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Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Micro contos - A mulher que faz milagres

Novembro 07, 2017

Alice Alfazema

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A mulher pegou na folhinha e pô-la cuidadosamente num copo com água. Esperou que a pequena folha criasse raiz. Passaram dias até que do caule despontaram as pequenas raízes finas e brancas. A mulher deixou que crescessem e mudou a água quando achou que era necessário. Num dia resolveu que havia de lança-la à terra e colocou-a num vaso pequenino e aconchegante, protegeu-a do vento e do frio, deu-lhe sol, adubou-a, mexeu-lhe a terra como fazem as minhocas. E ela cresceu, cresceu e deu flor. A mulher fez um milagre. E a flor deu-lhe um sorriso. 

 

 

Alice Alfazema

Será este um quadro do Ginjolas?

Novembro 04, 2017

Alice Alfazema

 

 

Artur Bordalo, nascido em Lisboa em 1987, pinta na rua desde jovem e assina a sua arte como Bordalo II.

 

A escolha dos animais é “uma forma de fazer retratos da natureza, uma composição das vítimas com aquilo que as destrói”.

 

“Podia fazer rostos humanos, mas a parte humana já está presente neste trabalho a tempo inteiro, por ser criada por um humano e porque todo este material que utilizamos já é humano. Todo este lixo é nosso, não é da Natureza”

 

Bordalo II

 

Para ler mais e saber onde é a exposição clique aqui.

Viajar nas asas do sonho

Setembro 26, 2017

Alice Alfazema

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Se a alma tem sonhos e sonhos têm asas

Precisam voar,

Como um pássaro comum ou um albatroz

Depende de nós, soltamos a voz num canto de amor.

 

Se desprender do tempo, ser em qualquer tempo

O que bem quiser,

Demarcar espaços, se perder no espaço

Ofertar abraços, de ternura e fé.

 

Ruflar asas sobre sóis em brasa, se derramar em cascatas,

Beber o verdor das matas,

Descansar sobre os rochedos

Sem medo da imensidão.

Pois quem nasceu pra voar,

Não pode ficar no chão.

 

 

Poema de Jurema Chaves

Alice Alfazema

E se a Mãe Terra falasse connosco o que nos diria?

Setembro 09, 2017

Alice Alfazema

 

Ilustração  Christian Koh-Kisung Koh

 

Somos filhos da Terra, por algum motivo voltamos ao pó.

 

Dizem os entendidos que fazemos parte do mesmo material que compõem as estrelas. Habitamos um planeta lindo, mas procuramos outros mundos para sobreviver. O nosso corpo tem pouco tempo de vida, mas julgamo-nos eternos.

 

De todos os animais que habitam este maravilhoso mundo somos aqueles que menos respeitam a sua origem, senão o único. Comemos mais do que precisamos para viver, temos muita pele para vestir, fazemos montanhas de lixo, muitos nem sabem distinguir o necessário do desnecessário.

 

Valorizamos muito uma marca de vestuário, ou de uma outra porcaria qualquer, e há quem pague milhares em dinheiro para tê-la, entretanto não olhamos para um céu azul como uma preciosidade. Não vemos as árvores como uma obra de arte. Ou o canto de um pássaro como uma prova de liberdade. Comercializamos a liberdade dos outros em lojas, os outros são os chamados animais irracionais.

 

Somos também compostos por água, muita água, e sem ela não somos nada. No entanto as marés vão e vêm sem que haja grande admiração por isso. O plástico alastra nas nossas águas e também em nós, pois já entrou na cadeia alimentar de algumas espécies. Estamos poluídos. Na mente e no corpo.

 

Vemos imagens de furacões nas televisões ou em qualquer outro aparelho tecnológico, dizem os relatos que estes fenómenos nunca antes foram vistos em tal dimensão, ninguém sabe ao certo, no entanto dizem por dizer. Entretanto mostram as imagens de destruição como se fosse um espectáculo de drama, porque há mortos, quantos são? Como morreram? Há uma curiosidade mórbida em saber como se morre que vende, vende, vende, mas quem são os mortos? Quantos animais morreram para além dos humanos? Ou  a morte é só uma coisa humana? E o sofrimento também é um sentimento apenas humano?

 

 

Se a Mãe Terra falasse connosco certamente diria que somos umas bestas porcas e mal-agradecidas. 

 

 

Alice Alfazema

 

 

Lua cheia

Setembro 07, 2017

Alice Alfazema

 Ilustração Simone Rea

 

 

Quando o céu todo se enfeita.
Para uma paz satisfeita
E o mundo inteiro se deita
Nos braços da escuridão,
Aparece a lua cheia,
A fulgurante candeia
Que pelo espaço vagueia,
Clareando a imensidão!

 



Sutil e cariciosa,
Dentro da nuvem garbosa,
Ela se eleva ditosa,
Num soberbo alumbramento!
É o espelho da beleza,
Refletindo a natureza,
No seu trono de princesa
Do salão do firmamento!

 



O céu – lindos alabastros!
Vive marcado de rastros
Da enamorada dos astros
E poetisa do azul!
Quando ela passa sombria,
Distribuindo alegria
E recitando poesia
Para o Cruzeiro do Sul!

