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Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Menina e moça

Outubro 05, 2017

Alice Alfazema

campo pequeno.jpg

 

No castelo, ponho um cotovelo
Em Alfama, descanso o olhar
E assim desfaz-se o novelo
De azul e mar

 

 

À ribeira encosto a cabeça
A almofada, na cama do Tejo
Com lençóis bordados à pressa
Na cambraia de um beijo

 

 

Lisboa menina e moça, menina
Da luz que meus olhos vêem tão pura
Teus seios são as colinas, varina
Pregão que me traz à porta, ternura

 

 

Cidade a ponto luz bordada
Toalha à beira mar estendida
Lisboa menina e moça, amada
Cidade mulher da minha vida

 

 

No terreiro eu passo por ti
Mas da graça eu vejo-te nua
Quando um pombo te olha, sorri
És mulher da rua

 

 

E no bairro mais alto do sonho
Ponho o fado que soube inventar
Aguardente de vida e medronho
Que me faz cantar

 

 

Lisboa menina e moça, menina
Da luz que meus olhos vêem tão pura
Teus seios são as colinas, varina
Pregão que me traz à porta, ternura

 

 

Cidade a ponto luz bordada
Toalha à beira mar estendida
Lisboa menina e moça, amada
Cidade mulher da minha vida

 

 

Lisboa no meu amor, deitada
Cidade por minhas mãos despida
Lisboa menina e moça, amada
Cidade mulher da minha vida

 

 

 

 

Poema de José Carlos Ary dos Santos e música Paulo de Carvalho

 

E agora em português do Brasil, com Martinho da Vila, oba sambando Lisboa:

 

 

 

Alice Alfazema

 

Finalista - 21 de Maio de 2016

Maio 21, 2016

Alice Alfazema

finalista1.JPG

 

 

Tal como o girassol persegue o Sol e se abre para o saudar, assim é agora. É dar as boas-vindas a esta nova etapa que vem por aí. Que seja radioso, que seja confortante, que traga outros objectivos. É mais um começo, mais uma nova caminhada, com outras paisagens, com outras experiências. Para todos, desejo-vos muitas felicidades(e esqueçam as línguas azedas, virem-se para o Sol, o caminho começa aí).

 

Beijos

 

Alice Alfazema

Pormenores de um poema e de uma varanda sobre o Tejo

Abril 09, 2015

Alice Alfazema

 

varanda.JPG

 

Esta é uma varanda sobre o Tejo. Este poema pertence à voz do Carlos do Carmo, e foi escrito pelo José Luís Tinoco, quanto à música poderão ouvi-la aqui

 

No teu poema
Existe um verso em branco e sem medida
Um corpo que respira, um céu aberto
Janela debruçada para a vida

 

No teu poema existe a dor calada lá no fundo
O passo da coragem em casa escura
E, aberta, uma varanda para o mundo.

 

Existe a noite
O riso e a voz refeita à luz do dia
A festa da Senhora da Agonia
E o cansaço
Do corpo que adormece em cama fria.

 

Existe um rio
A sina de quem nasce fraco ou forte
O risco, a raiva e a luta de quem cai
Ou que resiste
Que vence ou adormece antes da morte.

 

No teu poema
Existe o grito e o eco da metralha
A dor que sei de cor mas não recito
E os sonos inquietos de quem falha.

 

No teu poema
Existe um canto, chão alentejano
A rua e o pregão de uma varina
E um barco assoprado a todo o pano

 

Existe um rio
O canto em vozes juntas, vozes certas
Canção de uma só letra
E um só destino a embarcar
No cais da nova nau das descobertas

 

Existe um rio
A sina de quem nasce fraco ou forte
O risco, a raiva e a luta de quem cai
Ou que resiste
Que vence ou adormece antes da morte.

 

No teu poema
Existe a esperança acesa atrás do muro
Existe tudo o mais que ainda escapa
E um verso em branco à espera de futuro.

 

 

Alice Alfazema

 

 

Uma pergunta por dia: Por onde anda o sofrimento invisível?

Novembro 14, 2014

Alice Alfazema

 

Mário Cruz, fotojornalista de 27 anos, fotografou o sofrimento invisível dos sem-abrigo da cidade de Lisboa, poderão ver o seu trabalho, distinguido no blogue do New York Times "Lens". Através destas imagens podemos ver  aquilo que se ignora constantemente, o sofrimento dos outros, a falta de oportunidades, a desgraça do berço em que se nasceu, a ausência de amigos e de afectos...são restos de dias que resultam daquilo que fazemos em sociedade.

 

As palavras de um dos fotografados:

"As pessoas pensam que nos escondemos, que ocupamos lugares que não são nossos, mas a única coisa que fazemos é sobreviver. E nós sobrevivemos ao arranjar um telhado".

 

Ver para além da imagem...

 

Uma pergunta até ao final do ano, quem quiser responder esteja à vontade.

 

Alice Alfazema

 

 

Viagens

Abril 28, 2014

Alice Alfazema

 

Ilustração Claudia Tremblay

 

podes caber à larga e não à justa no elevador de santa justa, 

não te leva a parte nenhuma no sentido utilitário normal, 

mas é a nossa torre eiffel. faz a experiência. por sinal 

é um caso em que não custa aprender à nossa custa: 

variamente na vida e na ascese se flibusta, 

e aprender à nossa custa é muito mais ascensional. 

 

podes subir até ao miradouro se a altura não te assusta: 

lisboa é cor de rosa e branco, o céu azul ferrete é tridimensional, 

podes subir sozinho, há muito espaço experimental. 

noutros elevadores há sempre alguém que barafusta, 

mas não aqui: não fica muito longe a rua augusta, 

e em lisboa é o único a subir na vertical. 

 

no tejo há a barcaça, a caravela, a nau, o cacilheiro, a fusta, 

luzindo à noite numa memória intensa e desigual. 

com o cesário dorme a última varina, a mais robusta. 

não é para desoras o elevador de santa justa, 

arrefece-lhe o esqueleto de metal. 

mas tens o dia todo à luz do dia. não faz mal. 

 

 

Vasco Graça Moura
Alice Alfazema

Lixo

Dezembro 28, 2013

Alice Alfazema

 

 

Quando um trabalhador especializado luta por dignidade no seu emprego é visto como aceitável e dignificante, quando um trabalhador que mexe na merda dos outros, que limpa essa mesma merda, luta pela sua dignidade salarial, já de si precária e inglória é visto como um "não quer fazer nada" e mais isto e aquilo, portanto pior que merda. Mas ainda assim podemos olhar para as ruas de Lisboa e verificar quem faz falta e ganha tão pouco em relação a especialistas do dia-a-dia.

 

Alice Alfazema

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