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Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

O que tens tu de relevante para dizeres a um jovem que está na adolescência ou que acabou de sair dela?

Ilustração  Redmer Hoekstra

 

 

... e não sabia ler nem que os poemas eram escritos...?


Não, não imaginava que os poemas fossem feitos por uma pessoa. Pensava que existiam por si próprios e o que era preciso era estar com muita atenção. 

 

 

A vida também é feita por pessoas, não existe por si própria tens que ser o teu próprio autor, todos os dias. E a vida inclui tudo ao teu redor, não apenas um corpo, mas o que respiras, o que vês, o que sentes, e o que queres deixar depois de desapareceres dessa carne e desses ossos.

 

E tu que dirias?

 

Alice Alfazema

 

Há festa no castelo

Era uma vez um castelo muito vaidoso e sábio, as suas paredes eram muito velhas e tinham resistido a muitas intempéries, nelas cresciam as heras e os pássaros faziam ninhos. Esse castelo via dois rios e um oceano, era conhecido por ser um bom vigilante, amava as serras que o ladeavam e os rios que via ao longe. Por vezes ficava pensativo a olhar o oceano, tinha curiosidade em saber o que se passava para lá daquela massa enorme de água. 

 

 

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Um dia resolveu que havia de dar uma grande festa. Chamou o Sol e a Lua através de uma estrela e convidou-os, disse-lhes que eles seriam os convidados mais importantes daquela festa, pois só eles seriam capazes emanar a luz ao espectáculo que pretendia dar a conhecer. 

 

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Quando chegou o dia da grande festa Setúbal vestiu-se de neblina espelhada e acenou ao velho castelo, encantada por ser a sua eterna menina de olhos verdes mesclados de azul clarinho, ela sabia que o coração dele era de outra, a Palmela, mas nunca lhe resistia  a piscar um olho, talvez um dia ele mudasse de ideias. 

 

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Foram muitos os convidados, cada um iria apresentar aquilo que mais gostasse de fazer ou o que tivesse de melhor. Todos se vestiram a rigor, as paredes estavam airosas, apresentavam as erosões do tempo que tinha passado por elas. Maravilhosos líquenes mostravam as suas cores com grande orgulho.

 

torre.JPG

 

As papoilas vestiram-se de um vermelho-sangue para lembrar as lutas que tinham havido dentro daquelas ameias. E dançavam ao vento, sorrindo, sorrindo.

 

papoila.JPG

 

E veio um peneireiro e fez um belo voo picado sobre as brisas que vinham da serra e do mar.

 

peneireiro.JPG

 

Depois o corvo também dançou, foi uma dança elegante e serena, com fato de cetim.

 

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Lá muito em cima uma águia pairava, mostrando as suas asas em sintonia com o vento, fez círculos maravilhosos e acenou ao velho castelo dizendo-lhe que o amava.

 

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E vieram as ginjas, meio envergonhadas por terem ainda pouca cor, tinham um sombra alegre e dançaram perto do arco de pedra.

 

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E o aloé enfeitou uma das entradas, sereno e majestoso, dava as boas-vindas a quem chegava. 

 

aloé.JPG

 

 

Nos muros também havia dança, os dentes-de-leão estavam à espera do rei sol para poderem abrir em todo o seu esplendor.

 

dente de leão.JPG

 

E as giestas amarelas dançavam com abelhões, fazendo um zum-zum maravilhoso, numa valsa inesquecível.

 

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Do outro lado as andorinhas dançavam com Lisboa como cenário, num bailado frenético de alegria e movimento.

 

andorinhas.JPG

 

Ainda hoje a grande festa continua, venham daí estão todos convidados a dar o seu melhor.

 

 

 

 

Alice Alfazema

Onde estou, para onde vou?

Onde moras?

Aqui.

 

 

Onde fica isso?

Neste planeta.

 

 

Como se chama esse planeta?

Terra.

 

 

É bonito o teu planeta?

É.

 

 

Qual é a cor predominante no teu planeta?

Azul.

 

 

O teu planeta gosta de ti?

Sim.

 

 

Porque dizes isso?

Ele oferece-me a oportunidade de vida.

 

 

Eu sou a terra, eu sou a vida.
Do meu barro primeiro veio o homem.
De mim veio a mulher e veio o amor.
Veio a árvore, veio a fonte.
Vem o fruto e vem a flor.

 

 

 

Eu sou a fonte original de toda vida.
Sou o chão que se prende à tua casa.
Sou a telha da coberta de teu lar.
A mina constante de teu poço.
Sou a espiga generosa de teu gado
e certeza tranqüila ao teu esforço.

 

 

E um dia bem distante
a mim tu voltarás.
E no canteiro materno de meu seio
tranqüilo dormirás.

 

Poema de Cora Coralina

 

 

 

Alice Alfazema

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No cabeçalho, pintura de Hiroe Sasaki.

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