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Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Tempos de ócio

27.08.11, Alice Alfazema

 

 

 

Os gatos,

não vagabundos mas sem um dono,

ao sol adormecidos

em ruas sem passeios,

ou esperando uma mão generosa

talvez entre ruínas,

os gatos

imortais de um modo tão humilde,

desafiam o tempo, permanecem

suportando bons e maus momentos,

nada sabendo da História

que levanta edifícios

ou os deixa abismar-se entre pedaços

belos ainda, agora nobres pedestais

dessas figuras: livres.

Olhar fixo de uns olhos muito verdes,

em solidão, em ócio e luz distante.

Olhos semicerrados, olhos quase chineses,

loira a pele e em calma iluminada.

Erguido junto a um mármore,

resto sobrevivente de coluna,

alguém feliz e pulcro

alisa-se com a pata bem lambida.

Gatos. Frente à História,

sensíveis, sérios, sozinhos, inocentes.

 

 

Jorge Guillén

 

 

 

Alice Alfazema