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Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Conversas da escola - A imitação

Hora de intervalo, a fila é grande no bufete da escola:

- Eu quero um pastel de nata e um pão com chouriço.

Registo e dou a mercadoria, passo ao cliente seguinte:

- Quero um pastel de nata e um pão com chouriço.

Registo e começo a dar a mercadoria.

- Não! Eu estava a imitar! Eu estava a imitar! Eu estava a imitar!

?

- Eu estava a imitar ela, só quero o pastel de nata.

 

 

Alice Alfazema

Coisas da vida e da morte

Como todos sabem a entrada e saída de miúdos numa escola é deveras interessante. É um oásis que reflecte a sociedade. Os pais e as mães competem entre si pelo melhor lugar para deixar o carro, não há limites para a imaginação. É o carro estacionado em cima da curva, no passeio, em frente ao portão da escola, em segunda fila, em sentido contrário, fazer de rotunda no cruzamento, à pressa, à pressa, à pressa, beijinhos à pressa, ralhetes à pressa, tudo rápido, rapidinho.

 

Nesta confusão de gente ainda há lugar para mais? Sim. 

 

Hoje, uma pai e uma mãe que têm como profissão cangalheiros, foram buscar o seu rebento à hora de almoço, levaram o seu carro de profissão, tendo este as cortinas baixas, não fiquei portanto a saber se alguém antes de ir lá para baixo ainda teve de ir buscar um puto à escola.

 

Confesso que reconheci logo o motorista que há uns anos às sete e picos da manhã, quando eu ia a caminho do trabalho, quase me atropelou, com o mesmo carro de serviço, entretanto e enquanto eu ainda ria do sucedido e agradecia a Deus  estar viva, e de não ter passado a vergonha de morrer assim, vejo-o entregar o seu rebento no ATL. 

 

É tudo por agora.

 

 

Alice Alfazema