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Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Praia da Figueirinha (ao cuidado da Câmara Municipal de Setúbal)

Agosto 05, 2017

Alice Alfazema

A praia da Figueirinha fica logo ali ao lado de uma das praias mais bonitas da Europa, encontra-se aos pés da Serra da Arrábida, espreitamos para um lado e podemos ver Setúbal e Troia, do outro lado vemos a Serra e o Oceano Atlântico.

Todos os dias por ali passam muitos navios, daqueles grandes que nos fazem parecermos minúsculos, por vezes, se tivermos muita sorte podemos avistar os roazes, imensos peixes nos vêm visitar à beirinha da água. Taínhas, chopas, peixe-rei, robalos e outros tantos que não sei o nome.

 

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Nesta praia durante o Verão banham-se muitas pessoas que chegam de muito longe, há muitas crianças no areal, muita gente que vem só passear. É uma praia grande com acesso para pessoas com motricidade reduzida, tem cafezinhos de praia, o homem da bola-de-Berlim e da água de côco. Por todo o areal existem chapéus de sol de muitas cores que dão imenso colorido à praia. Quando faz vento conseguimos ver alguns a voar enquanto se ouvem gritos dos miúdos que correm atrás deles. É como se fosse um alarme para os mais distraídos. E aí é ver as pessoas a levantarem a cabeça e a esticarem o braço para agarrarem o seu guarda-sol. 

 

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Ao longo de toda a praia podemos encontrar sacos de plástico para colocarmos o nosso lixo, não é necessário andarmos muito para os encontrarmos, quando termina um dia de praia estão repletos dos mais variados objectos, desde fraldas descartáveis, a chinelos de borracha, há também embalagens de bolachas, de chocolates, de gelados, latas de refrigerantes, garrafas de água plásticas, guarda-sois esfarrapados pelo vento e pelo tempo, restos de frutas, restos de sandes, restos de bolachas, restos de restos, enfim é um mundo num só dia. É um tesouro por descobrir.

 

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Nesta praia, durante a época balnear, entram e saem por dia dezenas de pessoas, é um entra e sai de gente que mais parece o centro comercial mais in do pedaço. 

 

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Assim ao final do dia, quando o Sol se começa pôr por detrás da Serra chegam as gaivotas. E o que sabem as gaivotas sobre a praia da Figueirinha? Sabem que podem petiscar por lá. Em que restaurante? Nos muitos que por lá abundam, os sacos plásticos do lixo. Então é vê-las a debicarem o plástico até romper e a tirarem cá para fora o mundo de que vos falei ali em cima. E depois vem o vento, o tal que arranca os guarda-sois do areal, e leva para a água todo aquele lixo que conseguir, e não há quem possa pará-lo, porque a praia é agora delas e do vento. 

 

 

Na praia podemos ver uma placa da Câmara Municipal de Setúbal a alertar para não deitarmos plástico/lixo no mar, esta praia tem Bandeira Azul. Se precisarem de ideias para este problema contactem-me estou disponível e à borla para acabar com o manjar de lixo que vai todos os dias para a beira do Sado e do Atlântico, vindos dos sacos de plástico, azulinhos que se desfazem com uma simples bicada.

 

 

Alice Alfazema

Ginjas o pirata

Julho 15, 2017

Alice Alfazema

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Vivia na China um sacerdote rico e avarento. Amava jóias e as coleccionava, acrescentando constantemente novas peças ao seu maravilhoso tesouro escondido, que guardava a sete chaves, oculto de olhos que não fossem os seus.

O sacerdote tinha um amigo, que um dia o visitou e manifestou interesse em ver as jóias.

- Seria um prazer tirá-las do esconderijo, e assim eu poderia olhá-las também.

A colecção foi trazida, e os dois deleitaram os olhos com o tesouro maravilhoso por longo tempo, perdidos em admiração.

Quando chegou o momento de partir, o convidado disse:

- Obrigado por me dar o tesouro.

- Não me agradeça por uma coisa que você não recebeu - disse o sacerdote. - Como não lhe dei as jóias, elas não são suas, absolutamente.

- Como você sabe - respondeu o amigo, - senti tanto prazer admirando os tesouros quanto você, por isso não há essa diferença entre nós como pensa. Só que os gastos e o problema de encontrar, comprar e cuidar das jóias são seus.

 

 

 

 Histórias da Tradição Sufi, Edições Dervish, 1993

 

 

 

Alice Alfazema

Balanço das férias

Julho 31, 2016

Alice Alfazema

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As férias souberam-me a pouco. Resumindo: o Ginjas foi o único, o único,  que não me pediu para lhe por  protector nas costas, creme nas costas, dar-lhe uma sandes, dar-lhe fruta, dar-lhe a toalha, dar-lhe as cartas, dar-lhe outra vez fruta, dar-lhe mais pão, dar-lhe água, por outra vez protector solar, mais creme nas costas, mais água, a mochila, o telemóvel, outra vez água...viva o Ginjas! (que amanhã é dia de trabalho).

 

Alice Alfazema

A ver o mar...

Julho 27, 2016

Alice Alfazema

Branquinha, como cal, sacode-se pela areia no seu biquíni cor de rosa choque. Cuecas um numero abaixo. Enfiadas entre as margens das badanas. Óculos de sol, redondos e gigantes, pretos. Leva a mão ao chapéu de palha, que trás na cabeça, um enorme laço castanho adorna o magnifico chapéu que parece flutuar com as abas ao vento. A cintura vai e vem, quase deslocando alguma vértebra na zona lombar. Pisa a água devagarinho, levanta um joelhinho com cuidado, depois o outro, anda até a água lhe ficar pela anca, volta-se e acena com delicadeza ao amorzinho. Volta-se outra vez e segura novamente no chapéu, abas ao vento. O sal do oceano aflora-lhe a pele delicada. Aliviou-se. Caminha, então para a margem, pois sabe que a toalha a espera, desesperada naquela areia quente.

 

 

Alice Alfazema

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