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Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Farol

Novembro 05, 2017

Alice Alfazema

 

Ilustração Barry Ross Smith

 

 

Em cima do farol branco.

Um dos meus ouvidos ouve o mar,

sua voz e seu clamor.

 

O mar devolve tudo que não vale,

tudo ruim, ficando com o bom,

com coisas que o enobreça.

O meu ouvido ouve os peixes, as algas,

o tubarão que comeu a perna do pescador.

 

O outro ouvido meu ouve, sente

o vento, que fala bem perto.

O vento emociona, toca, e vai embora,

levando uma parte de mim,

da minha poesia e emoção.

Eu sei que fui com o vento.

 

Os meus olhos escuros misteriosamente ouvem

o cantar dos bem-te-vis e dos pardais defronte.

Eles ouvem, vêem Deus.

 

Os meus olhos claros vêem tudo:

o mar verde-azul, as ondas beijando a praia,

as pedras, os barcos de pescadores brincando.

O vento, perto, movimentando as areias das dunas,

os coqueiros, os pássaros, os montes,

e o sol criança

 

E vê meu amigo abaixo de mim.

Olhando de pé tudo isso, mas da forma dele,

com outro olhar e emoção.

 

 

Poema de Francisco Carlos Machado

 

 

 

Alice Alfazema

 

 

Como uma onda

Junho 25, 2017

Alice Alfazema

 

Ilustração  Cristina Minguillón

 

 

Nada do que foi será

De novo do jeito que já foi um dia

Tudo passa

Tudo sempre passará

 

A vida vem em ondas

Como um mar

Num indo e vindo infinito

 

Tudo que se vê não é

Igual ao que a gente

Viu há um segundo

Tudo muda o tempo todo no mundo

Não adianta fugir

Nem mentir

Pra si mesmo agora

Há tanta vida lá fora

Aqui dentro sempre

 

Como uma onda no mar

Como uma onda no mar

Como uma onda no mar

Como uma onda no mar

 

 

Poema de Nelsinho Mota

 

 

Música Lulu Santos, clique para ouvir.

 

 

Alice Alfazema

 

 

Bom dia ;)

Setembro 27, 2016

Alice Alfazema

bicicleta.jpg

 

Lá vai a bicicleta do poeta em direcção
ao símbolo, por um dia de verão
exemplar. De pulmões às costas e bico
no ar, o poeta pernalta dá à pata
nos pedais. Uma grande memória, os sinais
dos dias sobrenaturais e a história
secreta da bicicleta. O símbolo é simples.
Os êmbolos do coração ao ritmo dos pedais —
lá vai o poeta em direcção aos seus
sinais. Dá à pata
como os outros animais.

 

 

Poema de Herberto Helder

 

 

Alice Alfazema

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