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Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Ora vamos lá falar das bolsas concedidas aos alunos do ensino superior...

Conhecerão vocês alguns alunos que recebem bolsa, vulgo dinheiro concedido através da inscrição no programa de acesso a bolsas que o Estado português dá a quem demonstre que não reúne as condições monetárias para prosseguir os seus estudos e precisa de uma ajudazinha.

 

 

O pessoal preenche a papelada, dá os números necessários e tal e tal, e vai daí recebe o dinheirinho para pagar as propinas e a residencial que é outro privilégio de um bolseiro. Até aqui tudo bem, devemos proteger e incentivar os mais desfavorecidos, mas depois acontecem milagres e aparecem bolseiros, aqueles que têm sempre direito ao quarto na residencial e os tais que não reúnem as condições monetárias para pagar as propinas, apresentam-se junto dos outros, os que "os pais ganham muito" e podem pagar as propinas e o alojamento e os transportes públicos e a comida trazida de casa, pois esses meninos e meninas apresentam-se em carros nada baratos, que conduzem diariamente, têm computadores topo de gama, talvez comprados no OLX, e telemóveis daqueles que são mais caros que o ordenado mínimo nacional. Muitos dirão: os culpados são os ciganos. 

 

Poderá haver várias hipóteses para que isto aconteça:

 

1) O carro foi ganho num concurso televisivo.

2) O telemóvel foi-lhes oferecido por um sem-abrigo

3) Enganaram-se a preencher os papéis

4) Outros motivos

 

Quem quiser desenvolver o texto esteja à vontade e utilize a caixa de comentários. Não se esqueça de marcar a sua resposta favorita. O resultado do estudo será revelado dentro de vinte anos.

 

 

Alice Alfazema

Ao pessoal da saúde

 

 

“Duas pessoas do mesmo sexo não podem amar-se?”: “Ouçam, é uma coisa simples: o mundo tinha acabado. Para que o mundo exista tem de haver homens e mulheres. Trato-os como a qualquer doente e estou-me nas tintas se são isto ou aquilo... Não vou tratar mal uma pessoa porque é homossexual, mas não aceito promovê-la. Se me perguntam se é correto? Acho que não. É uma anomalia, é um desvio da personalidade. Como os sadomasoquistas ou as pessoas que se mutilam”.

 

Médico, Gentil Martins

 

 

Pelos vistos há uma serie de gente ligada à saúde que quer processar o médico Gentil Martins por estas declarações que proferiu numa entrevista. 

 

A mim parece-me, e volto a escrever, parece-me que mais valia irem visitar uns asilos, vulgo residências seniores, lares de terceira idade, o que lhes quiserem chamar, e aí depois poderiam voltar a pensar se realmente valeria a pena processarem este homem, ou se deveriam relevar. Mas isto digo eu, façam o que quiserem, inclusive psiquiatras. 

 

 

Alice Alfazema

Micro contos - Naquela casa

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Era uma vez uma casa, quem morava lá era muito feliz, sorriam muitas vezes durante o dia, tiravam muitas fotografias e estavam sempre atentos às noticias do momento. Todos os que moravam naquela casa tinham opinião sobre todos os assuntos, eram convictos naquilo que diziam, verdadeiros, activos nas mensagens de partilha. Havia o mundo deles e o mundo dos outros. O mundo deles era aquela casa. 

 

 

Alice Alfazema

Há festa no castelo

Era uma vez um castelo muito vaidoso e sábio, as suas paredes eram muito velhas e tinham resistido a muitas intempéries, nelas cresciam as heras e os pássaros faziam ninhos. Esse castelo via dois rios e um oceano, era conhecido por ser um bom vigilante, amava as serras que o ladeavam e os rios que via ao longe. Por vezes ficava pensativo a olhar o oceano, tinha curiosidade em saber o que se passava para lá daquela massa enorme de água. 

 

 

castelo1.JPG

 

 

Um dia resolveu que havia de dar uma grande festa. Chamou o Sol e a Lua através de uma estrela e convidou-os, disse-lhes que eles seriam os convidados mais importantes daquela festa, pois só eles seriam capazes emanar a luz ao espectáculo que pretendia dar a conhecer. 

 

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Quando chegou o dia da grande festa Setúbal vestiu-se de neblina espelhada e acenou ao velho castelo, encantada por ser a sua eterna menina de olhos verdes mesclados de azul clarinho, ela sabia que o coração dele era de outra, a Palmela, mas nunca lhe resistia  a piscar um olho, talvez um dia ele mudasse de ideias. 

 

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Foram muitos os convidados, cada um iria apresentar aquilo que mais gostasse de fazer ou o que tivesse de melhor. Todos se vestiram a rigor, as paredes estavam airosas, apresentavam as erosões do tempo que tinha passado por elas. Maravilhosos líquenes mostravam as suas cores com grande orgulho.

 

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As papoilas vestiram-se de um vermelho-sangue para lembrar as lutas que tinham havido dentro daquelas ameias. E dançavam ao vento, sorrindo, sorrindo.

 

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E veio um peneireiro e fez um belo voo picado sobre as brisas que vinham da serra e do mar.

 

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Depois o corvo também dançou, foi uma dança elegante e serena, com fato de cetim.

 

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Lá muito em cima uma águia pairava, mostrando as suas asas em sintonia com o vento, fez círculos maravilhosos e acenou ao velho castelo dizendo-lhe que o amava.

 

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E vieram as ginjas, meio envergonhadas por terem ainda pouca cor, tinham um sombra alegre e dançaram perto do arco de pedra.

 

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E o aloé enfeitou uma das entradas, sereno e majestoso, dava as boas-vindas a quem chegava. 

 

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Nos muros também havia dança, os dentes-de-leão estavam à espera do rei sol para poderem abrir em todo o seu esplendor.

 

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E as giestas amarelas dançavam com abelhões, fazendo um zum-zum maravilhoso, numa valsa inesquecível.

 

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Do outro lado as andorinhas dançavam com Lisboa como cenário, num bailado frenético de alegria e movimento.

 

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Ainda hoje a grande festa continua, venham daí estão todos convidados a dar o seu melhor.

 

 

 

 

Alice Alfazema

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