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Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Um detalhe importante

Novembro 01, 2017

Alice Alfazema

 

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Nós estamos acostumados a ligar a palavra morte apenas à ausência de vida e isso é um erro. Ao contrário, existem muitos outros tipos de morte, e se faz necessário morrer todo dia um pouco. Caso isso não aconteça, ficamos estacionados, parados num ponto, enquanto o restante do universo continua caminhando, mesmo que lentamente.

A morte é ainda mais do que uma passagem, é a indicação de transformação.
 

 



Se a semente não morrer, para dar lugar a árvore, os frutos e as flores não existiriam. 

E o que é mais importante, e que mostra o real sentido da criação? A semente, ou os frutos advindos dela?
Para que um embrião inicie sua jornada, é necessária a morte do espermatozóide e do óvulo fecundado por ele. Caso eles não morressem, o embrião não teria a possibilidade de ser gerado.
 

 

 



Para que as borboletas surjam, é necessário que a lagarta se enclausure e morra, no sentido da transformação.

A morte simboliza o ponto inicial de algo que surge, como se fosse um portal que liga o passado ao futuro. E o que está entre o passado e o futuro é o nosso presente. 

Assim, nesse sentido, a morte é um presente. Não é fantástico?
 

 



Quando ainda bebés, morremos para o embrião dependente, que morre para a criança inocente, que morre para o confuso adolescente, que morre para o jovem adulto, que certamente morre para que o adulto, o veterano e o ancião reapareçam.

E o ancião, no fantástico jogo da vida, dá seu lugar ao novo, partindo em direcção às estrelas, deixando de vez o seu veículo estacionado aqui nesse planeta.
 

 



Pensando assim, devemos deixar morrer o inseguro, o ciumento, o ignorante, para que nasça um novo homem, que sabe compartilhar, de forma inteligente, seus sentimentos mais puros e subtis.

Seu relacionamento não anda bem? 

Dê chance para que um novo surja, mesmo que seja com as mesmas pilastras, mas de uma forma mais interessante.

Para que insistir no comodismo? 

Mate-o, e seja feliz!
 

 



Se tivermos medo das mortes em nossa vida, corremos o risco de ficar no passado, já sabido e vivido, abrindo mão de um futuro que nos aguarda, ansioso, próspero, e cheio de caminhos a percorrer. E com um detalhe importante: novos caminhos, novos desafios e novas oportunidades!

É necessário, todavia, que não matemos nossas virtudes de crianças (inocência, sorriso nos lábios, criatividade e energia), mas como adultos, devemos matar os vícios da infantilidade (ou melhor dizendo, imaturidades).
 

 



É aí que está a grande sacada: devemos aproveitar aquilo que cada fase nos oferece de bom, para que sejamos completamente felizes e actualizados, descartando os lixos que já não nos servem mais, as muletas e as desculpas.

Então, o que você está esperando para matar o antigo, em si mesmo, ainda hoje, para que nasça o ser que você tanto deseja ser? 

Pense nisso, e morra... E se transforme.

Mas, não esqueça de nascer melhor ainda...


 
 
 
 
Fernando Golfar
 
 
 

 

 

 
 
 
 
Alice Alfazema

Voar através dos pensamentos? - um super-poder

Agosto 15, 2016

Alice Alfazema

 

Ilustração  Cally Johnson-Isaacs

 

 

Estamos fartos das palavras? Estamos fartos de tudo? Talvez. Uns mais, outros menos. No entanto, ouvi alguém dizer que semeia flores na montanha, e diz com calma que alguém precisa de fazer esse trabalho. Há também quem reze, são pessoas que semeiam coisas boas. Isso é bom. Muito bom. Deixo-vos aqui umas palavras escritas pela minha filha, num dos textos que realizou para a disciplina de português.

 

Amor, o que será este amor que tanto nos transforma, que tanto nos muda.

