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Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Coisas do nosso tempo - Com as pessoas demonstram tristeza e pesar pelos incêndios e mortes que houve nos últimos dias?

Outubro 18, 2017

Alice Alfazema

As pessoas colocam a fita negra que simboliza o luto, porque o país está de luto, na sua foto de perfil, numa qualquer rede social, mas a fotografia que exibem de si é aquela em que aparecem mais airosas e felizes, num qualquer sítio de férias.

 

 

Alice Alfazema

Conversas da escola - Almoçar fora

Outubro 17, 2017

Alice Alfazema

Um dos miúdos que almoça na escola com o escalão A, e que tem lanche dado pela escola. É um rapaz  que gosta de comer fruta e de jogar à bola e que quer ser igual a todos os outros.

 

- Sabe que ele ontem não foi almoçar no refeitório? Disse-me que tinha ido almoçar fora...almoçou com os outros fora da escola. E sabe o que ele me disse? Que comeu duas ou três batatas fritas que os outros lhe tinham dado...

 

 

Alice Alfazema

Conversas da escola - Pormenores de um dia de trabalho

Setembro 30, 2017

Alice Alfazema

Uma colega explicou-me o que lhe aconteceu um dia destes:

 

- Sabes eu estava aqui depois do intervalo, tu sabes como isto é movimentado e estou sozinha a fazer tudo...e estava aqui de cabeça baixa, quando chega uma pessoa e eu digo que estou exausta. E a pessoa diz-me: então as férias foram pequenas? Foram normais respondo eu. Mas tem poucas férias? ...Tenho as que é para ter. Estou exausta porque é muito trabalho quando saio daqui nem me sinto. A senhora ainda tem sorte, quando vai para casa não faz mais nada, agora eu ainda tenho testes para corrigir e...Diz-me lá? Achas algum jeito nisto?

 

 

 

Alice Alfazema

A geração da cabeça baixa

Setembro 18, 2017

Alice Alfazema

Enquanto a geração cabeça baixa tecla, posa, fotografa e volta a teclar fazendo chegar ao Mundo os seus mundos, faço um considerável recuo mental e dou comigo da idade deles, num tempo em que fervilhava em mim a mesma vitalidade que a borboleta deve sentir ao sair da crisálida. Em que o que queria era experimentar a embriaguez permanente que me permitia todas as audácias. Falar com raparigas, caminhar enlaçando-as pelos ombros, beija-las, acariciar os seus incríveis seios, introduzir a mão por baixo das suas saias perturbadoras e, quando a sorte me sorria, atingir realmente o fim, sentir a demasiado breve electrocussão que fazia de mim um homem e me autorizava, chegado o momento, a regressar a casa de cabeça erguida.

Por ora deixo-me com um pé no rio, um livro, dois de conversa para dentro, uma cerveja, a música no ouvido. 

 

 

Retirado do blogue Impontual.

 

 

Alice Alfazema

Para além dos livros azuis para menino e dos livros rosa para menina

Agosto 26, 2017

Alice Alfazema

 

Ilustração  Prudence Flint

 

Quando um homem me diz
Que eu sou bonita
Eu não acredito.
Ao invés disso, eu revivo os meus dias no colégio
Onde não importava o quão boa eu fosse
Eu sempre era a menina de bigode

 

Ele não sabe o que é
Crescer com a sua família materna
Quando o seu corpo é o único
Que com orgulho mostra o [cromossomo] X do seu pai
Enquanto o X da sua mãe fica de lado e sente pena
Da sua falta de atitude feminina

 

Ele não conhece a adolescente
Que encheu os seus cantos com
Consolos vazios de
Ser amada por quem ela era – algum dia.
Ele não conhece a hipocrisia.

 

Ele não sabe do mundo que
Diz para você ser ‘você mesma’
E te vende justo e adorável cartão de vergonha
Ao mesmo tempo

 

Ele não sabe da cera quente e do laser
Cujo único propósito é
Substituir a nossa pele inocente
Com a sua própria marca de feminilidade

 

Ele não sabe do descolorante
Que desenraiza o seu robusto cabelo
Em nome da higiene
Higiene que, quando seguida pelos homens,
Faz deles gays e nada masculinos.

