Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Conversas da escola - O ingrediente mistério

Outubro 12, 2017

Alice Alfazema

Três miúdas que vão juntas todos os dias pela manhã ao bar da escola, comem religiosamente um maravilhoso croissant, se uma escolhe misto as outras querem igual, se o sumo é de manga as outras querem igual, quando uma muda, as outras seguem-lhe a ementa.

 

 

Num destes dias:

 

- Contina, bom-dia! Quero um croissant misto e um sumo de manga-laranja.

- Contina, bom-dia! Quero um croissant misto e um sumo de manga-laranja.

- Contina, bom-dia! Quero um croissant misto e um sumo de manga-laranja.

 

Um dia depois:

 

- Contina, havia um croissant que tinha um bicho, ou lá o que era...

- Então, e porque é que não vieram cá?

- Acho que era um bicho, era uma coisa estranha...

- Se calhar era a massa que estava torrada...mas deviam ter vindo cá.

- Era estranho.

 

Três dias a trocarem os croissants por pães com manteiga.

 

Hoje:

 

- Contina, bom-dia! Quero um croissant misto.

- Com bicho ou sem bicho?

- Ah! Lá tá você...

 

 

 

Alice Alfazema

 

Conversas da escola - Querida coleguinha

Outubro 09, 2017

Alice Alfazema

Dirijo-me a uma colega e peço-lhe:

- ...sabes, aquela receita que me falaste, a de baunilha, aquela que o teu filho gosta muito, podes dar-me a receita?

- Eh, pá, eu não sei da receita...perdi o papel, a receita é muito complicada de fazer, blá, blá, blá...

- Tretas, não me queres é dar a receita, é essa e a do bolo de pinhões...

- Olha lá, eu não sei da receita, mas tenho para lá uns rascunhos que tirei antes de perder o papel...eu não te dou a receita, porque não a tenho, mas faço-te um, dou-te o bolo...

- Está bem, aceito a proposta.

- Fica combinado!

 

E então eis aqui a prova de que ainda existem colegas boas e generosas, não dão a receita, mas oferecem o bolo (lá para o Natal vou-lhe pedir outra vez a receita)

 

IMG_1594.JPG

 

Eu como sou muito generosa partilho mais uma evidência.

 

IMG_1596.JPG

 

Se eu tivesse a receita até colocava aqui, mas como não tenho ponho mais uma fotografia para verem mais em pormenor tamanha bondade da minha colega. 

 

IMG_1597.JPG

 

Se estiverem a sentir a baba a escorrer é sinal que a bondade é verdadeira.

 

IMG_1598.JPG

 

Ainda há bolo? Isso lá é pergunta que se faça.

 

IMG_1599.JPG

 

Isto aqui é uma prova de que colegas assim só as tem quem as merece. Esforcem-se nunca desistam, pode ser que um dia destes vos apareça pela frente alguém que não tenha a receita, mas vos ofereça o bolo.

 

Obrigada cara colega. Estava delicioso. Um grande Xi 

 

 

Alice Alfazema

 

 

 

Conversas da escola - Sejam bem-vindos à época escolar 2017/2018

Agosto 23, 2017

Alice Alfazema

Eu sei que ainda é Agosto, mas a lista com as turmas já estão afixadas nos vidros do polivalente da escola. É uma alegria ver os miúdos novinhos vindos da escola primária chegarem com um sorriso estampado na cara minúscula quando percebem a dimensão da escola, quando reparam nas árvores grandes e no imenso espaço onde podem correr e perder-se na brincadeira.

 

Alguns chegam envergonhados, outros já afoitos, outros a medo. Descobrem que há um bar, uma papelaria, um espaço de sala de convívio com mesas grandes e redondas, biblioteca, posto médico, PBX, telefone, tanta coisa, muitos quadros com desenhos feitos por outros miúdos, tudo em grande, grandes vidros, grandes portas, muitas portas com números, muitas salas de aula. Um outro mundo, que agora será também o deles. Os pais com medo, fazem muitas perguntas, e dão as respostas:

 

- Isto é tão grande...

- Tenho medo que ele não saiba onde ficam as salas...

 

Os putos ali ao lado deles exploram o espaço que podem explorar, mas sei que imaginam mil e uma maneira de dar a volta àquele novo mundo. Tão grande...e aonde, ainda não sabem, vai ser este o lugar onde se vão transformar, onde o seu corpo vai crescer e mudar, onde vão fazer novos amigos, onde vão brigar por tudo e por nada, onde se vão apaixonar perdidamente e descobrir que podem sentir borboletas na barriga.