 

Na minha opinião o amor é uma magia a que só alguns têm direito, o que quero dizer, é que todos temos amor dentro de nós, mas nem todos têm a sorte de poder dar esse amor.

 

Contudo, cada pessoa que usufrui desta magia transforma-se, mas transforma-se para melhor, fica mais sensível, carinhosa e passa a ajudar os outros, porque se sente amada e especial. E ao sentir-se amada, significa que é feliz, com isto é como se a pessoa pudesse fazer tudo, pois consegue voar através dos pensamentos, fazer os outros sorrir e começa a pensar de outra maneira, uma maneira carinhosa e especial. Por isso, considero que a magia do amor é como um super-poder que só acaba quando esta pessoa decidir que já não o quer mais.

 

Concluindo, todos deviam ser transformados pelo amor, pois com este sentimo-nos diferentes, sentimo-nos melhores, mas principalmente, sentimo-nos amados.

 

Escrito algures em 2016.

 

 

Alice Alfazema

O aqui e o agora

Junho 29, 2016

Alice Alfazema

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Esta manhã foi a mais bela de todas as manhãs. Cheia de ti. Do teu brilho, do teu cheiro, do teu sorriso igual ao das maçãs. Ainda tenho nos meus olhos o brilho dos teus olhos. Nunca, como hoje, desejei estar contigo numa ilha. Uma ilha deserta, mas cheia de nós. E à tua pergunta natural: "o que é que estamos aqui a fazer?", eu responderia também naturalmente: "se cá estamos, é porque fazemos cá falta!".

 

 

Joaquim Pessoa, in  Ano comum

 

 

 

Alice Alfazema

 

 

 

 

Escrita

Junho 26, 2016

Alice Alfazema

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Encontrei estas velhas palavras, escritas por mim num caderno que foi abandonado, já as escrevi no blogue, há tanto tempo, agora apetece-me escrevê-las de novo aqui, de uma outra forma, mas com o mesmo sentido, porque há coisas que não são perecíveis. 

 

 

Há momentos que se pressentem e que não são perecíveis,

que rumam sem tempo,

dentro do nosso espaço...

servem de reflexão,

de exemplo,

de alento.

Sempre que encontro um desses momentos,

guardo-os,

e quando quero voltar a vivê-los dou-lhes cor,

e eles permanecem assim: intactos e tão apetecíveis de viver novamente.

 

 

Alice Alfazema

 

 

Como vai o mundo?

Maio 30, 2016

Alice Alfazema

 

Ilustração  Lora Zombie

 

 

Vejamos como vai o mundo. Este vasto mundo que baila tão alegremente. Talvez não tanto quanto isso. Os jornais cansam. As notícias cansam. O mundo cansa. O mundo cansa porque está cansado.

 

Conto, Nuvens, de António Tabucchi

 

 

Alice Alfazema

Palavras

Dezembro 15, 2015

Alice Alfazema

 

As palavras ficam assim
Dentro de mim
Arranhando minhas portas
Da Percepção.
As palavras,
Soltas no não,
No desprazer,
Quase mortas,
Me afogam,
Me engasgam,
Me dão prazer,
Me desiludem.
As palavras me iludem,
Saem de mim
Jorrando ou lentamente
Como se eu não fosse delas a dona
Como se não me pertencessem,
Como seu eu não lhes houvera arranjado a sala de estar,
A sala de visitas.
As palavras saem de mim, assim,
como se viessem egressas da visita
De um velho dicionário
De páginas dobradas, encardidas, tomadas pela traça.
Desgastadas pelo tempo.
As palavras saem de mim
Quentes, como vento de verão
Mornas e sem razão.
Pulsantes, eloqüentes, mórbidas
Sórdidas, equalizadas
Tímidas, esquálidas,
simples eruditas, fáceis e fugidias
Esguias Verdades do meu coração.

 

 

 

  Tânia Machado

 

 

 

Alice Alfazema

 

 

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