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Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Como é que não há tempo para um filho?

02.08.11, Alice Alfazema

 

 

 

Hoje, lembrei-me do cuidado em que a minha mãe punha, ao fazer-me o lanche, para eu levar para a escola; o guardanapo de pano, sempre limpo e passadinho a ferro, a fruta já lavada – “comeste o lanche?” – “não podes sair de casa sem comeres o pequeno almoço, a saúde é muito importante!”

 

Hoje, lembro-me dos meninos e meninas que, saem de casa sem comer, e que, ninguém lhes pergunta – “já comeste? -, em que o seu pequeno almoço é tomado duas a três horas depois de acordarem; muitas vezes resumindo-se a gomas e chocolates, outras, a merendinhas de massa folhada com sumo que, mais não é do que água colorida.

 

Pergunto-me que, exemplo de figura são estes pais? Onde estão dadas as orientações? Tempo, não há tempo…é a desculpa mais utilizada, para isto e, para outras situações…Como é que não há tempo para um filho? Como é que não há tempo para o diálogo? Como é que não há bons exemplos? Qualquer animal, por mais irracional que seja, o maior legado que deixa à sua prole são os exemplos, são “como se faz”,”quando se faz”, porque se faz”, então, o homem, o ser mais racional, não tem essa capacidade básica de vida?

 

Dou por mim a pensar que, alguns filhos são como nenucos, que ficam pousados, nas prateleiras, para serem exibidos quando tal for necessário…

 

Não dar exemplos de vida é deixar os filhos à mercê das marés que os possam apanhar; é deixá-los à deriva, sem deixar crescer a sua maturidade; é – não amá-los.

 

 

 

Alice Alfazema

A flor é minha

01.08.11, Alice Alfazema

 

Caminho do campo verde

estrada depois de estrada.

Cercas de flores, palmeiras,

serra azul, água calada.

 

Eu ando sozinha

no meio do vale.

Mas a tarde é minha.

 

Meus pés vão pisando a terra

que é a imagem da minha vida:

tão vazia, mas tão bela,

tão certa, mas tão perdida!

 

Eu ando sozinha

por cima das pedras.

Mas a flor é minha.

 

Os meus passos no caminho

são como os passos da lua:

vou chegando, vais fugindo,

minha alma é a sombra da tua.

 

Eu ando sozinha

Por dentro dos bosques,

Mas a fonte é minha.

 

De tanto olhar para longe

Não vejo o que passa perto

Subo o monte, desço o monte

Meu peito é puro deserto.

 

Eu ando sozinha,

ao longo da noite,

Mas a estrela é minha.

 

 

 

Cecília Meireles

 

Por mais que andemos sozinhos, a estrela é sempre nossa...

 

 

Alice Alfazema

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