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Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

A folha de papel e a tinta

16.09.10, Alice Alfazema

 Uma folha de papel que estava em cima de uma escrivaninha juntamente com outras iguais a ela, um belo dia apareceu toda manchada de sinais.

Uma pena, molhada numa tinta muito negra, escrevera na folha de papel uma quantidade enorme de palavras.

- Não podias ter-me poupado esta humilhação? - Disse, aborrecida, a folha de papel à tinta - Sujaste-me toda, estragaste-me para sempre.

- Espera - respondeu a tinta - Eu não te sujei, eu cobri-te de palavras. A partir de agora não és uma folha de papel. És uma mensagem. Porque guardas o pensamento humano tornaste-te um instrumento precioso.

De facto, pouco depois alguém veio arrumar a escrivaninha e vendo aquelas folhas espalhadas juntou-as e preparou-se para as atirar ao lume. Mas logo reparou na folha "suja" de tinta e, então, separou-a das outras e pôs no seu lugar, bem visível, a mensagem da palavra.

 

Leonardo Da Vinci

Gente da minha terra

13.09.10, Alice Alfazema
 
É meu e vosso este fado
destino que nos amarra
por mais que seja negado
às cordas de uma guitarra

Sempre que se ouve um gemido
duma guitarra a cantar
fica-se logo perdido
com vontade de chorar

Ó gente da minha terra
agora é que eu percebi
esta tristeza que trago
foi de vós que a recebi

E pareceria ternura
se eu me deixasse embalar
era maior a amargura
menos triste o meu cantar

Ó gente da minha terra


Ó gente da minha terra
agora é que eu percebi
esta tristeza que trago
foi de vós que a recebi
Linda, uma voz magnifica!