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Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Diário dos meus pensamentos (17)

05.04.20, Alice Alfazema
Hoje é domingo, o último antes da Páscoa, choveu e fez frio. Continuo na minha tarefa de fazer a coronamanta, está a bom ritmo, já tenho poucas cores, não sei como ficará no fim, talvez mais desmaiada, logo se vê, o que interessa é fazê-la. O dia foi tranquilo, vi o concerto do José Cid no Campo Pequeno, gostei, gostei muito, e sinto que foi tão  bom crescer com pessoas assim, que nos fazem pensar. Apesar desta tranquilidade domingueira em minha casa, sinto que no andar de (...)

Micro contos - O Amor

05.04.20, Alice Alfazema
  Ilustraçao Angelo Ruta     Afinal o Amor já não é uma coisa de gente lamechas, afinal o Amor já pode mover montanhas, afinal o Amor é importante, afinal o Amor faz falta, afinal sentimos falta do Amor.  O Amor nas suas mais variadas emoções, o amor ao próximo, a amizade, a empatia, o altruísmo, a dedicação, a presença, a lembrança, a preocupação, o bem-querer...    

Diário dos meus pensamentos (16)

04.04.20, Alice Alfazema
Estive a enumerar este diário para que ficasse mais fácil de perceber isto, assim já lá vão dezasseis dias, é isto, parece que o tempo passa devagar, mas não. Neste momento o meu filho está a declamar o poema Mostrengo, eu sou o júri e vou avaliar a declamação. Qual é o pior mostrengo que podemos enfrentar por estes dias? Será o tempo? A falta de paciência? A ansiedade? O medo? A desinformação? O vizinho que teima em cantar? O badalhoco que deita luvas e máscaras para o (...)

Coisas do nosso tempo - TAP Air Portugal

03.04.20, Alice Alfazema
  Ó mar salgado, quanto do teu sal São lágrimas de Portugal!     Por te cruzarmos, quantas mães choraram, Quantos filhos em vão rezaram! Quantas noivas ficaram por casar Para que fosses nosso, ó mar!     Valeu a pena? Tudo vale a pena Se a alma não é pequena.     Quem quer passar além do Bojador Tem que passar além da dor. Deus ao mar o perigo e o abismo deu, Mas nele é que espelhou o céu.     Poema Fernando Pessoa, in Mensagem, 1934     Já foram e já vieram e (...)

Diário dos meus pensamentos (14)

Abril

02.04.20, Alice Alfazema
E já chegámos a Abril, ontem o dia esteve chuvoso, mas hoje o Sol brilhou convidativo à lavagem de roupa e aos passeios à janela. O almoço foi arroz de frango com cogumelos seguido de um café tirado na máquina que recebi pelo Natal. Antes do almoço estive a estender a roupa, enquanto estendo e não estendo a minha vizinha que é professora na escola onde trabalho chama-me, aceno-lhe, e pergunto-lhe se está tudo bem, ouvem-se as nossas vozes na rua vazia, o vizinho de cima mete-se (...)

Diário dos meus pensamentos (13)

Regresso sem fim

01.04.20, Alice Alfazema
    Passavam pelo ar aves repentinas, O cheiro da terra era fundo e amargo, E ao longe as cavalgadas do mar largo Sacudiam na areia as suas crinas.       Era o céu azul, o campo verde, a terra escura, Era a carne das árvores elástica e dura, Eram as gotas de sangue da resina E as folhas em que a luz se descombina.     Eram os caminhos num ir lento, Eram as mãos profundas do vento Era o livre e luminoso chamamento Da asa dos espaços fugitiva.     Eram os pinheirais onde o (...)