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Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

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Flamingos azuis

31.03.12, Alice Alfazema

 

 

 

 

Há muito tempo, quando o Tejo era azul, existiam nas margens do rio flamingos azuis. A sua cor devia-se a um mineral existente na água e, quando eles se banhavam as suas penas reluziam num azul brilhante e encantado. Quando voavam faziam reflexos dourados pelo sol, e as suas crias cresciam livres e despreocupadas. O rio banhava suavemente as margens e os dias eram mornos e preguiçosos.

 

Vieram os Homens e começaram a poluir o rio e o ar. Nas margens acumulou-se lama e detritos. O rio ficou baço. O rio perdeu a cor azul. Os flamingos perderam a sua cor azul. Perderam os reflexos dourados.

 

E vieram mais Homens, sem escrúpulos, e venderam os terrenos onde os flamingos azuis habitavam. E nesse terreno construi-se um empreendimento comercial que tem um nome estrangeiro. É muito moderno. Tem lojas, daquelas que há em todo lado. Vêm pessoas em excursões, e comem muita comida, e não compram nada, vão para ali porque pensam que aquilo é moderno. Mas, pensam que é moderno, porque nunca chegaram a ver as cores dos flamingos azuis, nunca contemplaram os seus reflexos. Nunca viram o rio pintado de azul.

 

Esses Homens que destruíram a casa dos flamingos azuis, foram julgados, mas foram salvos pelas suas leis criadas para os defenderem.

 

Os flamingos não têm dinheiro, mas são de todos, são do planeta, são um património universal, o qual eles não tinham o direito de matar.

 

No entanto, num portão à beira rio, existem flamingos azuis, para que os que ali passam se lembrem que o ambiente é um património valioso e que todos temos o dever de o proteger.

 

 

 

 

 

Alice Alfazema

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