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Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

A trela do Salazar

12.04.12, Alice Alfazema

 

 As conversas bailam, um bailado que chamam de crise. As queixas são deixadas no espaço da imaginação. Espera-se, espera-se e espera-se...que alguém faça aquilo que não fazemos. E comparam-se com os outros, e dizem que, lá fora é que é bom. Dizem que somos um país pequeno. Então o valor está no tamanho. Somos um terreno baldio. Onde não se semeia. A sabedoria continua desperdiçada. Onde estão os valores e as aprendizagens que herdámos. Os valores escolhem-se em função do quê? As aprendizagens estão onde? O bailado é sempre o mesmo, e rodopiam até estarem tontos. Nauseados não se mantêm de pé. Frágil. Acredita em tudo menos em si. Não sabe que sabe, porque pensa que os outros é que sabem. É a trela do Salazar. O peso nos ombros. O olhar cabisbaixo. O servilismo. O senhor doutor. A placa. O diploma. O fato. O sapato. Sem respostas. Sem porquês. A mulher da limpeza. O trabalho com valor. O trabalho que não vale nada. O trabalho. Os sem trabalho. Os que não querem trabalho. Os que querem ver trabalhar. A inércia. A resignação. O caminho mais fácil torna-se o mais penoso.

 

 

 

 

 

 

 

 

Alice Alfazema