 

Um pequeno exemplar masculino, vem ver a escola e saber qual a sua turma, trás vestido uns calções pelo joelho e um polo azul com uns óculos a condizer, magriço, olha para o jardim, onde existem àrvores, arbustos, relva e flores, e exclama com alegria:

- Ena pá que grande plantação!

 

 

 

Alice Alfazema

Caretas e coisas divertidas

Agosto 07, 2017

Alice Alfazema

 

 

Ilustração Analisa Aza

 

 

Ainda ontem quando íamos na autoestrada, numa das entradas surge um casal de moto, olho para o homem que ia a conduzi-la e vejo que no capacete tem uma câmara de filmar, fico a guardar que ele olhe em direcção a nós e faço-lhes adeus e não é que o homem levanta a mão e dá-me de volta um adeus, daqueles fraternos, fiquei tão contente que acenei-lhe com mais vigor. Lá atrás ouve-se uma voz, mais ou menos resignada com estas situações: oh mãe para lá com isso...

 

 

Alice Alfazema

 

Mãe xoninhas

Julho 26, 2017

Alice Alfazema

mãe.jpg

 

Uma mãe xoninhas é aquela que alerta para todos os perigos e mais alguns sobre andar de bicicleta na estrada, no campo, no jardim, na praia, mas depois quando vê as fotografias até acha que estão muito bonitas, mas e isto foi aonde, quantos quilómetros, levaste água e comida...blá, blá, blá...blá...blá....olha vou por esta fotografia no blogue.

 

Alice Alfazema

Bordar

Julho 20, 2017

Alice Alfazema

Estava eu a passar a ferro a minha velhinha blusa de bordado inglês, quando me lembrei que nunca aqui coloquei nada do que sei bordar, então hoje vai ser novidade fresquinha a minha velha blusa branca, já muito lavada, mas muito amada.

 

Ainda era uma miúda quando bordei isto:

 

bordado1.JPG

 

Foi feita em pano de casquinha de ovo, era o que chamava na altura, não sei outra designação para o tipo de tecido, sei que é dos bons, pois tem aguentado muitas máquinas de lavar, é que não a lavo à mão.

 

bordado2.JPG

 

O tecido e as linhas comprei-os nas velhas lojas da baixa de Setúbal. A linha é da marca Âncora, linha de algodão, fabricado em Portugal, Coats&Clark. Tínhamos nesse tempo em Setúbal uma grande variedade de lojas de tecidos e outros materiais necessários à confecção de peças de vestuário e não só. Ainda hoje existem lojas dedicadas a este comercio, mas naquele tempo era possível encontrar em todas as ruas da baixa lojas com tecidos expostos no lado de fora da loja. 

 

bordado3.JPG

 

Entravamos na loja e havia o dono da loja e mais duas ou três empregadas. Era um serviço personalizado. Os maços de tecidos eram retirados de cima das prateleiras, muitas delas estavam bastante altas, aquilo pesava imenso. Depois em cima do balcão de madeira fazíamos a nossa escolha, era sempre difícil, tal era a variedade. Cada loja fazia brio em ser a mais simpática e eficiente continuando a renovar o stok e sempre com muitas novidades, muitos dos tecidos eram portugueses, penso que até seriam a maioria. 

 

bordado4.JPG

 

Bordei e costurei esta  blusa ainda não tinha 18 anos. Bordei-a à máquina, numa velha Singer a pedal. para fazer este tipo de bordao temos primeiro de passar para o tecido o desenho que escolhemos. Copiamos então o desenho para o papel vegetal com lápis de carvão e aplicamos depois no tecido. O tecido é assim colocado num bastidor, aqueles arcos de madeira que prendem os tecidos, é finalmente esticado de tal forma que faça efeito de tambor, só então é possível iniciar o bordado. É preciso ainda uma tesoura de bicos levantados e muito afiada e algo que fure o tecido, para fazer aqueles pequenos pontinhos, usei um espigão de uma flor.

 

bordado5.JPG

 

Depois de muitas pedaladas, que aquela máquina não tinha motor, e tesoura em riste, porque é preciso cortar o tecido com precisão cirúrgica e desmanchar porque nem sempre se consegue a perfeição, ou o que queremos de mais parecido com ela, eis aqui o meu labor. 

