Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Bom dia :-)

Novembro 19, 2017

Alice Alfazema

 

Enfunando os papos, 
Saem da penumbra, 
Aos pulos, os sapos. 
A luz os deslumbra. 



Em ronco que aterra, 
Berra o sapo-boi: 
- "Meu pai foi à guerra!" 
- "Não foi!" - "Foi!" - "Não foi!". 



O sapo-tanoeiro, 
Parnasiano aguado, 
Diz: - "Meu cancioneiro
É bem martelado. 

 

 

 

Vede como primo 
Em comer os hiatos! 
Que arte! E nunca rimo 
Os termos cognatos. 



O meu verso é bom 
Frumento sem joio. 
Faço rimas com 
Consoantes de apoio. 



Vai por cinquüenta anos 
Que lhes dei a norma: 
Reduzi sem danos 
A fôrmas a forma. 



Clame a saparia 
Em críticas céticas:
Não há mais poesia, 
Mas há artes poéticas..." 

 

 

 

Urra o sapo-boi: 
- "Meu pai foi rei!"- "Foi!" 
- "Não foi!" - "Foi!" - "Não foi!". 



Brada em um assomo 
O sapo-tanoeiro: 
- A grande arte é como 
Lavor de joalheiro. 



Ou bem de estatuário. 
Tudo quanto é belo, 
Tudo quanto é vário, 
Canta no martelo".

 

Outros, sapos-pipas 
(Um mal em si cabe), 
Falam pelas tripas, 
- "Sei!" - "Não sabe!" - "Sabe!". 

 

 

 

Longe dessa grita, 
Lá onde mais densa 
A noite infinita 
Veste a sombra imensa; 



Lá, fugido ao mundo, 
Sem glória, sem fé, 
No perau profundo 
E solitário, é 



Que soluças tu, 
Transido de frio, 
Sapo-cururu 
Da beira do rio...

 

 

Poema de Manuel Bandeira

 


E tu que lês-te isto, que tipo de sapo és tu?

 

 

 

 

 

Alice Alfazema

 

Micro contos - A mulher que faz milagres

Novembro 07, 2017

Alice Alfazema

23361059_507199256327407_915419042_n.jpg

 

A mulher pegou na folhinha e pô-la cuidadosamente num copo com água. Esperou que a pequena folha criasse raiz. Passaram dias até que do caule despontaram as pequenas raízes finas e brancas. A mulher deixou que crescessem e mudou a água quando achou que era necessário. Num dia resolveu que havia de lança-la à terra e colocou-a num vaso pequenino e aconchegante, protegeu-a do vento e do frio, deu-lhe sol, adubou-a, mexeu-lhe a terra como fazem as minhocas. E ela cresceu, cresceu e deu flor. A mulher fez um milagre. E a flor deu-lhe um sorriso. 

 

 

Alice Alfazema

Valpaços 1989 - Gentes com garra!

Outubro 24, 2017

Alice Alfazema

 

A história faz-se de gente que não baixa os braços, aqui fica este texto para memória futura, como forma de homenagem a quem lutou pela terra que ama e por aquilo em que acredita. 

 

 

 

Numa tarde de domingo, largaram todos para destruir os 200 hectares de eucalipto que uma empresa de celulose andava a plantar na quinta do Ermeiro, a maior propriedade agrícola da região.

 

 

À sua espera tinham a GNR, duas centenas de agentes. Formavam uma primeira barreira com o objetivo de impedir o povo de arrancar os pés das árvores, mas eram poucos para uma revolta tão grande.

 

 

A tensão subiria de tom ao longo da tarde. «Houve ali uma altura em que pensei que as coisas podiam correr para o torto», diz agora António Morais, o cabecilha dos protestos. Havia agentes de Trás os Montes inteiros, da Régua e de Chaves, de Vila Real e Mirandela.

 

 

A guerra tinha começado a ser preparada um par de meses antes, quando António Morais, proprietário de vários hectares de olival no Lila, percebeu que uma empresa subsidiária da Soporcel se preparava para substituir 200 hectares de oliveiras por eucaliptal para a indústria do papel. «Tinham recebido fundos perdidos do Estado para reflorestar o vale sem sequer consultarem a população», revolta-se ainda, 28 anos depois.

