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Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Pai natal amarelo

29.04.12, Alice Alfazema

 

 

Quase todos os dias passo por uma casa onde moram uns chineses, quando por lá passo há sempre alguém que, ou está a regar as plantas, ou à janela, ou simplesmente a espreitar. Dá-me a sensação que será a avó lá da casa. Magrinha. Sempre com um sorriso na cara, daqueles sorrisos que contagiam. Uma figura impar. Pelo menos por estas bandas.

 

A senhora tem a particularidade de andar sempre com um barrete de pai natal, amarelo clarinho, por vezes também tem uma capa amarela. Olho para a janela, lá está o pai natal amarelo, sempre sorridente. Alguém está a regar o quintal, lá está o pai natal amarelo, sempre sorridente. Atrás da arvore está alguém, quem será? O pai natal amarelo, sempre sorridente.

 

No outro dia, quando por lá passei, estava o casal que, presumo devem ser os donos da casa, portanto será a filha ou o filho do pai natal amarelo. E lá no quintal continuava o pai natal amarelo, ninguém se parecia importar com aquela figura e, a senhora continuava feliz, vestida de pai natal amarelo. Por cá, neste nosso país, a velhice é tratada como uma doença, medicada como tal, noutras culturas, a velhice é simplesmente isso - velhice. Tal como a infância a velhice é uma fase a ser vivida sem preconceito. 

 

 

 

Alice Alfazema