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Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Em cima de uma tábua

11.05.21, Alice Alfazema
Ilustração Prakashan Puthur Durante muito tempo, o meu lugar de eleição para momentos de reflexão foi em cima de uma tábua debaixo de uma árvore. Numa tábua amarrada a um tronco resistente, um espaço finito, mas onde me sentava e começava a voar. A cada balanço sentia o impacto que era dado na árvore, por vezes o estalido da madeira traçava o ar. E aí sentia que a árvore me embalava no colo. 

feche os olhos

10.05.21, Alice Alfazema
Ilustração Carole Hénaff   Feche os olhos e vire a cara para o vento. Sinta como varre sua pele em um oceano invisível de júbilo. De repente, você sabe que está vivo.  Vera Nazarian   Sair da nossa zona de conforto é o equivalente a saltarmos de pára-quedas quando o nunca fizemos, o medo encolhe-nos e o nervoso miudinho instala-se em todos os nossos poros, uma insegurança percorre-nos a espinha dorsal, o sangue fluí a grande velocidade...fechamos os olhos e saltamos.  

A vida passa lá fora

09.05.21, Alice Alfazema
A vida passa lá fora, como se nada fosse, e sinto que o meu tempo foi-me roubado nestes últimos meses, o que não fiz e queria muito fazer, se a minha vida acabasse agora estaria incompleta, provavelmente ficará sempre incompleta, mas quero que seja o mais preenchida na medida do possível. Quando somos jovens pensamos que temos todo o tempo do mundo, depois o tempo transforma-se num túnel, cada dia mais afunilado, e aí cada dia passa a valer muito mais que as vinte e quatro horas (...)

Saudade

08.05.21, Alice Alfazema
Ilustração Holly Warburton Saudade é um pouco como fome. Só passa quando se come a presença. Mas às vezes a saudade é tão profunda que a presença é pouco: quer-se absorver a outra pessoa toda. Essa vontade de um ser o outro para uma unificação inteira é um dos sentimentos mais urgentes que se tem na vida.   Clarice Lispector

Assédio

07.05.21, Alice Alfazema
A Sofia Arruda declarou publicamente que foi assediada no seu local de trabalho, a partir daí várias mulheres deram a cara e assumiram que também já tinham sido assediadas no local de trabalho, sendo que isto por si só já é de uma violência emocional para as vitimas, podemos imaginar então a dificuldade em ultrapassar este sofrimento psicológico, o medo, e até a culpa que a própria vitima carrega.  Toda esta situação, dirão alguns, que acontece e vai acontecer sempre, (...)