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Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

ūüíč

04.04.19, Alice Alfazema

 

Ilustração Gwenda Kaczor

 

 

N√£o te fies do tempo nem da eternidade,
que as nuvens me puxam pelos vestidos
que os ventos me arrastam contra o meu desejo!
Apressa-te, amor, que amanh√£ eu morro,
que amanh√£ morro e n√£o te vejo!
N√£o demores t√£o longe, em lugar t√£o secreto,
nácar de silêncio que o mar comprime,
o l√°bio, limite do instante absoluto!
Apressa-te, amor, que amanh√£ eu morro,
que amanh√£ eu morro e n√£o te escuto!
Aparece-me agora, que ainda reconheço
a anêmona aberta na tua face
e em redor dos muros o vento inimigo…
Apressa-te, amor, que amanh√£ eu morro,
que amanhã eu morro e não te digo…

 

 

Cecília Meireles

 

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