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Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Pois eu gosto de crianças

04.09.10, Alice Alfazema

Pois eu gosto de crianças!

Já fui criança, também...

Não me lembro de o ter sido;

Mas só ver reproduzido

O que fui, sabe-me bem.

 

É como se de repente

A minha imagem mudasse

No cristal duma nascente.

E tudo o que sou voltasse

À pureza da semente.

 

 

Miguel Torga

 

 

A todos aqueles que não puderam ser criança e àqueles a quem este poema não diz nada, tentem reprogramar as vossas sensações e valorizar as alegrias que parecem banais.

 

O princípio da atracção

04.09.10, Alice Alfazema

 

"Noites quentes e serenas do estio alentejano, o cheiro da atmosfera seca, a ilusão do silêncio pejado de ruídos da terra e cantos de grilos e cigarras, o céu estrelado pairando como um manto negro repleto de pontos cintilantes ou silhuetas prateadas das árvores nas noites de luar, o doce envolvimemto de um bafo cálido que convida à vigília sem pretexto...Não há nada que se compare!"

 

 

 

 

"-Quando assistimos ao prodígio de ver os nossos filhos crescerem sem problemas, chegamos quase a convercer-nos de que, uma vez que eles atingiram a idade adulta, a nossa missão mais complicada já terminou, mas não é bem assim. Sinto-me como um farol numa noite de nevoeiro: emito sinais que podem até impedir um naufrágio, só que aqueles que eu quero proteger já não me conseguem ver como luzeiro protector. Sei que não devia, mas tenho saudades dos tempos em que era assim... e tenho medo, porque a última coisa que quero é vê-los meio perdidos e infelizes. Mas, para além do meu amor e do meu apoio, não creio que lhes possa dar mais nada."

 

 

 

 

in, O princípio da atracção, Teresa Direitinho

Crepúsculo

03.09.10, Alice Alfazema

É quando um espelho, no quarto

se enfastia;

quando a noite se destaca

da cortina;

quando a carne tem o travo

da saliva,

e a saliva sabe a carne dissolvida;

quando a força de vontade

ressuscita;

quando o pé sobre o sapato

se equilibra...

É quando às sete da tarde

morre o dia

- que dentro de nossas almas

se ilumina,

com luz lívida, a palavra

despedida.

 

David Mourão Ferrreira