Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Dia internacional das crianças desaparecidas

25.05.12, Alice Alfazema

 

Cada criança é uma semente a ser preservada. Dela depende o futuro. Não é arma de arremesso, não é trapo, nem bibelot. É  ser um único, com vontades e direitos, com sonhos por viver. Aqueles que desaparecem, aqueles que vivem desaparecidos, aqueles que vivem esquecidos, aqueles que são estigmatizados, os que são explorados, violados, ridicuralizados são todos desaparecidos do seu direito a ser criança. E a culpa não é apenas deste e daquele a culpa é da sociedade - e a sociedade somos todos nós. 

 

 

 

Alice Alfazema

A velha

24.05.12, Alice Alfazema

 

 

A velha vive há mais de cinquenta anos na mesma casa é um peso na sociedade, já passou fome e, volta agora a passar fome. A velha tem uma reforma de merda, no entanto tem um sorriso genuíno, os dentes é que são postiços, está só.

 

Está só, não tem telefone, nem comida no frigorifico; trabalhou toda a vida, o valor do seu trabalho não existe. Vive na cidade que a tem como cartão de visita que, se serve do seu estilo de vida para angariar turismo e negócios, mas que faz da vida da velha um inferno de dores, de fome. A velha não está só, com ela milhares de outros, com o mesmo estilo de vida, com a mesma idade, com a mesma merda de reforma, com o mesmo sorriso.

 

Eles andam pelos mercados e mercadinhos, pelas lojas e pelas ruas, fazem do resto da sua vida uma lembrança para os outros e esquecem-se daquilo que foram, de quem eram e de como eram. E a vida corre, como se a velhice fosse uma coisa contagiosa e repugnante. E os outros fingem que não sabem que eles passam fome, que eles também estão vivos e, que a vida não é apenas um momento de juventude, de aprendizagens universitárias feitas em apenas meia dúzia de anos se tanto. Os outros fingem que sabem muito quando ainda não viveram nada e, julgam-se os donos dos direitos, as vitimas da crise. O marketing das vitimas da crise, a infantilização de adultos que esperam que outros façam por eles o que a eles lhes compete. 

 

A juventude é a fase da vida onde a energia mais abunda, há por aí muito desperdício dessa energia. Há uma resignação apocalíptica que leva à pobreza de espírito, à nulidade da iniciativa, ao esquecimento da historia de vida da velha e dos outros como ela. 

 

 

 

 

Alice Alfazema

Conversas da escola (94)

24.05.12, Alice Alfazema

- ...os putos estavam...

- Digam-me lá, a partir de que idade é que se deixa de ser puto?

- Onze.

- Dez.

- Que idade têm vocês?

- Eu tenho onze.

- Nós temos 10.

- Então é assim: até aos nove são putos, dos dez aos catorze pré adolescentes, dos catorze aos dezoito adolescentes, a partir dos dezoito pré-adultos, aos sessenta e cinco pré-idoso, a partir dos oitenta e cinco muito idoso.

- Estou esclarecida, obrigada (finalmente compreendo porque é que não existem adultos).

 

 

 

 

Alice Alfazema

Bolo de legumes

22.05.12, Alice Alfazema

 


 

Ingredientes:

 

3oog de legumes
1cebola grande ralada
4 dentes alho esmagado
1-2 ch de sopa de óleo
2 ch  de sopa de leite
2 ch  de sopa de farinha
2 ovos
sal q.b.

Arranje e coza os legumes a gosto. Faça então um refogado com o óleo a cebola e o alho e, junte-lhe os legumes, deixe apurar durante 3 minutos. À parte misture o leite, a farinha, os ovos e o sal que, se envolvem muito bem com os legumes. Vai ao formo médio durante 30 minutos.

 

Bom apetite! 

 

 

Receita e fotografia gentilmente cedida por Maria Tofu - colaboradora especial da rubrica de culinária aqui do Alice Alfazema :) 

 

 

 

Alice Alfazema