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Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Cuidar

30.04.11 | Alice Alfazema

Cuidar de uma planta exige: carinho, dedicação, observação. É preciso replantá-la, revolver-lhe a terra, regá-la e observar as suas necessidades. A planta transforma-se ao longo do tempo e daí advém necessidades diferentes, outros olhares e, outras maneiras de seguir o seu caminho.

 

Ao longo de uma relação o caminho será idêntico, porque o que é prioritário ao nascer é obsoleto nos anos seguintes. A constante transformação, que se dá por diversos factores, leva a rumos diferentes, em busca de caminhos que se quer voltar a percorrer, tal, muitas vezes é desolador, pois as paisagens já não são as mesmas e os sentimentos se transformaram; à que replantar tudo de novo e voltar a observar, a acarinhar e a buscar de novo a dedicação que foi consumida pelo tempo.

 

Alice Alfazema

Homens de cá

25.04.11 | Alice Alfazema

 

 

  

 

Haja alguém contente pá, porque os que estão por cá, pá , não estão contentes...porque tem memória fraca e, esqueceram que, os que fizeram a festa pá, a fizeram com o seu próprio sacrifício; e reclamam daquilo que se esqueceram; ou que não viveram, porque não perguntam; porque não querem acreditar; porque acham que a liberdade é um direito adquirido, mas, a liberdade é um direito a ser conquistado, todos os dias, e não interessa por quem...porque para todos e para qualquer um ela  é sempre valiosa.

 

Os direitos conquistados, as liberdades adquiridas, os projectos que se podem realizar, são conquistas da liberdade; são vontades dos homens e das mulheres deste país que por vezes é tão amargo...

 

Somos conhecidos nos mais diversos locais do mundo: as nossas mercadorias são apreciadas; a nossa hospitalidade; o nosso sol; o nosso vinho; o nosso azeite; a nossa garra; a nossa história; a nossa revolução dos cravos...isto é de facto apreciado pelos outros; e nós? não nos valorizamos? porquê? Que sentimento é este de tão baixa auto-estima, que nos está descaracterizando, como num fado de um eterno lamento, é tempo de cantar o fado de uma forma nova de mostrar uma nova revolução; de mostrar os sentimentos e as iniciativas escondidas, os projectos guardados; é tempo de activar memórias e garras e de deixar a inércia criar bolor; é tempo de querer mais; de gostar mais de nós; da nossa cultura; dos nossos costumes; dos nossos valores...

 

É tempo de pararmos de falar mal de nós próprios, daquilo que somos e do que queremos ser, é pois tempo de agir, porque a liberdade não espera e o tempo também não, ele corre veloz e o que deixar-mos de fazer ninguém o fará por nós, em nosso proveito.

 

 

    

Alice Alfazema

Relógio no caminho

23.04.11 | Alice Alfazema

 

 

 

 

 

 

 

 

Era ainda muito cedo, as ruas limpas e vazias, eu ia para a estação. Ao comparar o relógio de uma torre com o meu, vi que era muito mais tarde do que tinha pensado, não tinha tempo nenhum a perder, o susto provocado por esta descoberta deixou-me inseguro quanto ao caminho, ainda não estava muito à vontade nesta cidade, felizmente que havia um polícia ali perto, corri para ele e perguntei, ofegante, pelo caminho. Ele sorriu e disse: «E é a mim que vens perguntar pelo caminho?» «É», respondi eu, «porque sozinho não consigo encontrá-lo.» «Desiste, desiste», disse ele e voltou-se com um movimento largo e brusco , como aquelas pessoas que querem ficar sozinhas com o seu riso.

 

 

Kafka, Parábolas e Fragmentos

Terra

22.04.11 | Alice Alfazema

 

 

 

 

"A Terra é nossa casa e a casa de todos os seres vivos. A Terra mesma está viva. Somos partes de um universo em evolução. Somos membros de uma comunidade de vida independente com uma magnífica diversidade de formas de vida e culturas."

 

Falta-nos apenas a humildade de lhe agradecer a guarida que nos dá...

 

Opostos

21.04.11 | Alice Alfazema

 

 

- Estás a ver o raio de luz? - perguntou-me.

- Sim, claro que estou.

- Porquê?

- Porque tens a lanterna acesa - respondi obviamente, sem perceber onde ele queria chegar.

- Agora, abre a persiana.

Assim fiz.

- E agora? - perguntou, apontando a lanterna para a janela, por onde entrava, em pleno, a luz do sol do meio-dia.

- E agora o quê? - repeti.

- Agora, a lanterna está acesa ou não?

- Não sei.

- Como? Não vês a luz?

- Não, agora não.

- Sabes porquê?

- Por causa do sol... - comecei a tentar explicar.

- Não consegues vê-la porque, para te aperceberes da luz, precisas da escuridão. Estás a ver? As coisas só são quando existe o seu oposto. E isso acontece com a luz e a escuridão, com o dia e a noite, o masculino e o feminino, a força e a fraqueza...

 

Todas as nossas qualidades, condições, virtudes e defeitos, estão dentro de nós, ligados aos seus respectivos opostos. A nossa bondade, inteligência e coragem coexistem sempre com a nossa maldade, estupidez e cobardia.

 

 

Jorge Bucay, Deixa-me Que Te conte

 

 

 

 

 

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