 

 

«Nessa altura o ministério da agricultura defendia com unhas e dentes a plantação de eucalipto.» Álvaro Barreto, titular da pasta, fora anos antes presidente do conselho de administração da Soporcel e tornaria ao cargo em 1990, pouco depois das gentes de Valpaços lhe fazerem frente.

 

 

«A tese dominante dos governos de Cavaco Silva era que urgia substituir o minifúndio e a agricultura de subsistência por monoculturas mais rentáveis, era preciso rentabilizar a floresta em grande escala», diz António Morais. O eucalipto adivinhava-se uma solução fácil.

 

«Comecei a ler coisas e percebi que o eucalipto nos traria grandes problemas», continua António Morais. «Por um lado, numa região onde a água é tudo menos abundante, teríamos grandes problemas de viabilidade das outras culturas. Nomeadamente o olival, que sempre foi a riqueza deste povo. E depois havia os incêndios, que eram o diabo. São árvores altamente combustíveis e que atingem uma altura muito grande.»

 

Hoje, o Ermeiro é terra de nogueiras e amendoeiras, oliveiras e pinho. Nunca ardeu. Serafim Riem, o ambientalista da Quercus, diz que até hoje a guerra do povo de Valpaços é um marco, a maior ligação jamais vista no país entre o mundo rural e o ativismo ecológico.

 

«A única maneira de travar os incêndios em Portugal é reduzir drasticamente o eucaliptal e substituí-lo pela floresta autóctone, que não só tem melhor imunidade ao fogo como gera uma riqueza mais diversificada para as populações.»

 

Naquele 31 de março de 1989, o povo uniu-se e, diz agora, salvou-se. «Nós é que tínhamos razão», repetem uma e outra vez, repetem todos. Às seis da tarde, depois de José Oliveira ser libertado, um vale inteiro voltou pelo mesmo caminho e juntou-se no principal largo de Veiga do Lila. Mataram-se dois borregos e um leitão, abriram-se presuntos e deitaram-se alheiras à brasa, houve até quem trouxesse uma pipa de vinho. A festa durou noite dentro e foi maior do que qualquer romaria de Santa Bárbara.

 

 

 Texto de Ricardo J. Rodrigues | Fotografia de Rui Oliveira / Global Imagens

 

 

Retirado de Notícias Magazine, clique para ver o artigo completo.

 

 

 

 

Alice Alfazema 

 

Onde costumas colar a tua pastilha elástica?

Setembro 17, 2017

Alice Alfazema

«Do lentisco verdadeiro de Brotero (Pistacia lentiscus), que se cria pelos mattos e vallados das fazendas, se póde colher a almecega ou mastique que tem uso nas boticas, e na composição dos vernizes. Os habitantes da Ilha de Chio na Grécia são os que aproveitão esta rezina, fazendo no principio de Agosto incisões na cortiça do tronco do arbusto, sem tocar nos ramos novos, e por ellas vai distillando o suco nutritivo em pequenas lágrimas que amadurecendo formão os grãos de mastique, e se apanhão no mesmo arbusto, onde durão todo o mez; ou na terra quando tem cahido. (...)
Ainda que os botânicos dêm a este arbusto o nome de lentisco, com tudo no Algarve ninguem o conhece por tal, e sim pelo de aroeira, chamando-se lentisco ao Phyllirea angustifolia de Linneo, lentisco bastardo de Brotero. (...) 

 

 

 

 

Chios, a ilha no mar Egeu a menos de 10 km da costa turca (a oeste de Izmir) referida por Silva Lopes é conhecida ainda hoje não apenas por, supostamente, ter sido o berço de Homero, mas igualmente pela exportação de mastique, a resina da aroeira utilizada na confecção de inúmeros e famosos produtos gregos, turcos, egípcios, macedónios, búlgaros e demais países desta zona do globo, dando nome a uma bebida alcoólica muito apreciada, a Mastika. As «lágrimas de Chios» continuam ingrediente indispensável na gastronomia e cosmética locais, mas alguns dos produtos confeccionados com esta goma têm fama internacional, como é o caso das delícias turcas ( «Turkish Delight»).

 

 


Os venezianos e genoveses, que dominaram a ilha durante quatro séculos até esta passar em 1566 para domínio turco, foram os primeiros a comercializar o mastique. A Grécia reconquistou o domínio da ilha em 1913, quase um século depois dos terríveis massacres turcos que Eugène Delacroix, talvez o mais conhecido pintor romântico francês, imortalizou no quadro «Massacre em Chios» que pode ser apreciado no Louvre.

