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Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

O instante existe

25.08.11, Alice Alfazema

 

 

Eu canto porque o instante existe

e a minha vida está completa.

Não sou alegre nem sou triste:

sou poeta.

 

Irmão das coisas fugidias,

não sinto gozo nem tormento.

Atravesso noites e dias

no vento.

 

Se desmorono ou se edifico,

se permaneço ou me desfaço,

- não sei, não sei. Não sei se fico

ou passo.

 

Sei que canto. E a canção é tudo.

Tem sangue eterno a asa ritmada.

E um dia sei que estarei mudo:

- mais nada.

 

 

Cecília Meireles

 

 

 

Alice alfazema

Pormenores

24.08.11, Alice Alfazema

 

 

 

Enquanto a malta se admira por haver tubarões na costa entretenho-me a vadiar pelas revistas, essas de cultura generalizada...fico a saber que o nosso PM tem andado de chinelos de borracha que vai às compras com a sua querida esposa e que toma a bica depois do almoço, nestas andanças encontro também o ex-PM e, fico a saber que ele tem uns calções vermelhos que usa há já alguns anitos, isto apesar de gastar de diária cerca de mil euros...há que poupar e cada um poupa onde pode.

 

A leitura é tão diversificada que ficamos a saber que o casamento não é para toda a vida, que a jovem Maia está cada vez mais jovem (graças ao silicone) e que aumentou os glúteos e, que apesar de se deitar ao nascer do Sol ainda encontra tempo para: ir à praia dar umas ricas banhocas e mostrar os glúteos. Todos se mostram sempre sorridentes e as senhoras fazem poses de diva, com o joelho ligeiramente dobrado e a curva dorsal inclinada numa tentativa de elevar os glúteos ao mesmo tempo que elevam os implantes mamários e, ainda assim, mantém um sorriso esplendoroso, é deveras fantástico.

 

Fico a pensar que as tendências da moda são diversificadas, que os cabelos loiros abundam, num penteado já há muito repetido e que as caras se repetem e repetem numa e noutra revista.

 

No meio de isto tudo encontro uma foto que me fascina, pelo meio a contagem dos 850 diamantes, o penteado e o sorriso que parece pregado no rosto, é assim a protagonista da grande festa  do Baile da Cruz Vermelha, olho outra vez e, vejo a graciosidade de um vestido lindo, mas, igualzinho ao tecido que cobrem as mesas da festa. Penso que sobrou imenso tecido e daí houve um aproveitamento para a confecção das toalhas, o que realmente é bem pensado, pois estamos em época de poupanças é sem dúvida um exemplo a seguir.

 

 

 

 

Alice Alfazema 

 

Avistamento de tubarões

23.08.11, Alice Alfazema

 

 

 

 

Durante este verão o avistamento de tubarões martelo nas praias algarvias tem afligido algumas pessoas, pois tratando-se de animais selvagens são tidos como perigosos e extremamente agressivos …noticiam os jornais, as televisões. O pessoal está apreensivo. Olha para o mar como se algo de estranho se passasse; ora pois, sendo o mar a casinha dos tubarões é normalíssimo que os mesmos naveguem por lá e, que o façam junto à costa também me parece natural, que eu saiba não existem interdições à navegação tubarina...

 

 

 

Alice Alfazema

20.08.11, Alice Alfazema

 

 

Palavra nunca vista e nunca ouvida

mas presente em meu sangue e em minha alma

como a lembrança vaga de um poente...

 

 

Sebastião da Gama

 

 

 

 

Alice Alfazema

Humor

19.08.11, Alice Alfazema

 

Um colunista acompanhava um amigo a uma banca de jornais. O amigo cumprimentou amavelmente o ardina, mas recebeu de volta um tratamento rude e grosseiro. Pegando no jornal que tinha sido atirado na sua direcção, o amigo do colunista sorriu polidamente e desejou um bom fim-de-semana ao vendedor. Quando os dois desciam pela rua, o colunista perguntou:

 

- Ele trata-o sempre assim, deste modo grosseiro?
- Sim, infelizmente, sempre foi assim...
- E você é sempre tão polido e simpático com ele?
- Sim, procuro ser.
- Porque é tão educado, se ele é tão grosseiro consigo?
- Porque não quero que seja ele a decidir como eu devo de agir.

Moral da história: qualquer pessoa é o seu próprio dono e não deve curvar-se diante do vento que sopra, não pode ficar mercê do mau humor, da impaciência e da raiva dos outros. Não são os ambientes que a transformam, mas ela quem transforma os ambientes.

 

 

 

in, O que podemos aprender com os gansos selvagens, Alexandre Rangel

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Alice Alfazema