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Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Coisas do nosso tempo - Assédio moral com requintes de malvadez

Novembro 14, 2017

Alice Alfazema

- Bom dia! Fala a Ó Menina, em que posso ajudar? - diz a Ó Menina com o seu melhor sorriso na voz.

- P'ra começar pode creditar-me o valor desta chamada! Acabei de falar com uma colega sua com pronuncia de preta e que era preta de certeza porque era burra e não me soube explicar. Tive que ligar outra vez, espero que não seja tão burra como ela. 

- Peço desculpa, se existiu algum mal entendido com a chamada anterior no entanto nada terá a ver com a origem da colega. Lamento o preconceito que demonstra e que não posso admitir.

- Mas admitir o quê? A senhora não está aí para admitir nada! Queres ver que a outra era burra e esta tem a mania que é importante... A senhora está aí para ouvir o que eu tenho a dizer e não tem que admitir ou deixar de admitir! E NÃO SE ATREVA A DESLIGAR ESTA CHAMADA! Eu faço queixa de si! OUVIU? Eu faço queixa de si! não se arme em burra também! Eu arranjo a metê-la na rua!

 

 

O homenzinho continuou a chamada toda neste tom, intercalando insultos a mim e à colega que lhe tinha dado a informação que repeti. Não desliguei a chamada porque se o fizesse e ele cumprisse a ameaça de reclamar iria somar um zero ao zero que levei depois o ter feito a um cliente que me insultou três vezes e que tendo recebido a cada insulto um educado aviso de 'lamento mas se não colocar uma questão relacionada com os serviços xpto vou ter que dar a chamada como concluída' se tomou de razões porque à sua reclamação a empresa lhe enviou uma carta desculpando-se pelo meu comportamento e assegurando de que foram tomadas medidas para que a situação não se repetisse, e foram. Nesse mês teria direito a 150 euros de prémio de produtividade, foram-me retirados porque desliguei a chamada a um cliente, aquele cliente. Dois zeros são motivo para despedimento por justa causa. 

 

 

As grandes empresas esquecem-se de proteger os funcionários, colocam o lucro e a aparente satisfação dos clientes à frente da dignidade dos 'colaboradores' e se quem está numa loja ou num quiosque pode ser ajudado pelo colega do lado, por um cliente mais sensível ou em último recurso chamar a policia num call center o operador está só, completamente só e sem ter quem o defenda apesar das chamadas serem gravadas. 

 

 

Texto retirado do blogue Call para as paredes!

 

 

Alice Alfazema

Valpaços 1989 - Gentes com garra!

Outubro 24, 2017

Alice Alfazema

 

A história faz-se de gente que não baixa os braços, aqui fica este texto para memória futura, como forma de homenagem a quem lutou pela terra que ama e por aquilo em que acredita. 

 

 

 

Numa tarde de domingo, largaram todos para destruir os 200 hectares de eucalipto que uma empresa de celulose andava a plantar na quinta do Ermeiro, a maior propriedade agrícola da região.

 

 

À sua espera tinham a GNR, duas centenas de agentes. Formavam uma primeira barreira com o objetivo de impedir o povo de arrancar os pés das árvores, mas eram poucos para uma revolta tão grande.

 

 

A tensão subiria de tom ao longo da tarde. «Houve ali uma altura em que pensei que as coisas podiam correr para o torto», diz agora António Morais, o cabecilha dos protestos. Havia agentes de Trás os Montes inteiros, da Régua e de Chaves, de Vila Real e Mirandela.

 

 

A guerra tinha começado a ser preparada um par de meses antes, quando António Morais, proprietário de vários hectares de olival no Lila, percebeu que uma empresa subsidiária da Soporcel se preparava para substituir 200 hectares de oliveiras por eucaliptal para a indústria do papel. «Tinham recebido fundos perdidos do Estado para reflorestar o vale sem sequer consultarem a população», revolta-se ainda, 28 anos depois.

 

 

«Nessa altura o ministério da agricultura defendia com unhas e dentes a plantação de eucalipto.» Álvaro Barreto, titular da pasta, fora anos antes presidente do conselho de administração da Soporcel e tornaria ao cargo em 1990, pouco depois das gentes de Valpaços lhe fazerem frente.

 

 

«A tese dominante dos governos de Cavaco Silva era que urgia substituir o minifúndio e a agricultura de subsistência por monoculturas mais rentáveis, era preciso rentabilizar a floresta em grande escala», diz António Morais. O eucalipto adivinhava-se uma solução fácil.

 

«Comecei a ler coisas e percebi que o eucalipto nos traria grandes problemas», continua António Morais. «Por um lado, numa região onde a água é tudo menos abundante, teríamos grandes problemas de viabilidade das outras culturas. Nomeadamente o olival, que sempre foi a riqueza deste povo. E depois havia os incêndios, que eram o diabo. São árvores altamente combustíveis e que atingem uma altura muito grande.»

 

Hoje, o Ermeiro é terra de nogueiras e amendoeiras, oliveiras e pinho. Nunca ardeu. Serafim Riem, o ambientalista da Quercus, diz que até hoje a guerra do povo de Valpaços é um marco, a maior ligação jamais vista no país entre o mundo rural e o ativismo ecológico.