 

 


E na sua claridade
Que há tanta serenidade,
Existe a sublimidade
Da transparência de um véu...
A lua que algo retrata,
Jogando luz sobre a mata,
Parece um olho de prata
No rosto imenso do céu!


 

 

Jansen Filho

 

 

 

Alice Alfazema

O que tens tu de relevante para dizeres a um jovem que está na adolescência ou que acabou de sair dela?

Julho 12, 2017

Alice Alfazema

Ilustração  Redmer Hoekstra

 

 

... e não sabia ler nem que os poemas eram escritos...?


Não, não imaginava que os poemas fossem feitos por uma pessoa. Pensava que existiam por si próprios e o que era preciso era estar com muita atenção. 

 

 

A vida também é feita por pessoas, não existe por si própria tens que ser o teu próprio autor, todos os dias. E a vida inclui tudo ao teu redor, não apenas um corpo, mas o que respiras, o que vês, o que sentes, e o que queres deixar depois de desapareceres dessa carne e desses ossos.

 

E tu que dirias?

 

Alice Alfazema

 

Há festa no castelo

Maio 21, 2017

Alice Alfazema

Era uma vez um castelo muito vaidoso e sábio, as suas paredes eram muito velhas e tinham resistido a muitas intempéries, nelas cresciam as heras e os pássaros faziam ninhos. Esse castelo via dois rios e um oceano, era conhecido por ser um bom vigilante, amava as serras que o ladeavam e os rios que via ao longe. Por vezes ficava pensativo a olhar o oceano, tinha curiosidade em saber o que se passava para lá daquela massa enorme de água. 

 

 

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Um dia resolveu que havia de dar uma grande festa. Chamou o Sol e a Lua através de uma estrela e convidou-os, disse-lhes que eles seriam os convidados mais importantes daquela festa, pois só eles seriam capazes emanar a luz ao espectáculo que pretendia dar a conhecer. 

 

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Quando chegou o dia da grande festa Setúbal vestiu-se de neblina espelhada e acenou ao velho castelo, encantada por ser a sua eterna menina de olhos verdes mesclados de azul clarinho, ela sabia que o coração dele era de outra, a Palmela, mas nunca lhe resistia  a piscar um olho, talvez um dia ele mudasse de ideias. 

 

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Foram muitos os convidados, cada um iria apresentar aquilo que mais gostasse de fazer ou o que tivesse de melhor. Todos se vestiram a rigor, as paredes estavam airosas, apresentavam as erosões do tempo que tinha passado por elas. Maravilhosos líquenes mostravam as suas cores com grande orgulho.

 

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As papoilas vestiram-se de um vermelho-sangue para lembrar as lutas que tinham havido dentro daquelas ameias. E dançavam ao vento, sorrindo, sorrindo.

 

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E veio um peneireiro e fez um belo voo picado sobre as brisas que vinham da serra e do mar.

 

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Depois o corvo também dançou, foi uma dança elegante e serena, com fato de cetim.

 

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Lá muito em cima uma águia pairava, mostrando as suas asas em sintonia com o vento, fez círculos maravilhosos e acenou ao velho castelo dizendo-lhe que o amava.

 

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E vieram as ginjas, meio envergonhadas por terem ainda pouca cor, tinham um sombra alegre e dançaram perto do arco de pedra.

 

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E o aloé enfeitou uma das entradas, sereno e majestoso, dava as boas-vindas a quem chegava. 

 

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Nos muros também havia dança, os dentes-de-leão estavam à espera do rei sol para poderem abrir em todo o seu esplendor.

 

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E as giestas amarelas dançavam com abelhões, fazendo um zum-zum maravilhoso, numa valsa inesquecível.

 

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Do outro lado as andorinhas dançavam com Lisboa como cenário, num bailado frenético de alegria e movimento.

 

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Ainda hoje a grande festa continua, venham daí estão todos convidados a dar o seu melhor.

 

 

 

 

Alice Alfazema

Onde estou, para onde vou?

Abril 22, 2017

Alice Alfazema

Onde moras?

Aqui.

 

 

Onde fica isso?

Neste planeta.

 

 

Como se chama esse planeta?

Terra.

 

 

É bonito o teu planeta?

É.

 

 

Qual é a cor predominante no teu planeta?

Azul.

 

 

O teu planeta gosta de ti?

Sim.

 

 

Porque dizes isso?

Ele oferece-me a oportunidade de vida.

 

 

Eu sou a terra, eu sou a vida.
Do meu barro primeiro veio o homem.
De mim veio a mulher e veio o amor.
Veio a árvore, veio a fonte.
Vem o fruto e vem a flor.

 

 

 

Eu sou a fonte original de toda vida.
Sou o chão que se prende à tua casa.
Sou a telha da coberta de teu lar.
A mina constante de teu poço.
Sou a espiga generosa de teu gado
e certeza tranqüila ao teu esforço.

 

 

E um dia bem distante
a mim tu voltarás.
E no canteiro materno de meu seio
tranqüilo dormirás.

 

Poema de Cora Coralina

 

 

 

Alice Alfazema

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