 

 

 

Texto retirado do blogue De Rerum Natura, é um artigo de Palmira F. da Silva, para ler o texto completo clicar aqui.

 

 

 

Alice Alfazema

Praia da Figueirinha (ao cuidado da Câmara Municipal de Setúbal)

Agosto 05, 2017

Alice Alfazema

A praia da Figueirinha fica logo ali ao lado de uma das praias mais bonitas da Europa, encontra-se aos pés da Serra da Arrábida, espreitamos para um lado e podemos ver Setúbal e Troia, do outro lado vemos a Serra e o Oceano Atlântico.

Todos os dias por ali passam muitos navios, daqueles grandes que nos fazem parecermos minúsculos, por vezes, se tivermos muita sorte podemos avistar os roazes, imensos peixes nos vêm visitar à beirinha da água. Taínhas, chopas, peixe-rei, robalos e outros tantos que não sei o nome.

 

fi.JPG

 

Nesta praia durante o Verão banham-se muitas pessoas que chegam de muito longe, há muitas crianças no areal, muita gente que vem só passear. É uma praia grande com acesso para pessoas com motricidade reduzida, tem cafezinhos de praia, o homem da bola-de-Berlim e da água de côco. Por todo o areal existem chapéus de sol de muitas cores que dão imenso colorido à praia. Quando faz vento conseguimos ver alguns a voar enquanto se ouvem gritos dos miúdos que correm atrás deles. É como se fosse um alarme para os mais distraídos. E aí é ver as pessoas a levantarem a cabeça e a esticarem o braço para agarrarem o seu guarda-sol. 

 

fu.JPG

 

Ao longo de toda a praia podemos encontrar sacos de plástico para colocarmos o nosso lixo, não é necessário andarmos muito para os encontrarmos, quando termina um dia de praia estão repletos dos mais variados objectos, desde fraldas descartáveis, a chinelos de borracha, há também embalagens de bolachas, de chocolates, de gelados, latas de refrigerantes, garrafas de água plásticas, guarda-sois esfarrapados pelo vento e pelo tempo, restos de frutas, restos de sandes, restos de bolachas, restos de restos, enfim é um mundo num só dia. É um tesouro por descobrir.

 

fe.JPG

 

Nesta praia, durante a época balnear, entram e saem por dia dezenas de pessoas, é um entra e sai de gente que mais parece o centro comercial mais in do pedaço. 

 

fa.JPG

 

Assim ao final do dia, quando o Sol se começa pôr por detrás da Serra chegam as gaivotas. E o que sabem as gaivotas sobre a praia da Figueirinha? Sabem que podem petiscar por lá. Em que restaurante? Nos muitos que por lá abundam, os sacos plásticos do lixo. Então é vê-las a debicarem o plástico até romper e a tirarem cá para fora o mundo de que vos falei ali em cima. E depois vem o vento, o tal que arranca os guarda-sois do areal, e leva para a água todo aquele lixo que conseguir, e não há quem possa pará-lo, porque a praia é agora delas e do vento. 

 

 

Na praia podemos ver uma placa da Câmara Municipal de Setúbal a alertar para não deitarmos plástico/lixo no mar, esta praia tem Bandeira Azul. Se precisarem de ideias para este problema contactem-me estou disponível e à borla para acabar com o manjar de lixo que vai todos os dias para a beira do Sado e do Atlântico, vindos dos sacos de plástico, azulinhos que se desfazem com uma simples bicada.

 

 

Alice Alfazema

Terra

Julho 20, 2017

Alice Alfazema

 

 

Lá em cima, não há discriminação de raças, não há fronteiras, nem diferentes países. Há uma equipa, uma tripulação que tem de agir em conjunto. É um exemplo de como nos devemos relacionar com as pessoas, de como toda a gente se devia relacionar neste momento.

 

 

Mikhail Kornienko, cosmonauta russo.

 

 

 

 

Podem ler o resto do artigo aqui

 

 

Alice Alfazema

 

 

 

 

 

 

 

Mais sobre mim

foto do autor

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Sigam-me

O meu cão é um amor

Posts destacados

Arquivo

  1. 2018
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  1. 2017
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  1. 2016
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  1. 2015
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  1. 2014
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  1. 2013
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  1. 2012
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  1. 2011
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  1. 2010
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D