 

«A única maneira de travar os incêndios em Portugal é reduzir drasticamente o eucaliptal e substituí-lo pela floresta autóctone, que não só tem melhor imunidade ao fogo como gera uma riqueza mais diversificada para as populações.»

 

Naquele 31 de março de 1989, o povo uniu-se e, diz agora, salvou-se. «Nós é que tínhamos razão», repetem uma e outra vez, repetem todos. Às seis da tarde, depois de José Oliveira ser libertado, um vale inteiro voltou pelo mesmo caminho e juntou-se no principal largo de Veiga do Lila. Mataram-se dois borregos e um leitão, abriram-se presuntos e deitaram-se alheiras à brasa, houve até quem trouxesse uma pipa de vinho. A festa durou noite dentro e foi maior do que qualquer romaria de Santa Bárbara.

 

 

 Texto de Ricardo J. Rodrigues | Fotografia de Rui Oliveira / Global Imagens

 

 

Retirado de Notícias Magazine, clique para ver o artigo completo.

 

 

 

 

Alice Alfazema 

 

Cheiro

Agosto 12, 2017

Alice Alfazema

 

Ilustração Andrea Rivola

 

Acordei com um horrível cheiro a queimado, abri a janela e lá fora havia fumo e cheiro de árvores mortas, detesto este cheiro a morte. Por todos os jornais existem notícias dos incêndios que assolam o país. Dizem que são consequência da seca severa da qual somos vitimas. Depois há os que referem que mãos criminosas divertem-se a atear fogos. E os que falam das consequências das alterações climáticas. E os que falam sobre os números da economia que beneficia disto e os outros que referem aqueles que têm perdas com isto. E há também os que reflectem sobre o que poderíamos fazer para alterar toda esta situação. Todos os anos é assim. Muito se fala, muito se escreve, nada se faz. Detesto este cheiro a morte.

 

 

Alice Alfazema

Ora vamos lá falar das bolsas concedidas aos alunos do ensino superior...

Julho 21, 2017

Alice Alfazema

Conhecerão vocês alguns alunos que recebem bolsa, vulgo dinheiro concedido através da inscrição no programa de acesso a bolsas que o Estado português dá a quem demonstre que não reúne as condições monetárias para prosseguir os seus estudos e precisa de uma ajudazinha.

 

 

O pessoal preenche a papelada, dá os números necessários e tal e tal, e vai daí recebe o dinheirinho para pagar as propinas e a residencial que é outro privilégio de um bolseiro. Até aqui tudo bem, devemos proteger e incentivar os mais desfavorecidos, mas depois acontecem milagres e aparecem bolseiros, aqueles que têm sempre direito ao quarto na residencial e os tais que não reúnem as condições monetárias para pagar as propinas, apresentam-se junto dos outros, os que "os pais ganham muito" e podem pagar as propinas e o alojamento e os transportes públicos e a comida trazida de casa, pois esses meninos e meninas apresentam-se em carros nada baratos, que conduzem diariamente, têm computadores topo de gama, talvez comprados no OLX, e telemóveis daqueles que são mais caros que o ordenado mínimo nacional. Muitos dirão: os culpados são os ciganos. 

 

Poderá haver várias hipóteses para que isto aconteça:

 

1) O carro foi ganho num concurso televisivo.

2) O telemóvel foi-lhes oferecido por um sem-abrigo

3) Enganaram-se a preencher os papéis

4) Outros motivos

 

Quem quiser desenvolver o texto esteja à vontade e utilize a caixa de comentários. Não se esqueça de marcar a sua resposta favorita. O resultado do estudo será revelado dentro de vinte anos.

 

 

Alice Alfazema

Ao pessoal da saúde

Julho 16, 2017

Alice Alfazema

 

 

“Duas pessoas do mesmo sexo não podem amar-se?”: “Ouçam, é uma coisa simples: o mundo tinha acabado. Para que o mundo exista tem de haver homens e mulheres. Trato-os como a qualquer doente e estou-me nas tintas se são isto ou aquilo... Não vou tratar mal uma pessoa porque é homossexual, mas não aceito promovê-la. Se me perguntam se é correto? Acho que não. É uma anomalia, é um desvio da personalidade. Como os sadomasoquistas ou as pessoas que se mutilam”.

 

Médico, Gentil Martins

 

 

Pelos vistos há uma serie de gente ligada à saúde que quer processar o médico Gentil Martins por estas declarações que proferiu numa entrevista. 

 

A mim parece-me, e volto a escrever, parece-me que mais valia irem visitar uns asilos, vulgo residências seniores, lares de terceira idade, o que lhes quiserem chamar, e aí depois poderiam voltar a pensar se realmente valeria a pena processarem este homem, ou se deveriam relevar. Mas isto digo eu, façam o que quiserem, inclusive psiquiatras. 

 

 

Alice Alfazema

Micro contos - Naquela casa

Junho 22, 2017

Alice Alfazema

casa.jpg

 

 

Era uma vez uma casa, quem morava lá era muito feliz, sorriam muitas vezes durante o dia, tiravam muitas fotografias e estavam sempre atentos às noticias do momento. Todos os que moravam naquela casa tinham opinião sobre todos os assuntos, eram convictos naquilo que diziam, verdadeiros, activos nas mensagens de partilha. Havia o mundo deles e o mundo dos outros. O mundo deles era aquela casa. 

 

 

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