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Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Déjà vu

22.07.19, Alice Alfazema
    Vejo-me a saborear o café tantas vezes com o mesmo sabor. Uma e outra vez. Em diversas versões. A por a manteiga no pão, a rir da mesma forma, com vontade. A empatia pelos outros e a vontade de ajudar. O espírito crítico e a ousadia de querer ser diferente. É como se a minha história já fosse contada e vivida por outros seres, dentro da mesma linha, do mesmo sangue, em outras condições. Como se nos tivéssemos empurrado umas às outras de vida para vida.      E aqui (...)

Fogos abertura da época - 2019

21.07.19, Alice Alfazema
Tal como a abertura das férias da malta que trabalha está também aberta agora a época festiva dos fogos em Portugal, tempo quente, vento favorável, é só começar. É um festim, é ver o fogo devorar a floresta, ou o que resta dela, os animais que aí habitam a morrerem, as casas e os bens das pessoas que vão ficar anos sem nada, são as reportagens, são as capas dos jornais, são a contagem de gente ferida, é fotografias de bombeiros nas redes sociais. É o desnorte da (...)

Micro contos - A procura

21.07.19, Alice Alfazema
  Ilustração Marly Gallardo   Que procuras tu quando te escondes na praia? Debaixo de um chapéu de sol, enquanto enterras os teus pés para sentires a areia fresca que está por baixo da escaldante. Levas contigo os teus pensamentos para todo o lado, mesmo que te vistas de modo diferente e a paisagem seja outra daquela que estás habituada. Mudas-te de cor de cabelo, e fizeste umas unhas coloridas, mas nada mudou. O que (...)

A olhar o céu

20.07.19, Alice Alfazema
Por vezes os nossos pensamentos são como as nuvens, são muitos, são dispersos, são pesados, são flocos levezinhos e distantes uns dos outros, são únicos. À medida que o tempo passa o cenário muda, quer seja porque está vento, ou muito calor, ou é Inverno, ou Primavera.     Observar a Natureza é das melhores coisas da nossa vida, quem nunca experimentou deveria de o fazer, pois são tantos os pormenores, tantas as cores, tantos os cheiros e tantas as emoções que recebemos (...)

O beijo da quilha

18.07.19, Alice Alfazema
      O beijo da quilha na boca da água me vai trocando entre o céu e mar, o azul de outro azul, enquanto na funda transparência  sinto a vertigem de minha própria origem e nem sequer já sei que olhos são os meus e em que água se naufraga minha alma Se chorasse, agora, o mar inteiro me entraria pelos olhos     Mia Couto

Onde estão eles?

18.07.19, Alice Alfazema
  As pessoas estão a perder os sentido de humor? Muitas vezes me deparo com ter de me repetir para me fazer entender. Estamos a ficar de tal forma formatados que o humor e a ironia passaram a ser matéria que tem de ser ensinada. O pior é que as pessoas com sentido de humor são descredibilizadas, como se manter uma cara séria e carrancuda fosse um pressuposto de pessoa responsável e resiliente. E há quem acredite nisso. É pena não haver mais gaivotas por aí.     As (...)

Museu da Música Mecânica

17.07.19, Alice Alfazema
  O Museu da Música Mecânica é um lugar mágico, que nos transporta para outros tempos, o próprio edifício do museu é uma caixa de música. Fica nos Arraiados, um local entre o Pinhal-Novo e Setúbal,  no meio das vinhas e das árvores de fruto.      Lá podemos ver e ouvir instrumentos mecânicos que são também autênticas obras de arte, quer seja pelas madeiras finas decoradas à mão, quer pela ousadia do autor, caixinhas de música que são carroceis ou bailarinas, (...)

As pombas

16.07.19, Alice Alfazema
    As pombas rodeiam-te, são pensamentos esvoaçantes, que vão e vêm em diversas direcções, esvoaçam levemente ou poisam de rompante. Vão embora pela manhã e voltam à tarde. À noite poisam no poleiro dos teus sonhos e ficam à espera de comida. Do teu eu que paira num universo paralelo, numa almofada fofa e fresca com cheiro de maresia. De manhã as pombas refrescam-se na tua preguiça, na ponta dos teus dedos e debicam segredos que tu agarras com as mãos, elas fogem, só (...)