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Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Vidas

Dezembro 26, 2016

Alice Alfazema


lustração  Hülya Özdemir

 

Ontem foi dia de Natal, hoje é dia de restos, restos de cansaço, de azias, de lembranças, de comidas...hoje vi a notícia da morte de George Michael, um cantor cujas músicas fizeram parte da minha juventude. Cinquenta e três anos. Foi-se. O que mais temos de certo na vida é a morte, entretanto reagíamos quase sempre com surpresa à notícia da morte de alguém. Quando esse alguém nos é conhecido e fez parte do nosso percurso de vida faz-nos lembrar que um dia seremos nós e de como este mundo é efémero. Muitas vezes esse pensamento não dura mais que um dia. No entanto se tivéssemos sempre presente a figura da morte viveríamos mais a vida. Não deixaríamos vontades de lado, nem abraços por dar, pensaríamos mais em emoções e menos em símbolos. 

 

Há vidas que são curtas mas cheias e há vidas longas mas vazias de conteúdo. Há quem pense na vida quando ela está no fim, há quem não pense nela, há quem viva a vida dia-a-dia, há quem viva a longo prazo, há quem viva descontente, há quem queira outra vida, há quem seja obrigado a viver e há quem não queira viver.

 

Viver é estar dentro do mundo como quem faz parte de uma equipa, tens de gostar da tua equipa, tens de sentir o sentido da vida, tens de reconhecer o teu avesso, tens de ter plena consciência de que a morte faz parte da vida.  

 

 

Alice Alfazema

Depois

Janeiro 09, 2016

Alice Alfazema

dente de leão

 

 

Quando temos alguém de quem gostamos e com quem conversamos muitas vezes, e que ao fazê-lo nos traz alívio, ou abertura de espírito é muito bom.

 

Quando esse alguém desaparece, desta dimensão, fica um vazio difícil de preencher. Ficam os objectos, os móveis, os sofás, as roupas, os livros, a casa inteira parada no tempo. As palavras não se ouvem. Querem-se mas não existem. Que histórias ficaram por contar? Há um silêncio que nos confunde. Tudo à volta está quieto. Os cheiros ainda continuam, talvez mais um tempo.

 

Todas as pessoas deviam deixar palavras escritas. Coisas necessárias para encher o vazio. Recados. Histórias. Frases de ânimo. Declarações de amor ou de amizade. Poemas. Ralhetes...

 

Porque as outras coisas são inanimadas, só a escrita, depois da ida, desperta a volta ao lugar do coração.

 

 

Alice Alfazema

Ida

Fevereiro 09, 2014

Alice Alfazema

As pessoas partem, numa viagem só de ida, vão sem quererem ir e os que ficam arrependem-se de não terem partilhado mais, de não terem abraçado mais, de  não terem vivido mais. E a vida é breve e frágil, quando nos damos conta disso é tarde. Não escolhe idade, nem dia de semana, nem dia de sol ou de vento. Perdemos. Pensamos que há prazos estabelecidos, não é hoje deixo para amanhã, revolvem-se desculpas e adiamentos, mas ela vem. Não consegues vê-la, mas sabes que ela tem um bilhete de ida, que nunca te trará de volta. A Natureza das Coisas leva-te daqui para fora, deixa-te a pensar, murmura-te ao ouvido que o tempo passa, que ele é brusco de sentimentos e de escolhas, nunca esqueças esse murmúrio, pois é ele que te oferece a vida, é por aí que a vida corre, deixa essa ida vagar por aí, esquecer-se de ti, como tu te esqueces dela.

 

Alice Alfazema

Praxe no Meco

Janeiro 19, 2014

Alice Alfazema

 

Seis jovens morreram em Dezembro passado, entretanto, muitas cerimónias se fizeram depois disso. As capas levaram mas o silêncio ficou. A testemunha está calada, dizem nos jornais que há um pacto de silêncio entre os estudantes. Mas haverá silêncios que justifiquem a morte? Haverá praxes que dignifiquem a vida?

 

Alice Alfazema

Uma pergunta por dia: Porque se elogiam tanto as pessoas depois de morrerem?

Setembro 24, 2013

Alice Alfazema

Elogiam-se os poetas e os não poetas depois de mortos. Como se os elogios desculpassem a inércia que lhe ofereceram em vida. Dizem-se coisas que nunca se disseram. Inventam-se temas e mais temas, como se aquela vida tivesse tido apenas um sopro. Hipocrisia.






Uma pergunta por dia até ao final do ano, quem quiser responder esteja à vontade.


Alice Alfazema

Ausências

Agosto 29, 2013

Alice Alfazema

Mais um bombeiro morreu, neste verão de 2013, desta vez uma mulher, com apenas vinte e um anos. Todos os anos a história dos incendiários e dos incêndios se repete, todos os anos as mesmas lamurias, sobre a prevenção, a limpeza das matas. Todos os anos há uma ausência de responsabilidades pela parte daqueles que recebem para tal. 

 

Alice Alfazema

A morte termina uma vida, não uma relação

Junho 22, 2012

Alice Alfazema

  Fotografia Patrícia Cruz

 

Fala-se da Morte como se fosse ela uma coisa proibida. Algo que só se deve falar em sussurro, para que ela não passe por nós.

 

Há doze anos perdi a minha mãe, perdi-a somente fisicamente, porque ela continua comigo todos os dias da minha vida. Aos pais que pensam que devem apenas educar os filhos para a vida, devem também fazê-lo educando-os para a sua própria morte. É muito importante as palavras que usamos, os gestos que temos, os exemplos que damos. Pois, eles, ficarão gravados na mente dos seus filhos. Não pensem que educar é simplesmente impor regras e normas, educar para a vida é dar abraços, transmitir alegria e motivação, é construir a energia emocional do seu filho, é essa energia que fica depois da sua morte,  e é  ela que permanece inalterada para sempre, por mais obstáculos que tenhamos que ultrapassar. Este exemplo poderá se estender a todos os tipos de relações que temos, aquilo que absorvemos dos outros, é uma troca de energia contínua e fortificadora.

 

Uma relação não termina com a morte, apenas a vida termina com ela, o poder que temos de recorrer à nossa própria memória transmite-nos essa relação, dá-nos a capacidade de voltar a escutar palavras, a sentir sensações e a migrar no tempo.

 

A relação com os filhos, na actualidade é muito superficial, educam-se os filhos apenas para o mundo do trabalho, o seu lado emocional é considerado secundário. Mas, é esse lado, que fortalece a pessoa, que o leva a ter e a adquirir, capacidades para que possa ter sucesso em outra áreas da sua vida. Não estou a falar de espiritismo, de religião, de seitas, falo do fio condutor que nunca separa os pais dos filhos, do fio condutor das relações entre pessoas, daquilo que foi e daquilo que ficou, daquilo que se transmite e daquilo que se absorve.

 

Um abraço não é apenas um gesto, é uma troca. Os gestos são trocas. Os exemplos são trocas. Os gritos são trocas. A violência é uma troca. As trocas são o principio original da relação. E quando há uma troca há um momento que não pode ser invalidado no tempo. É uma equivalência ao mundo monetário, só que não se resume apenas ao estado físico, fica para além dele e do tempo. É um instituição infinita. 

 

 

 

Alice Alfazema

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