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Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Uma história antiga...

02.11.10, Alice Alfazema

Um dia, um discípulo foi ter com o seu mestre e confidenciou:

- Mestre, tens de saber o que andam a dizer de ti. Dizem que...

- Espera - interrompeu o mestre. - Passaste a mensagem pelas três peneiras?

- Três peneiras!? - perguntou o discípulo, espantado.

- Sim, três peneiras. Vejamos se o que me  queres dizer pode passar pela primeira peneira: tens a certeza de que é verdadeiro?

- Ouvi dizer...

- Falemos, então da segunda peneira. O que me queres contar, embora não seja propriamente verdadeiro, é qualquer coisa de bom?

Hesitante, o discípulo respondeu:

- Não. Parece-me que não é nada de bom para ti!

- Adiante. Usemos a terceira peneira e vejamos se é útil o que me queres contar.

- Útil? Sinceramente, não sei.

- Então, escuta - disse o mestre. Se o que tens para me dizer não é verdadeiro, nem bom, nem útil, eu prefiro não o saber. E tu deves aprender a estar calado.

Dono de si

01.11.10, Alice Alfazema


Um colunista acompanhava um amigo a uma banca de jornais. O amigo cumprimentou amavelmente o ardina, mas recebeu de volta um tratamento rude e grosseiro. Pegando no jornal que tinha sido atirado na sua direcção, o amigo do colunista sorriu polidamente e desejou um bom fim-de-semana ao vendedor. Quando os dois desciam pela rua, o colunista perguntou:
- Ele trata-o sempre assim, deste modo grosseiro?
- Sim, infelizmente, sempre foi assim...
-E você é sempre tão polido e simpático com ele?
- Sim, procuro ser.
- Porque é tão educado, se ele é tão grosseiro consigo?
- Porque não quero que seja ele a decidir como eu devo de agir.



Moral da história: qualquer pessoa é o seu próprio dono e não deve curvar-se diante do vento que sopra, não pode ficar mercê do mau humor, da impaciência e da raiva dos outros. Não são os ambientes que a transformam, mas ela quem transforma os ambientes.

 

 

in, O que podemos aprender com os gansos, Alexandre Rangel

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