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Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

O que comem e como comem os jovens quando estão na escola

05.11.11, Alice Alfazema

 

Queremos para os nossos filhos o melhor, tudo de bom que a vida lhes pode proporcionar; queremos que as nossas crianças e adolescentes cresçam sem traumas; com boas roupas; com todo o conforto; que tenham o melhor modelo de telemóvel, que pronunciem correctamente as palavras; que tenham um vocabulário rico, que tenham as melhores notas; que estudem; pratiquem desporto; que não se deixem levar pelas más influências.

 

Esquecemo-nos, no entanto, é de os tratar como crianças e de lhes orientar para que consigam percorrer o seu caminho, de os proteger e de os amar, com muito mimo, com  muito carinho; passar-lhes bons valores e enriquecendo-lhes a sua personalidade, dando-lhes assim bons exemplos, mostrando-lhes o que é verdadeiramente a cidadania,  e de como se deve partilhar e de viver de uma maneira saudável.

 

A nossa alimentação é a base de uma vida saudável, é pois, para mim incompreensível ver todos os dias estes miúdos, cheios de dinheiro, comprarem gomas como se isso fosse imprescindível para a sua sobrevivência; é vê-los todos os dias! a correrem para a loja que vende gomas e a trazerem sacos cheios do bendito e saboroso néctar, pergunto-lhes, se aquilo foi comprado com o dinheiro que era para o lanche ou para o almoço, respondem-me que não, falo-lhes da diabetes, riem-se...pergunto-me se os pais saberão disto? Então pergunto-me, também, se isto não será um problema de saúde pública?

 

 

 

 

Vejo-os sempre tão acelerados,  tão nervosos e desatentos, penso em quanta cafeína andará pelo seu sangue, pergunto-me, quem se importa com isso? As lojas de gomas abundam, bem perto da escola, os pronto-a-comer também, é vê-los a fazerem fila, para poderem compram uma baguette, cheia de maionese e uma lata de um qualquer refrigerante, alguém se importa?

 

O que fazem os adultos em relação a isto?, quero com isto dizer que: ignoram,  que fingem que não vêm, que fingem que não sabem, e  assim, deste modo, a vida continua, num interminável dia atrás do outro, até se ouvir falar, cada vez mais, no cancro entre os mais novos. 

 

Pergunto-me o que contêm estas gomas? Qual o seu prazo de validade? Quem autoriza a sua venda perto de escolas? Quem fiscaliza a sua validade e estado de conservação?

 

Sendo o tabaco e o álcool considerados vícios nefastos para a saúde, o que será isto?, senão um vicio, também ele nefasto para a saúde. São quilos de açúcar, de cafeína, de corantes e  de conservantes, e alheios a tudo isto estamos nós, a sociedade mais preparada de sempre, ironia das ironias, deixar de alimentar as raízes é matar a planta, as crianças são as raizes daquilo que serão quando forem adultos.

 

O que acontecerá a estes jovens que se alimentam desta forma? O que será feito das consciências que deixam que isto aconteça?

 

 

 

 

 

 

Alice Alfazema

Produtos de Portugal (17)

05.11.11, Alice Alfazema

Fado - Candidato a Património Imaterial da Humanidade

 

 

 

Candidatura do Fado a Património da Humanidade seleccionada para avaliação na 6ª reunião do Comité Intergovernamental que decorrerá de 22 a 29 de Novembro em Bali, Indonésia. A Candidatura do Fado integra o lote das 49 candidaturas seleccionadas para eventual inscrição na Lista Representativa do Património Cultural Imaterial da Humanidade.

 

No documento de apreciação global relativo às várias candidaturas, que o organismo responsável pela selecção e avaliação prévia agora apresenta, pode verificar-se que das 49 candidaturas seleccionadas para avaliação no ano de 2011, apenas 17 têm recomendação positiva para integração na Lista, sendo que 26, segundo este organismo, carecem de informação suplementar e 5 foram alvo de um parecer desfavorável à sua integração na Lista.

 

Merecendo uma recomendação favorável, a Candidatura do Fado é distinguida pela UNESCO como exemplo de boas práticas, a ser seguido por outros Estados Membros que queiram apresentar uma candidatura ao mesmo programa.

 

Apresentada pela Câmara Municipal de Lisboa através da EGEAC/MUSEU DO FADO no mês de Junho de 2010 a candidatura do Fado é agora distinguida num grupo restrito de 7 candidaturas consideradas “exemplares” pela UNESCO,  do ponto de vista da sua concepção, preparação, apresentação e argumentação.

 

A deliberação oficial sobre o Fado será conhecida nos dias 26 e 27 de Novembro na reunião do Comité Intergovernamental. Assinalando a data, o Museu do Fado, casa-mãe da candidatura está aberto ininterruptamente todo o fim-de-semana.

