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Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Nos olhos enigmáticos dos bois!

11.09.11, Alice Alfazema

 

 

 

 

Na doce paz da tarde que declina

Após a faina sob um sol ardente,

Vão os bois recolhendo lentamente

Pelas vias desertas da campina

 

Atravessam depois a cristalina

Ribeira e o flébil som da água corrente

Bebem sedentos, demoradamente,

Numa sensual rudeza que os domina.

 

Mas quando, fartos de água, erguendo as frontes,

Os beiços escorrendo, olham os montes

E ouvem cantar ao alto os rouxinóis,

 

Eu fico-me a cismar, calado e triste,

Que um mundo de impressões, que uma alma existe

Nos olhos enigmáticos dos bois!

 

 

Conde de Monsaraz

(1852-1913)

 

 

Alice Alfazema

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