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Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Oração

02.03.11, Alice Alfazema

 

 

 

 

 

 

Que eu me permita olhar, escutar e  sonhar mais.

 

Falar menos, chorar menos.

 

Ver nos olhos de quem me vê a admiração de que eles me têm  e não a inveja que prepotentemente penso que têm.

 

Escutar com meus ouvidos atentos e minha boca estática as palavras que se fazem gestos e os gestos que se fazem palavras.

 

Permitir sempre escutar aquilo que eu não tenho me permitido escutar.

 

Saber realizar os sonhos que nascem em  mim e por mim e comigo morrem por eu não saber sonhar.

 

Então que eu possa viver os sonhos possiveis e impossíveis; aqueles que morrem e ressuscitam a cada novo tempo, a cada nova flor,  a cada novo calor, a cada nova geada, a cada novo dia.

 

Que eu possa sonhar o ar, sonhar o mar,  sonhar o amar, sonhar o amálgama.

 

Que eu me permita o silêncio das formas,  dos movimentos, do impossível, da imensidão de  toda profundeza.

 

Que eu possa substituir minhas palavras pelo toque, pelo sentir, pelo compreender, pelo segredo das coisas mais raras,  pela oração mental (aquela que a alma cria é só ela, alma, ouve, e só ela, alma, responde).

 

Que eu saiba dimensionar o calor, experimentar a forma, vislumbrar as curvas, desenhar as retas, e aprender o saber da exuberância que se mostra nas pequenas manifestações da vida.

 

Que eu saiba reproduzir na alma a imagem que entra pelo meus olhos, fazendo-me parte suprema da natureza, criando-me e recriando-me a cada instante.

 

Que eu possa chorar menos de tristezas e mais de contentamentos.

 

Que meu choro não seja em vão, e que em vão não sejam minhas dúvidas.

 

Que eu saiba perder meus caminhos, mas que saiba recuperar meus destinos com dignidade.

 

Que eu não tenha medo de nada, principalmente de mim mesmo: Que eu não tenha medo dos meus medos!

 

Que eu adormeça.....

 

 

Oswaldo Antonio Begiato

Saber envelhecer

01.03.11, Alice Alfazema

 

 

 

 

Jane Russell

(1921-2011)

  

 

Há pessoas que nunca perdem a sua beleza - essa - que  dizem ser efémera; que têm esses mais que outros? Talvez a sua beleza venha de dentro e se mostre de uma outra forma. Numa certeza...A sua vida não depende de estereótipos - encomendados para vender.

Saber envelhecer é provavelmente uma arte.

 

 

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