 

 


História do Fado
 
Nascido nos contextos populares da Lisboa oitocentista, o Fado encontrava-se presente nos momentos de convívio e lazer. Manifestando-se de forma espontânea, a sua execução decorria dentro ou fora de portas, nas hortas, nas esperas de touros, nos retiros, nas ruas e vielas, nas tabernas, cafés de camareiras e casas de meia-porta. Evocando temas de emergência urbana, cantando a narrativa do quotidiano, o fado encontra-se, numa primeira fase, vincadamente associado a contextos sociais pautados pela marginalidade e transgressão, em ambientes frequentados por prostitutas, faias, marujos, boleeiros e marialvas. Muitas vezes surpreendidos na prisão, os seus actores, os cantadores, são descritos na figura do faia, tipo fadista, rufião de voz áspera e roufenha, ostentando tatuagens, hábil no manejo da navalha de ponta e mola, recorrendo à gíria e ao calão. Esta associação do fado às esferas mais marginais da sociedade ditar-lhe-ia uma vincada rejeição pela parte da intelectualidade portuguesa.
 
A partir das primeiras décadas do século XX o fado conhece uma gradual divulgação e consagração popular, através da publicação de periódicos que se consagram ao tema, e da consolidação de novos espaços performativos numa vasta rede de recintos que, numa perspectiva comercial, passava agora a incorporar o Fado na sua programação, fixando elencos privativos que muitas vezes se constituíam em embaixadas ou grupos artísticos para efeitos de digressão. Paralelamente, sedimentava-se a relação do Fado com os palcos teatrais, multiplicando-se as actuações de intérpretes de fado nos quadros musicais da Revista ou das operetas. 
 
Gradualmente, tenderia a ritualizar -se a audição de fados numa casa de fados, locais que iriam sobretudo concentrar-se nos bairros históricos da cidade, com maior incidência no Bairro Alto, sobretudo a partir dos anos 30. Estas transformações na produção do fado irão necessariamente afastá-lo do campo do improviso, perdendo-se alguma da diversidade dos seus contextos performativos de origem e, por outro lado, obrigar à especialização de intérpretes, autores e músicos. Paralelamente, as gravações discográficas e radiofónicas propunham uma triagem de vozes e práticas interpretativas que se impunham como modelos a seguir, limitando o domínio do improviso.
 
Se a simplicidade da estrutura melódica do Fado valoriza a interpretação da voz, ela sublima também os repertórios cantados. Com forte pendor evocativo, a poesia do fado apela à comunhão entre intérprete, músicos e ouvinte. Em quadras ou quadras glosadas, quintilhas, sextilhas, decassílabos e alexandrinos, esta poesia popular evoca os temas ligados ao amor, à sorte e ao destino individual, à narrativa do quotidiano da cidade. Sensível às injustiças sociais, revestiu-se inúmeras vezes, de um vincado carácter de intervenção. 
 
A revolução de Abril de 1974 veio instaurar um Estado democrático em Portugal, fundado no pressuposto da integração das liberdades públicas, no respeito e garantia dos direitos individuais, com a inerente abertura, aos cidadãos, de uma mais activa participação cívica, política e social. Progressivamente, ao longo das décadas seguintes, far-se-ão sentir as influências da cultura de massas, próprias de uma sociedade da era da globalização, contexto que modificará a relação do fado com o mercado português, que se concentra agora na música popular de carácter interventivo absorvendo, simultaneamente, muitas das formas musicais criadas no estrangeiro.  
 
Excertos do texto:
Pereira, Sara (2008), “Circuito Museológico”, in Museu do Fado 1998-2008, Lisboa: EGEAC/Museu do Fado. 
 
 
Ver mais em: Museu do Fado
 
Ver e ouvir: Videos de Fado

 

 

“O património cultural imaterial, transmitido de geração em geração, é permanentemente recriado pelas comunidades e grupos em função do seu meio, da sua interacção com a natureza e a sua história, proporcionando-lhes um sentimento de identidade e de continuidade, contribuindo assim para promover o respeito pela diversidade cultural e a criatividade humana”

 

Convenção para a Salvaguarda do Património Imaterial da Humanidade, UNESCO, 2003 (Artº 2, alínea 1)

 

 

 

 

 

 

Alice Alfazema

Quer comprar uma Bola de Cristal?

02.11.11, Alice Alfazema

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Alice Alfazema

O olho da árvore

01.11.11, Alice Alfazema

 

Fotografia de Cordeiro

 

Há quantos anos estou aqui? observando os que passam e os que ficam, os que gozam da minha sombra e os que reclamam da sujidade das minhas folhas?

Remeto-me ao silêncio, oiço as conversas e os risos, encontro choros sem razões, e eu aqui presa, contemplo a paisagem, já vi o Sol e a Lua, das mais diversas formas e com os mais diversos significados, vi crenças e preces, até já tive abraços; conforto-me com pouco e vejo muito, contribuo para o vosso bem estar e sou parte da vossa vida, pois aquilo que transformo está em vossos pulmões, e vós que fazeis, muitos nem sequer disso sabem, esquecem-se que nos vossos genes mora a minha energia, e que sem ela não poderiam viver; vós que vos julgais deuses, olhando-se no espelho amam-se de um modo singular, e esquecem-se que envelhecem e morrem, passam pelo mundo sem nada deixar, cobertos de azedume, olhem os meus ramos e façam como eles - renovem-se - nem que para isso fiquem sem folhas, o medo é um cancro, deitem-no fora e respirem, sintam-me dentro de vós, como se raízes tivessem e daí conseguissem transmitir-me tudo aquilo que querem e aquilo que são, não vos esqueçam que quem partilha os genes é irmão, independentemente da silhueta física.

 

 

 

 

 

Alice Alfazema

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