras que faziam lembram o Foz Côa. O pai maravilhado com tal proeza responde: está lindo, filha!

 

Assim, voltando ao restauro e vendo os Cristos lado a lado, noto que o Cristo velho se ri sorrateiramente, acho que ele também gostou da renovação.

 

 

Alice Alfazema

Férias em portuga é...

22.08.12, Alice Alfazema

 

Ler as noticias hiper repetidas sobre o pingo doce, os 20€ abaixo, os 20€ acima, parece o vira, e vira prá qui e vira prá li... é no jornal, é nos blogs, é no sapo, é uma epidemia...além disso acrescento ainda, em jeito de brinde, os reclames dos fungos vaginais durante a hora do almoço, daqueles outros sobre as micoses, que passam também no mesmo horário, entretanto passa mais uma promoção, no cartão, a Raquel, o Boss da mochila...e é a Lucy e o Tony, a plástica da Rita, e o futebol, e a festa do caracol.

 

 

 

 

Alice Alfazema

Maria Tofu contra ataca

21.08.12, Alice Alfazema

 

Maria Tofú preocupadíssima com o fenómeno que me está a acontecer, a minha roupa está a encolher drasticamente, manda-me receitas que invertam esse processo, é pois com muito gosto que partilho este momento convosco. Se tal fenómeno vos tiver a perturbar não deixem de tentar inverte-lo.
 
300g de pescada cozida
1 chávena de ervilhas
1     "      de milho
1     "      de cenoura
1 batata
2 tomates vermelhos
1/2de pimento verde
1/2 de pepino
1 ovo cozido
cebola
salsa
1 colher de sopa de maionese
sal e pimenta q.b.
azeitonas

Cozem-se os legumes e deixam-se arrefecer. Numa  saladeira coloca-se a pescada, já desfiada, os legumes cozidos, os tomates cortados em cubos, o pimento e o pepino em tiras. Juntam-se-lhes a cebola e a salsa picadas, sal, pimenta e a maionese. Envolvem-se todos os ingredientes e por último enfeita-se com o ovo cozido e as azeitonas, vai ao frigorífico. Para acompanhar uma salada de alface roxa.

                                                                       Bom apetite!!!  

Beijinhos 


Maria Tofu




Alice Alfazema                                                                     

Retratos*

20.08.12, Alice Alfazema

 

Olhei para o espelho e não me reconheci, as rugas e os cabelos brancos invadiram o meu corpo. Não tenho memória de alguma vez ter tido férias, nem um único dia. Os meus dias arrastam-se nos infindáveis afazeres domésticos, é como se a minha essência tivesse fugido para longe.  Do futuro nada prevejo. Os anos passaram e os sonhos de menina desbotaram, por mais que eu queira não sei onde arranjar forças para continuar a olhar-me no espelho. Talvez eu até tenha sorte, pelo que leio nos jornais. No entanto há esta violência muda que sinto todos os dias. O peso dos meus braços, a dor crónica e o cansaço de uma vida que é sempre igual.

 

*este retrato pretende ilustrar situações que por serem banais não se incluem num estado de violência, no entanto a violência manifesta-se de diversas formas e esta é uma delas. É descrito na primeira pessoa tentando dar voz a quem não o consegue fazer.

 

Alice Alfazema

Livros

19.08.12, Alice Alfazema

 

 

Não gosto de interpretar livros ou de fazer resumos, porque muitas vezes me parecem injustos, pois cada um interpreta essa leitura segundo a sua própria experiencia de vida, os seus costumes e os seus gostos. Por isso não me é possível falar sobre este livro, apenas vou deixar alguns excertos de uma vida que merece ser conhecida. Num tempo em que se fala tanto de dificuldades, vale a pena recordar aquilo que ficou para trás no tempo e na história.  A vida de um homem que poderia ser um resignado à sua condição, mas não o fez, ultrapassou obstáculos e superou-se, viveu intensamente independente aos pensamentos e opiniões que lhe poderiam ser feitos.

 

" Os outros ouvem, mas não como os cegos. Quando este ouve, concentra a sua própria alma e detecta a mais leve das variações, a menor fracção de tom...que revelam minuciosamente todas as mudanças de boas-vindas, atenção, frieza, prazer, sofrimento, alegria, reprovação e tudo o que enche as medidas da sua miséria ou da sua jovialidade."

 

" A descoberta do desconhecido não é uma prerrogativa de Sinbad, ou de Eric, o Vermelho, ou de Copérnico. Todo e cada homem é um descobridor. Começa por descobrir o amargo, o salgado, a concavidade, a macieza, a dureza, as sete cores do arco-íris e as vinte e tal letras do alfabeto. Passa aos rostos, aos mapas, animais e estrelas. Termina com dúvidas ou fé e a quase certeza da sua própria ignorância...Eu partilhei a alegria e a surpresa de descobrir sons, línguas, crepúsculos, cidades, jardins e pessoas, todos distintamente diferentes e únicos."

 

" No cume do precipício e no coração das florestas verdes...existia uma inteligência no vento das colinas e no silêncio solene da folhagem enterrada, que não podia ser equivocado. Entrou dentro do meu coração e podia ter chorado, não pelo que não podia ver, mas pelo que senti e não conseguia descrever."

 

Deixo ainda, em jeito de reflexão, este poema escrito pelo viajante cego:

 

As belezas do belo

São veladas ao cego,

Mas não as graças e o desabrochar

Que floresce na mente.

As belezas nas formas mais refinadas

Estão condenadas a desfalecer;

Mas não as belezas da mente,

que nunca desvanecem.

 

James Holman (1786-1857)

 

 

 

Alice Alfazema