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Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Obrigada, Mãe.

08.12.11, Alice Alfazema

 

 

Lembro-me... já noite, num dia de Inverno. Estávamos a jantar. Sobre a mesa os pratos cheios de sopa de feijão, e uma travessa com carne e chouriços, de carne e de sangue. A carne e a sopa fumegavam, lá fora estava frio. O aroma da sopa pairava no ar, antevendo a delícia do seu sabor. Batem à porta e tu abriste-a. Lá fora um miúdo pequeno queria espreitar, disse-te qualquer coisa, ao que tu respondes-te - tens fome? então entra e senta-te.

Ao meu lado o miúdo devorou a sopa, não tinha mais que o meu tamanho, e sentado olhava-nos, a mim e ao meu irmão, como se aquele momento tivesse que ser guardado. Talvez ele não o tenha guardado, no entanto, guardei-o eu.

Num tempo já distante em Portugal hoje era consagrado o dia de homenagem à Mãe. Lembro-me de ti, hoje, neste dia especial, recordo este momento singelo, que me diz, que o legado imaterial que me deixas-te é o maior valor que  eu poderia receber, e que tudo o resto se encaixa, num feliz encontro de energias.

Sei que o aroma da Alfazema era um dos teus preferidos, que a Alice do país das Maravilhas te influenciava nas histórias que me contavas, deixo-te assim este aroma, que quero que seja de partilha, fruto dos teus exemplos, que apesar de singelos eram cheios de significado para mim. Perduram até hoje, no meu imaginário e na minha vida. Apesar da ausência do teu físico, a tua energia paira sobre mim, vejo-te quando me olho ao espelho, e atenuo as minhas saudades de ti quando abraço a minha filha.  Acredito que a energia não morre, e que no seu devido tempo nos vamos voltar a encontrar, e voltaremos a rir, e a conversar.

 

Abraço

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Alice Alfazema