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Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Diversificação social

10.09.11, Alice Alfazema

 

 

 

Ó Júpiter, tu que soubeste do teu cérebro,

Por uma nova técnica de parto,

Afastar Palas, outrora meu inimigo,

ouve o meu lamento, sê meu amigo.

Procne, ziguezagueando, cortando as águas e o ar,

A comida me vem roubar.

Na minha porta, as moscas apanha.

Minhas, posso dizê-lo; e a minha teia,

Que eu teci bem resistente, estaria cheia

Sem pássaro impertinente.

Com este discurso irritado,

Lamentava-se a aranha, antiga tapeceira,

E, agora que era fiandeira,

Pretendia caçar todo o insecto descuidado.

A irmã de Filomena, à presa toma atenção

E às moscas no ar deita a mão.

Cruel alegria para ela e para os filhotes,

Ninhada de glutões de bico sempre aberto,

Que reclamavam com gritos bem fortes.

A pobre aranha apenas formada

Por cabeça e patas articuladas

Também foi apanhada.

A andorinha levou a teia ao passar

E com ela o animal na ponta a bailar.

 

Para as diversas posições sociais

Há duas mesas: o esperto, o vigilante e o forte

Sentam-se na primeira;

Os fracos comem os restos na segunda.

 

 

 

Jean de La Fontaine

 

 

 

 

Alice Alfazema