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Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Critérios valorativos

03.05.11, Alice Alfazema

 

O Tejo é  mais belo que o rio que corre na minha aldeia,

Mas o Tejo não é mais belo que o rio que corre pela minha aldeia

Porque o Tejo não é o rio que corre pela minha aldeia.

 

O Tejo tem grandes navios

E navega nele ainda,

Para aqueles que vêem em tudo o que lá não está,

A memória das naus.

 

O Tejo desce de Espanha

E o Tejo entra no mar em Portugal.

Toda a gente sabe isso.

 

Mas poucos sabem qual é o rio da minha aldeia

E para onde ele vai

E donde ele vem.

 

E por isso porque pertence a menos gente,

É mais livre e maior o rio da minha aldeia.

Pelo Tejo vai-se para o Mundo.

 

Para além do Tejo há a América

E a fortuna daqueles que a encontram.

Ninguém nunca pensou do que há para além

Do rio da minha aldeia.

 

O rio da minha aldeia não faz pensar em nada.

Quem está ao pé dele está só ao pé dele.

 

 

Alberto Caeiro

Liberdade humana

02.05.11, Alice Alfazema

 

 

 

Assim é a liberdade humana que todos os homens se gabam de possuir e que consiste unicamente no facto de os homens terem consciência dos seus desejos e ignorarem as causas que os determinam. Uma criança julga desejar livremente o leite...Um ébrio julga dizer, por decisão sua, aquilo que, quando voltar a estar sóbrio, queria ter calado.(...) E no entanto a experiência ensina que se há coisas de que os homens são pouco capazes é de controlar os seus desejos. De facto, mesmo constatando que, perante dois desejos contrários, vêem o melhor e executam o pior, continuam, entretanto, a acreditar que são livres(...).

 

 

Baruch Espinosa 

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