Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Orai

17.09.19, Alice Alfazema
    — Liberdade, que estais no céu... Rezava o padre-nosso que sabia, A pedir-te, humildemente, O pio de cada dia. Mas a tua bondade omnipotente Nem me ouvia. — Liberdade, que estais na terra... E a minha voz crescia De emoção. Mas um silêncio triste sepultava A fé que ressumava Da oração.         Até que um dia, corajosamente, Olhei noutro sentido, e pude, deslumbrado, Saborear, enfim, O pão da minha fome. — Liberdade, que estais em mim, Santificado seja o vosso nome.  (...)

Riscas

15.09.19, Alice Alfazema
Fotografia Andy Howe     Para quem começa amanhã uma nova etapa: desejo-vos um tempo de riscas, claras e escuras, sim, porque nem sempre vai ser bom, mas tal como as riscas, a vida é feita disto e daquilo e muitas vezes o aquilo é melhor que isto, mas tem dias que o isto é melhor que aquilo, por isso é aproveitar ao máximo e fazer disso um postal cheio de experiências e aprendizagens que mesmo desiguais se juntem e vos levem para um futuro bom e aconchegante, sim porque as (...)

Bocage o Elmano Sadino

15.09.19, Alice Alfazema
    Lá quando em mim perder a humanidade Mais um daqueles, que não fazem falta, Verbi-gratia - o teólogo, o peralta, Algum duque, ou marquês, ou conde, ou frade: Não quero funeral comunidade, Que engrole sub-venites em voz alta; Pingados gatarrões, gente de malta, Eu também vos dispenso a caridade: Mas quando ferrugenta enxada idosa Sepulcro me cavar em ermo outeiro, Lavre-me este epitáfio mão piedosa: "Aqui dorme Bocage, o putanheiro; Passou a vida folgada, e milagrosa; Com (...)

Vindimar o voto

14.09.19, Alice Alfazema
    Nas beijativas os candidatos distribuem beijinhos e abracinhos sem ligarem a odores. Podem até trocar de piolhos. É com alegria que descrevem as suas intenções para os próximos quatro anos. Nesses momentos a sua memória consegue alcançar as mais diversas camadas sociais, lembram-se dos pobres, dos velhos, dos que trabalham nas bancas dos mercados, dos que estão no interior, dos desempregados, dos que ganham pouco... é uma vindima de gente, todo bago dá vinho. 

O pássaro solitário

14.09.19, Alice Alfazema
  Em certa árvore há um pássaro, que canta a alegria da vida. Nos galhos mais escondidos, lá ele pousa e repousa. Chega ao descer o crepúsculo e parte ao erguer-se a aurora.         Quem sabe que pássaro é esse que canta dentro de mim? Não tem forma nem cor, não tem contorno nem estofo. Pousa na sombra do amor e repousa no inatingível.     Kabir diz: Ó sadhu, meu irmão, profundo é este mistério. Deixa que os sábios descubram onde tal pássaro se esconde.       P (...)

Bom dia 💋

14.09.19, Alice Alfazema
  Ilustração Roshi Rouzbehani   Há muito tempo, na cidade de Zahlé, ocorreu uma rixa entre um jovem poeta, de nome Fauzi, e um oleiro, chamado Nagib. Para evitar que o tumulto se agravasse foram levados à presença do juiz do lugarejo. O juiz, homem íntegro e bondoso, interrogou primeiramente o oleiro, que parecia muito exaltado.  - Disseram-me que você foi agredido? Isso é verdade? - Sim, senhor juiz.  - confirmou o oleiro - fui agredido em minha própria casa por este (...)