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Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Menina triste

09.01.12, Alice Alfazema

A Joana é uma menina triste, não tem sorriso nem sabe que é menina. Vive de sombras e de ilusões, chama-se Joana, mas pode ter outro nome, Maria dos dias sem sol. Passa de escola em escola, como uma lufada de ar. Não sabe que é menina, já pensa que é mulher, de corpo franzino e de olhar triste, navega de terra em terra, não sabendo o que quer. Ninguém lhe ensina o que é ser menina, todos a julgam mulher. A infância já se foi e ela nem deu por isso, não sabe o que perdeu nem o que poderia ter ganho. Mãe e pai não existem, nem presentes nem ausentes, são sombras de outros que também não souberam o que é ser menino ou menina. Infâncias perdidas em dias desgastados, senhores ausentes de responsabilidades, culpam os inocentes, que as meninices arrancaram, culpados de terem nascido, culpados de não saberem. Os nobres exalam perfumes de outrora; esquecendo memórias; esquecendo o que valem; esquecendo o que devem; esquecendo o que são.

 

 

 

 

 

 

Alice Alfazema