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Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Dia internacional da criança

Junho 01, 2017

Alice Alfazema

 

Ilustração Amy Cartwright

 

Ou se tem chuva e não se tem sol
ou se tem sol e não se tem chuva!

 

Ou se calça a luva e não se põe o anel,
ou se põe o anel e não se calça a luva!

 

Quem sobe nos ares não fica no chão,
quem fica no chão não sobe nos ares.

 

É uma grande pena que não se possa
estar ao mesmo tempo em dois lugares!

 

Ou guardo o dinheiro e não compro o doce,
ou compro o doce e gasto o dinheiro.

 

Ou isto ou aquilo: ou isto ou aquilo…
e vivo escolhendo o dia inteiro!

 

Não sei se brinco, não sei se estudo,
se saio correndo ou fico tranqüilo.

 

Mas não consegui entender ainda
qual é melhor: se é isto ou aquilo.

 

 

 

 

Cecília Meireles

 

 

 

 

Alice Alfazema

 

Micro contos - Na fila do bacalhau

Junho 20, 2016

Alice Alfazema

No supermercado o pai andava às compras com os seus rebentos. Um no carrinho, ainda de chucha, o outro já grandinho entretinha-se a baralhar as placas que estavam na padaria, com o nome e o preço do pão. O pai sempre atarefado ao telemóvel, a criança pequena a gritar levemente, o pai ao telemóvel, a criança grande a andar de um lado para outro. O pai ao telemóvel. A criança pequena chateada com tudo aquilo. Todos na fila do pão. Todos na fila do bacalhau. O pai ao telemóvel. 

 

Alice Alfazema

Criança

Junho 01, 2016

Alice Alfazema

criança.JPG

 

 

Ser criança é algo a que muita gente não tem acesso. É viver tranquilo, livre da fome e das misérias humanas. Ser criança, é mais que ser baixinho, ter mãos pequeninas e risos eufóricos. É a oportunidade de ser e de crescer que fortalece a identidade, é um direito escrito. Ser realmente criança é a sorte de ter nascido de alguém que se preocupa, que abraça, que alimenta, que acarinha e que demonstra assertividade. 

 

Ser criança neste mundo representa diversas versões e sortes:

 

A criança gorducha, a fofinha, a risonha, a birrenta, a branquinha, a loirinha, a preta, a amarela, a cigana, a esfomeada, a refugiada, a trabalhadora, a violada, a institucionalizada, a hiperactiva, a extrovertida, a tímida, a líder, a modelo, a comilona, a feminina, a masculina, a magricela, a sardenta, a caixa de óculos, a esfarrapada, a de outra raça, a indígena, a ultra fofinha, a ranhosa, a piolhosa, a doente, a coradinha, a estúpida, a burra, a inteligente, a dos outros, a nossa.

 

Alice Alfazema

E se fosse eu a receber um refugiado em minha casa?

Abril 10, 2016

Alice Alfazema

 

 

"E se fosse eu? Todos responderam o que levariam nas respectivas mochilas. Até aqui, tudo bem. Mas, depois, perguntei: E se fosse eu a receber um refugiado em minha casa? E, aí, as respostas prontas converteram-se em silêncio. Um silêncio incómodo. Olhavam-se entre eles. Mostravam surpresa. Nenhum deles me deu uma resposta. Nada. Só admiração, espanto. Perguntei se dividiriam o quarto deles com um refugiado da idade deles. A maior parte disse que não. E foram bastante incisivos no não. Todos souberam fazer uma mochila, num instante, se fossem eles. Mas receberem alguém com uma mochila em casa: não é assim tão fácil."

 

Lido através daqui, e escrito primeiramente aqui.

 

E lembrei-me ao ler isto, que quando passo pelos meninos, quando eles estão a almoçar, e lhes pergunto se me dão um bocadinho, prontamente me respondem que não. Primeiro pensei que muitos estavam na brincadeira, e pergunto uma segunda vez, fazem ares de ofendidos, não são capazes de partilhar, a não ser que tenham contrapartidas. Há muito que não faço perguntas destas, a futilidade faz-me alergia. 

 

Alice Alfazema

O menino

Setembro 04, 2015

Alice Alfazema

Imagem daqui.

 

E o menino estava deitado na areia da praia, quase como se estivesse a brincar com as ondas, parecia adormecido. Vestidinho com cuidado, cabelo curto, tal como nos artigos de publicidade. 

No entanto este menino é um vestígio da guerra, de um jogo do empurra, da incompreensão entre os povos, do desespero, da ganância, da indiferença, da religião, é o resultado da soma da solidariedade na sociedade, é a prova de inteligência neste nosso maravilhoso planeta.  

O destino ficou-se pela beirinha daquela praia. Será então impossível navegar por um mundo melhor? O máximo que conseguimos fazer é acolher refugiados? De que nos serve sermos uma espécie inteligente se criamos e vivemos num mundo estúpido.

 

Alice Alfazema

 

Um sorriso ao contrário

Março 30, 2015

Alice Alfazema

Imagem Osman Sagirli

 

Esta criança síria confundiu a máquina fotográfica com uma arma e rendeu-se. Provavelmente terá uns meros três anos, mas uma realidade violenta que lhe entra todos os dias pela mente. Nada de creminhos e fotos fofinhas, nem os problemas com os choros infernais de noite devem preocupar os seus pais. Apenas as balas não são fofinhas, nem levam a risinhos e roupinhas de marca. Nada de problemas de hiperactividade, há muito mais com que se preocupar. Um sorriso ao contrário, uns olhos cheios de medo, o sujo das roupas, a paisagem da guerra, o sibilar das balas. Nada de depressões alucinantes, nem desvarios de medos de aranhas, ou problemas com a alergia dos fenos. Apenas o dia-a-dia. Amanhã talvez.

 

Alice Alfazema

 

Tudo se perde com a guerra e nada se perde com a paz

Julho 27, 2014

Alice Alfazema

 

“Recordemos que tudo se perde com a guerra e nada se perde com a paz! Caros irmãos e irmãs, nunca a guerra! Penso sobretudo nas crianças a quem se tira a esperança de uma vida digna e de um futuro: crianças mortas, crianças feridas, crianças mutiladas, crianças órfãs, crianças que têm como brinquedos resíduos bélicos, crianças que não sabem sorrir… Parem, por favor! Peço-vos com todo o coração, está na hora de parar! Parem, por favor”

 

Papa Francisco, Julho de 2014

 

Alice Alfazema

Crimes de guerra

Julho 23, 2014

Alice Alfazema

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