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Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Nevoeiro

19.10.11, Alice Alfazema

 

 

 

A densidade do nevoeiro impede que se vejam as verdades e as mentiras, um mundo coberto de nuvens onde nada consegue emergir, as raízes do negrume encerram segredos e criam garras, profundas, no desespero da verdade; todos se enrolam vindos da sua vida, egoístas e maldizentes, mentirosos e desesperados, esperando que outros façam aquilo que não conseguiram fazer, por não quererem e por estupidez, os seus cérebros já cansados rastejam no nojo, esperando recuperar, pegam nas rédeas da vergonha, carcomida pelo tempo, onde esta se desfaz em poeira. Reles e alegres com os seus sorrisos brilhantes, penteados acetinados e fatos aprumados, esquecem que a sopa arrefeceu, que o pão criou bolor, esquecem o cheiro do suor e a dor, alimentam-se de risos, guinchos falsos, tolerados e ensaiados, de palavras já gastas que perderam o significado, são eles que comandam e não sabem para que lado vira o leme.

 

 

 

 

 

Alice Alfazema