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Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Uma arte do ser

Arte Poética II

25.11.20, Alice Alfazema
Ilustração Bee Johnson   A poesia não me pede propriamente uma especialização pois a sua arte é uma arte do ser. Também não é tempo ou trabalho o que a poesia me pede. Nem me pede uma ciência nem uma estética nem uma teoria. Pede-me antes a inteireza do meu ser, uma consciência mais funda do que a minha inteligência, uma fidelidade mais pura do que aquela que eu posso controlar. Pede-me uma intransigência sem lacuna. Pede-me que arranque da minha vida que se quebra, gasta, (...)

Bellissimo!

24.11.20, Alice Alfazema
Hoje na hora do almoço fui beber um café, pedi um bolo miniatura para dar pompa à circunstância. Quando recebi o pedido fiquei tão contente com o efeito que pensei automaticamente, tenho de tirar uma fotografia para lhes mostrar. E quem são os lhes? São vocês que passam por aqui todos os dias, que me deixam comentários, que me acompanharam durante este mês de Novembro, que foi para mim um mês duro e de clausura forçada.  Mês em que fiz parte dos números da listagem diária (...)

A meio

23.11.20, Alice Alfazema
Ilustração  Lucija Mrzljak   Olhei a fotografia gasta e desbotada pelo tempo, tinha algumas nódoas no papel amarelado. Virei-a para ver se tinha alguma dedicatória. Uma letra cuidada e elegante bailava ainda no papel envelhecido. Querido, começava a linha escrita a azul fim de tarde, pelo meio algumas palavras que só eles sabiam o sentido, no fim, desta que te ama, a assinatura estava no pedaço já rasgado.   

Vidas paralelas

22.11.20, Alice Alfazema
Ilustração João Fazenda   Coloquei o bolo no forno, mas antes fiz a massa a preceito, batendo as claras até ficarem leves, depois envolvi-as no resto da massa tendo o cuidado de não bater em demasia o preparado. Tinha muita fé nisso, que o bolo ia subir e ficar fofinho. Uma delícia. Coloquei o bolo no forno, e passados cinco minutos espreitei, abri a porta do forno muitas vezes, na esperança de acompanhar melhor o seu (...)