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Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

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07.03.21, Alice Alfazema
Ilustração Irene Blasco     Vou entrançandoo traçadodo meu trajeto na escrita Consulto os mapas da almao júbilo, a assombraçãodo coração a desdita os atlas da insubmissãoas cartas dos oceanosos versos, a alegoria Vou navegando à bolinapor entre ventos contráriose ondas enraivecidas com a bússola da transgressãoos astrólogos dos diase as palavras da poesia Vou atando e desatandoo destino e a desditamisturando os nós dos mares com o anelo da paixãoo alvoroço da vidaa (...)

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06.03.21, Alice Alfazema
Perguntar se a alegria é inteira ou tem medida se é oval ou circular de que maneira a contém o olhar quando a anuncia é o mesmo que perguntar: − Quantas margens tem o mar?   Poema Nuno Higino

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05.03.21, Alice Alfazema
Sou um evadido,Logo que nasciFecharam-me em mim,Ah, mas eu fugi.    Se a gente se cansaDo mesmo lugar,Do mesmo serPorque não se cansar? Minha alma procura-meMas eu ando a monte.Oxalá que elaNunca me encontre. Ser um é cadeia.Ser eu é não ser.Eu vivo fugindoMas vivo a valer.   Poema de Fernando Pessoa

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04.03.21, Alice Alfazema
Batidas na porta da frente é o tempo Eu bebo um pouquinho pra ter argumento Mas fico sem jeito, calado ele ri Ele zomba de quanto eu chorei porque sabe passar e eu não sei Num dia azul de verão sinto vento há folhas no meu coração é o tempo recordo um amor que eu perdi ele ri Diz que somos iguais se eu notei pois não sabe ficar e eu também não sei E gira em volta de mim sussurra que apaga os caminhos que amores terminam no escuro sozinhos Respondo que ele aprisiona, eu liberto Q (...)

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Dia Mundial da Vida Selvagem, este ano dedicado às Florestas

03.03.21, Alice Alfazema
Havia na floresta um roble cheio de anos,Vestido de hera anciã, decano entre os decanosDos bosques do arredor. Raízes colossaisPrendiam-no à terra; ao ar descomunaisOs braços elevava, e ao vê-lo assim dir-se-iaQue aos outros vegetais as bênçãos estendia. Velho, e ainda a primavera o vinha requestar;O outono desfolhava-o em último lugar;Opunha ao sol do estio a fronde espessa e bela;Respeitava-o no inverno o raio da procela. Viu passar gerações após geraçõesEm risos e em (...)