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Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

A língua mordida pelos dentes

21.08.10, Alice Alfazema

Era uma vez um rapaz que tinha o vício de falar mais do que devia.

- Que língua! - Suspiravam, um dia, os dentes. - Nunca está quieta!

- Que estão vocês a murmurar? - Replicou a língua com arrogância. - Vós os dentes, não sois mais do que servos unicamente encarregados de mastigar os alimentos que eu escolho. Entre nós não há nada em comum e não vos permito que se metam nos meus assuntos.

Deste modo, o rapaz continuava a dizer coisas que não vinham a propósito, enquanto a língua, feliz, conhecia todos os dias novas palavras.

Um dia, o rapaz depois de ter feito uma tolice autorizou que a língua dissesse uma grande mentira. Mas os dentes, obedecendo ao coração, morderam-na.

A língua ficou corada de sangue e o rapaz, arrependido, corou de vergonha.

Desde aquele dia que a língua se tornou cautelosa e prudente e antes de falar pensava duas vezes.

 

 

 

 

in, Fábulas, Leonardo Da Vinci

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