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Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Dia da República portuguesa...

05.10.11, Alice Alfazema

 

 

 

 

 

Passando pelas ruas da cidade, vejo a maioria das lojas fechadas, não por ser feriado, mas porque fecharam para sempre, esguichos de tinta cobrem as paredes, levando a imagens que me dão a sensação de desleixo, de ignorância e de gente sem cérebro.

 

Quero comprar produtos portugueses e não os encontro, sinto-me num país vazio de alma, onde cada rotunda é um molhe de hipermercados, sempre todos iguais, sem nada por descobrir, os fóruns com lojas estrangeiras e sempre apinhados de gente que age como máquinas.

 

Sinto saudades, dos bairros cheios de vozes, de risos de crianças. Sinto saudade do cheiro da fruta nos mercados de rua, do merceeiro, do alfaiate e da costureira, das lojas com diversas marcas. Sinto saudade de olhar as etiquetas e ler -  fabricado em Portugal. Sinto saudade de passear tranquila, dos bons dias, das flores à janela e do restolho.

 

O cinismo das aparências despejou o orgulho de ser português, de gostarmos daquilo que temos e do que queremos ser.

 

 

 

 

 

Alice Alfazema

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