Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Conversas da escola - Pormenores de um dia de trabalho

Setembro 30, 2017

Alice Alfazema

Uma colega explicou-me o que lhe aconteceu um dia destes:

 

- Sabes eu estava aqui depois do intervalo, tu sabes como isto é movimentado e estou sozinha a fazer tudo...e estava aqui de cabeça baixa, quando chega uma pessoa e eu digo que estou exausta. E a pessoa diz-me: então as férias foram pequenas? Foram normais respondo eu. Mas tem poucas férias? ...Tenho as que é para ter. Estou exausta porque é muito trabalho quando saio daqui nem me sinto. A senhora ainda tem sorte, quando vai para casa não faz mais nada, agora eu ainda tenho testes para corrigir e...Diz-me lá? Achas algum jeito nisto?

 

 

 

Alice Alfazema

Conversas da escola - Rentrée

Setembro 02, 2017

Alice Alfazema

osga1.jpg

 

- Aiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii! Aiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii! Aiiiii! Aii! Ai que horror! 

- Ai meu Deus, que horror!

 

osga2.jpg

 

- Ai que horror. Ai que horror.

- Aqueles olhinhos a olharam para mim. Ai que horror.

 

 

osga3.jpg

 

- Eu sei que aquilo não está vivo...

 

 

osga4.jpg

 

 

Exemplar de osga encontrada por mim no Verão de 2017, perto de uma parede e junto a ervas rebeldes que cresciam sem ninguém lhes ter dado autorização para isso. Morta e já seca, mumificada, sem nada por dentro, sem olhinhos, totalmente morta, que não mexe mesmo, que não vai voltar a ficar viva, que nunca mais vai fugir da água ou de alguém, mas que ainda aterroriza mulheres adultas e poderosas. Sim eu venci o medo e peguei-lhe, primeiro com luvas, depois já nem isso, e porque venceste o medo Alicinha Contina? Porque a vontade de pregar partidas é maior que o meu medo.

 

Ai que horror!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

 

 

Alice Alfazema

 

 

 

 

Então Alicinha, como foi o teu primeiro dia após as férias?

Agosto 17, 2017

Alice Alfazema

Foi calmo, entre lavagens de loiça, destralhação de objectos não recuperáveis, mais lavagens, e pó, e teias de aranha, e a descoberta de uma barata já seca lá nos confins de um armário e vestigios de argentinas também elas já mumificadas.

 

E eis que chega a tão desejada hora de almoço, a sagrada refeição que nos faz recuperar da dureza do labor, vou então ao frigorífico e tiro a minha caixa com a comida, testapo-a com pressa e fome, e fico pasmada a olhar para o que está lá dentro, arroz com ervilhas, arroz com ervilhas, arroz com ervilhas, a caixa cheia com arroz com ervilhas. Bolas! Troquei a caixa...Uma colega amorosa ainda me disse: queres um bife dos meus? Ainda há gente boa neste mundo. 

 

 

 

 

Alice Alfazema

Conversas da escola - A imitação

Março 20, 2017

Alice Alfazema

Hora de intervalo, a fila é grande no bufete da escola:

- Eu quero um pastel de nata e um pão com chouriço.

Registo e dou a mercadoria, passo ao cliente seguinte:

- Quero um pastel de nata e um pão com chouriço.

Registo e começo a dar a mercadoria.

- Não! Eu estava a imitar! Eu estava a imitar! Eu estava a imitar!

?

- Eu estava a imitar ela, só quero o pastel de nata.

 

 

Alice Alfazema

Coisas da vida e da morte

Outubro 11, 2016

Alice Alfazema

Como todos sabem a entrada e saída de miúdos numa escola é deveras interessante. É um oásis que reflecte a sociedade. Os pais e as mães competem entre si pelo melhor lugar para deixar o carro, não há limites para a imaginação. É o carro estacionado em cima da curva, no passeio, em frente ao portão da escola, em segunda fila, em sentido contrário, fazer de rotunda no cruzamento, à pressa, à pressa, à pressa, beijinhos à pressa, ralhetes à pressa, tudo rápido, rapidinho.

 

Nesta confusão de gente ainda há lugar para mais? Sim. 

 

Hoje, uma pai e uma mãe que têm como profissão cangalheiros, foram buscar o seu rebento à hora de almoço, levaram o seu carro de profissão, tendo este as cortinas baixas, não fiquei portanto a saber se alguém antes de ir lá para baixo ainda teve de ir buscar um puto à escola.

 

Confesso que reconheci logo o motorista que há uns anos às sete e picos da manhã, quando eu ia a caminho do trabalho, quase me atropelou, com o mesmo carro de serviço, entretanto e enquanto eu ainda ria do sucedido e agradecia a Deus  estar viva, e de não ter passado a vergonha de morrer assim, vejo-o entregar o seu rebento no ATL. 

 

É tudo por agora.

 

 

Alice Alfazema

 

 

Mais sobre mim

foto do autor

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Sigam-me

O meu cão é um amor

Arquivo

  1. 2017
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  1. 2016
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  1. 2015
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  1. 2014
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  1. 2013
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  1. 2012
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  1. 2011
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  1. 2010
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D