 

 

A linha é uma sucessão de pontos, como nos ensina a Matemática, e cronológica é a linha da vida, como nos ensina o relógio.
Tecer é dar sentido à forma linear e simples, dar forma e estrutura ao que está emaranhado e confuso.
Tecer é compreender uma sucessão de eventos que parecem vazios, sujos, desordenados ou inúteis.
Tecer é uma dança ritmada dos dedos, é usar correctamente a energia em favor da trama harmoniosa que pede o tecido.
Tecer é respiração, é o amor entre o que está cheio e o que está vazio.
Tecer é avançar e recuar, fazer e desfazer, emendar e entrelaçar.
Cronos não é um tecelão.

 

 

 Poema de Isabel Carvalho 

 

 

 

Alice Alfazema

 

 

 

 

Segregação

Julho 19, 2017

Alice Alfazema

nasa.jpg

 

Numa destas tardes vi este filme, gostei muito, fala dos primórdios da NASA, de como as mulheres negras eram segregadas através da sociedade, no emprego e na forma de pensar, dá-se uma perspectiva histórica do que se vivia nos EUA,na época de 60 do século passado.

 

Podemos pensar que isto é uma atitude do passado, mas não, hoje em dia encontramos segregação social por todo o lado onde andamos, vivemos numa era moderna, mais informada, mais atenta aos problemas sociais, no entanto caminhamos a passos largos para a estupidificação humana. 

 

Se duvidas há, podemos encontrar milhares de exemplos no nosso dia-a-dia, um exemplo disso é quando vamos ao supermercado e vemos gente que pensa que tem ali uns criadozinhos porque está a pagar produtos, quem lida com o público sabe perfeitamente que tem de se distanciar psicologicamente desta praga que anda por lá. 

 

A segregação social: é o processo de dissociação mediante o qual indivíduos e grupos perdem o contacto físico e social com outros indivíduos e grupos. Essa separação ou distância social e física é oriunda de factores biológicos e sociais, como raça, riqueza, educação, religião, profissão, nacionalidade etc.

 

A segregação espacial e urbana é quando as classes sociais ficam concentradas em determinadas regiões ou bairros de uma cidade. Essa segregação ocorre em locais onde há uma grande diferença de renda entre os grupos, uns possuem todas as condições de moradia e serviços, e outros não possuem nada parecido.

 

Hoje em dia com a informação instantânea é possível a criação de notícias que nos podem levar a pensar que os pobres são culpados de serem pobres, que não se esforçaram, que não estudaram e por aí fora, entretanto são esquecidos os factores que levaram a isso, entre eles a segregação social, muitas vezes a pessoa não é admitida em determinado emprego apenas porque a sua morada é em determinado bairro, são coisas simples, mas que fazem toda a diferença. 

 

É possível também que pela função que desempenhas tenhas um maior ou menor estatuto social, daí as pessoas apenas verem a função, pensa-se então que o dinheiro ocupa inteligência, nunca se viu numa abertura de um jornal, televisivo ou outro, chamar a um político que tenha cometido crimes, de colarinho branco, de criminoso, ou de assaltante, o assaltante é sempre aquele que mexe em armas e que é violento, mesmo que as atrocidades cometidas pelos que o fazem de gravata tenham lesado mais gente, isto é segregação.

 

A manipulação da informação a favor de determinados grupos é segregação, os baixos salários são segregação, e as atitudes de discriminação também conduzem à segregação.

 

 

 

 

 

 

Alice Alfazema 

 

Conversas da escola - O futuro empresário de sucesso

Maio 26, 2017

Alice Alfazema

Aproxima-se do balcão um miúdo baixinho, de pele muito branca, cabelo fininho e sempre despenteado, com uns óculos azuis maiores que a cara, para ele sou o terror do "bom-dia!" e do "faz favor".

- Quero uma sandes mista.

Saio do balcão, dou três passos, pego no pão, corto pão, coloco lá dentro o fiambre e o queijo, fecho o pão, pego num guardanapo e coloco no pão, dou três passos de volta e dou-lhe a sandes.

- Tanto tempo!

E fica uns segundos a olhar para mim com aquele olhar de anjinho papudo. 

 

 

Alice Alfazema

Mais sobre mim

foto do autor

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Sigam-me

O meu cão é um amor

Arquivo

  1. 2017
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  1. 2016
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  1. 2015
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  1. 2014
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  1. 2013
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  1. 2012
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  1. 2011
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  1. 2010
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D