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Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Descanso

04.07.20, Alice Alfazema
Ilustração Alice Caldarella   Apesar do descanso dos dias sinto-me cansada, exausta de pensar, pensar que não quero a vida que tinha, não quero aquela azáfama desvairada e já sem retorno. Finalmente dei-me conta do quanto estava cansada, e da minha insistência em não descansar. Um outro eu espreita e toma conta do meu cérebro, um eu mais egoísta, mais exigente, menos compreensivo com as desculpas. Esta mudança de pele é complexa, ouvi dizer que as cobras ficam mais (...)

Julho 1944

Auschwitz

02.07.20, Alice Alfazema
  Quando brilhou a aurora, dissolveram-se Entre a luz as florestas encantadas, Arvoredos azuis e sombras verdes, Como os astros da noite embranqueceram Através da verdade da manhã.   Sophia de Mello Breyner Andresen, in Poesia, 1944   Tenho estado a ler sobre Auschwitz, Julho de 1944, é-me difícil de ler, tenho-o lido aos poucos, continuo surpreendida com as atrocidades ali cometidas, com a banalização do sofrimento, com a brutalidade da morte, da morte lenta, da morte através (...)