 

Ele não sabe como domar as sobrancelhas espessas
E como as monocelhas morrem silenciosamente
Tudo para preservar a beleza
E dos torturantes milagres que acontecem
Dentro das portas marcadas com
SÓ MULHERES

 

Então quando um homem diz que eu sou bonita
Eu lhe dou um sorriso. Um sorriso que fica
Depois de tudo que as faixas arrancaram
E eu o desafio
A esperar
Até os meus pelos crescerem de novo.

 

 

 

Poema de Naina Katarina

 

 

Alice Alfazema 

 

 

Cheiro

Agosto 12, 2017

Alice Alfazema

 

Ilustração Andrea Rivola

 

Acordei com um horrível cheiro a queimado, abri a janela e lá fora havia fumo e cheiro de árvores mortas, detesto este cheiro a morte. Por todos os jornais existem notícias dos incêndios que assolam o país. Dizem que são consequência da seca severa da qual somos vitimas. Depois há os que referem que mãos criminosas divertem-se a atear fogos. E os que falam das consequências das alterações climáticas. E os que falam sobre os números da economia que beneficia disto e os outros que referem aqueles que têm perdas com isto. E há também os que reflectem sobre o que poderíamos fazer para alterar toda esta situação. Todos os anos é assim. Muito se fala, muito se escreve, nada se faz. Detesto este cheiro a morte.

 

 

Alice Alfazema

Segregação

Julho 19, 2017

Alice Alfazema

nasa.jpg

 

Numa destas tardes vi este filme, gostei muito, fala dos primórdios da NASA, de como as mulheres negras eram segregadas através da sociedade, no emprego e na forma de pensar, dá-se uma perspectiva histórica do que se vivia nos EUA,na época de 60 do século passado.

 

Podemos pensar que isto é uma atitude do passado, mas não, hoje em dia encontramos segregação social por todo o lado onde andamos, vivemos numa era moderna, mais informada, mais atenta aos problemas sociais, no entanto caminhamos a passos largos para a estupidificação humana. 

 

Se duvidas há, podemos encontrar milhares de exemplos no nosso dia-a-dia, um exemplo disso é quando vamos ao supermercado e vemos gente que pensa que tem ali uns criadozinhos porque está a pagar produtos, quem lida com o público sabe perfeitamente que tem de se distanciar psicologicamente desta praga que anda por lá. 

 

A segregação social: é o processo de dissociação mediante o qual indivíduos e grupos perdem o contacto físico e social com outros indivíduos e grupos. Essa separação ou distância social e física é oriunda de factores biológicos e sociais, como raça, riqueza, educação, religião, profissão, nacionalidade etc.

 

A segregação espacial e urbana é quando as classes sociais ficam concentradas em determinadas regiões ou bairros de uma cidade. Essa segregação ocorre em locais onde há uma grande diferença de renda entre os grupos, uns possuem todas as condições de moradia e serviços, e outros não possuem nada parecido.

 

Hoje em dia com a informação instantânea é possível a criação de notícias que nos podem levar a pensar que os pobres são culpados de serem pobres, que não se esforçaram, que não estudaram e por aí fora, entretanto são esquecidos os factores que levaram a isso, entre eles a segregação social, muitas vezes a pessoa não é admitida em determinado emprego apenas porque a sua morada é em determinado bairro, são coisas simples, mas que fazem toda a diferença. 

 

É possível também que pela função que desempenhas tenhas um maior ou menor estatuto social, daí as pessoas apenas verem a função, pensa-se então que o dinheiro ocupa inteligência, nunca se viu numa abertura de um jornal, televisivo ou outro, chamar a um político que tenha cometido crimes, de colarinho branco, de criminoso, ou de assaltante, o assaltante é sempre aquele que mexe em armas e que é violento, mesmo que as atrocidades cometidas pelos que o fazem de gravata tenham lesado mais gente, isto é segregação.

 

A manipulação da informação a favor de determinados grupos é segregação, os baixos salários são segregação, e as atitudes de discriminação também conduzem à segregação.

 

 

 

 

 

 

Alice Alfazema 

 

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