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Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Reflexão de ano velho para ano novo

Dezembro 08, 2017

Alice Alfazema

 

Ilustração  Pilar Sala

 

Para mim cada vez faz menos sentido reflectir sobre o ano velho e formular decisões para o ano novo. Parece-me melhor fazer essa reflexão dia-a-dia, é mais rápido e prático. Podemos melhorar a cada vinte e quatro horas. Porquê esperar tanto tempo? E se acontecer um contratempo? E se não chegarmos até lá? Um ciclo pequeno exige menos de nós e corrige o erro que não se agiganta. Se fizermos isso podemos melhorar a cada dia, podemos tentar de novo a cada nascer do Sol, podemos realizar vontades e desejos apenas esperando horas. 

 

O que eu quero de 2018? Quero que tenha muitos desses ciclos de vinte e quatro horas.

 

 

Alice Alfazema

 

 

Conversas da escola - O galão perfeito

Novembro 11, 2017

Alice Alfazema

- Boa tarde, Dona Alicinha, queria um galão...

Dona Alicinha aquece o leite e prepara o café, como quem diz tira a bica, prepara-se então para despejar o café no copo de leite:

- Espere, não ponha o café todo, deixe-me ver...

Dona Alicinha de costas para a cliente desvia-se para que lhe possa ser transmitida nova ordem de despejo do café.

- Mais um bocadinho, deixe-me ver...

Dona Alicinha desvia-se novamente e deita duas gotas de café no copo, qual cheff de grand cuisine.

- Está bom.

Dona Alicinha respira de alivio.

 

 

Alice Alfazema

 

 

Conversas da escola - O ingrediente mistério

Outubro 12, 2017

Alice Alfazema

Três miúdas que vão juntas todos os dias pela manhã ao bar da escola, comem religiosamente um maravilhoso croissant, se uma escolhe misto as outras querem igual, se o sumo é de manga as outras querem igual, quando uma muda, as outras seguem-lhe a ementa.

 

 

Num destes dias:

 

- Contina, bom-dia! Quero um croissant misto e um sumo de manga-laranja.

- Contina, bom-dia! Quero um croissant misto e um sumo de manga-laranja.

- Contina, bom-dia! Quero um croissant misto e um sumo de manga-laranja.

 

Um dia depois:

 

- Contina, havia um croissant que tinha um bicho, ou lá o que era...

- Então, e porque é que não vieram cá?

- Acho que era um bicho, era uma coisa estranha...

- Se calhar era a massa que estava torrada...mas deviam ter vindo cá.

- Era estranho.

 

Três dias a trocarem os croissants por pães com manteiga.

 

Hoje:

 

- Contina, bom-dia! Quero um croissant misto.

- Com bicho ou sem bicho?

- Ah! Lá tá você...

 

 

 

Alice Alfazema

 

Conversas da escola - Querida coleguinha

Outubro 09, 2017

Alice Alfazema

Dirijo-me a uma colega e peço-lhe:

- ...sabes, aquela receita que me falaste, a de baunilha, aquela que o teu filho gosta muito, podes dar-me a receita?

- Eh, pá, eu não sei da receita...perdi o papel, a receita é muito complicada de fazer, blá, blá, blá...

- Tretas, não me queres é dar a receita, é essa e a do bolo de pinhões...

- Olha lá, eu não sei da receita, mas tenho para lá uns rascunhos que tirei antes de perder o papel...eu não te dou a receita, porque não a tenho, mas faço-te um, dou-te o bolo...

- Está bem, aceito a proposta.

- Fica combinado!

 

E então eis aqui a prova de que ainda existem colegas boas e generosas, não dão a receita, mas oferecem o bolo (lá para o Natal vou-lhe pedir outra vez a receita)

 

IMG_1594.JPG

 

Eu como sou muito generosa partilho mais uma evidência.

 

IMG_1596.JPG

 

Se eu tivesse a receita até colocava aqui, mas como não tenho ponho mais uma fotografia para verem mais em pormenor tamanha bondade da minha colega. 

 

IMG_1597.JPG

 

Se estiverem a sentir a baba a escorrer é sinal que a bondade é verdadeira.

 

IMG_1598.JPG

 

Ainda há bolo? Isso lá é pergunta que se faça.

 

IMG_1599.JPG

 

Isto aqui é uma prova de que colegas assim só as tem quem as merece. Esforcem-se nunca desistam, pode ser que um dia destes vos apareça pela frente alguém que não tenha a receita, mas vos ofereça o bolo.

 

Obrigada cara colega. Estava delicioso. Um grande Xi 

 

 

Alice Alfazema

 

 

 

Conversas da escola - Sejam bem-vindos à época escolar 2017/2018

Agosto 23, 2017

Alice Alfazema

Eu sei que ainda é Agosto, mas a lista com as turmas já estão afixadas nos vidros do polivalente da escola. É uma alegria ver os miúdos novinhos vindos da escola primária chegarem com um sorriso estampado na cara minúscula quando percebem a dimensão da escola, quando reparam nas árvores grandes e no imenso espaço onde podem correr e perder-se na brincadeira.

 

Alguns chegam envergonhados, outros já afoitos, outros a medo. Descobrem que há um bar, uma papelaria, um espaço de sala de convívio com mesas grandes e redondas, biblioteca, posto médico, PBX, telefone, tanta coisa, muitos quadros com desenhos feitos por outros miúdos, tudo em grande, grandes vidros, grandes portas, muitas portas com números, muitas salas de aula. Um outro mundo, que agora será também o deles. Os pais com medo, fazem muitas perguntas, e dão as respostas:

 

- Isto é tão grande...

- Tenho medo que ele não saiba onde ficam as salas...

 

Os putos ali ao lado deles exploram o espaço que podem explorar, mas sei que imaginam mil e uma maneira de dar a volta àquele novo mundo. Tão grande...e aonde, ainda não sabem, vai ser este o lugar onde se vão transformar, onde o seu corpo vai crescer e mudar, onde vão fazer novos amigos, onde vão brigar por tudo e por nada, onde se vão apaixonar perdidamente e descobrir que podem sentir borboletas na barriga.

 

Um pequeno exemplar masculino, vem ver a escola e saber qual a sua turma, trás vestido uns calções pelo joelho e um polo azul com uns óculos a condizer, magriço, olha para o jardim, onde existem àrvores, arbustos, relva e flores, e exclama com alegria:

- Ena pá que grande plantação!

 

 

 

Alice Alfazema

Caretas e coisas divertidas

Agosto 07, 2017

Alice Alfazema

 

 

Ilustração Analisa Aza

 

 

Ainda ontem quando íamos na autoestrada, numa das entradas surge um casal de moto, olho para o homem que ia a conduzi-la e vejo que no capacete tem uma câmara de filmar, fico a guardar que ele olhe em direcção a nós e faço-lhes adeus e não é que o homem levanta a mão e dá-me de volta um adeus, daqueles fraternos, fiquei tão contente que acenei-lhe com mais vigor. Lá atrás ouve-se uma voz, mais ou menos resignada com estas situações: oh mãe para lá com isso...

 

 

Alice Alfazema

 

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