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Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Rio de águas claras

19.08.10, Alice Alfazema

" Conta uma lenda que existia um grupo de criaturas que viviam no fundo de um rio de águas claras. Alimentavam-se de algas e plantas. Com medo de, um dia, não terem que comer, começaram , com o tempo, a agarrar-se, com toda a força, às pedras onde ainda havia algum alimento. Agarrar-se era o seu meio de vida, e todas aprendiam a agir assim desde que nasciam. Enquanto isso, o rio passava, sereno, sobre todas elas.

Um dia, no entanto, uma das criaturas decidiu deixar de se agarrar às pedras:

- Não aguento mais isto...Vou deixar que a corrente me leve e ver o que acontece.

As outras riram-se do companheiro e todas lhe chamaram louco:

- Vais morrer!

Mesmo assim, aquele habitante das águas claras soltou-se e foi imediatamemte lançado contra as pedras, o que a princípio, o deixou um pouco atordoado. Mas não tardou a aprender a desviar-se delas e, solto como estava, foi subindo em direcção à superfície, onde encontrou as mais diversas espécies de plantas e algas, com as quais saciou a fome.

Lá em baixo, as outras olharam na sua direcção e, sem o reconhecer, disseram:

-Vejam! Uma criatura que voa!

E aquele que se tinha permitido ser levado pela corrente, disse-lhes:

- O rio leva-nos para a liberdade, quando ousamos soltar-nos.

Porém, por mais que tentasse convencer as criaturas a soltarem-se também, não conseguiu, e elas continuaram agarradas às pedras. Mas a partir daquele dia, algo havia mudado, e alguns habitantes das águas claras começaram também a sonhar com o dia em que conseguiriam arriscar  e deixar a água levá-los para passearem."

 

in, O que podemos aprender com os gansos

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