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Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

O João Pedro

Agosto 14, 2017

Alice Alfazema

O João Pedro é um rapazinho dos seus quatro anos, de pele muito branquinha, e muito traquinas. O João Pedro foi com os avós à praia, levou o seu baldinho e a pá. A avó do João Pedro também é muito branquinha e tem um fato de banho com flores cor-de-rosa. O avô do João Pedro é um homem que usa um calção vermelho e tem um bronze duvidoso, é bronzeado até um pouco acima dos cotovelos, um pouco na cara e pronto, acabou o bronzeado. 

 

Os avós do João Pedro têm dois chapéus de sol muito coloridos e um corta vento branco. Puseram o corta vento ao redor dos chapéus de sol e colocaram-se os três dentro daquele território, longe dos olhares alheios. O João Pedro brincou durante muito tempo ali naquele espaço, de vez em quando ouvia-se a areia a bater no tecido do corta vento, enquanto a avó gritava:

 

- Está quieto João Pedro.

- Pára com isso João Pedro.

- Daqui a nada levas uma palmada João Pedro.

- Não levantes areia João Pedro.

- Estás habituado a que te façam as vontades todas, não pode ser João Pedro.

- João Pedro está quieto.

 

Entretanto o João Pedro foi com os avós até à água e voltou sequinho para aquele espaço mágico, sequinho, sequinho, sequinho...

E voltou-se a ouvir:

 

- Está quieto João Pedro.

- Pára com isso João Pedro.

- Daqui a nada levas uma palmada João Pedro.

- Não levantes areia João Pedro.

- Estás habituado a que te façam as vontades todas, não pode ser João Pedro.

- João Pedro está quieto.

 

 

Tenho a certeza que o João Pedro vai guardar para sempre no seu grande coração este maravilhoso dia na praia com os avós. Vai lembrar-se que ninguém se levantou para jogar à bola com ele. vai recordar-se que nem fizeram castelos na areia. Que nem chegou a saber que ali pertinho, pertinho havia rochas com as criaturas do mar que ele só vê na televisão, e que os peixes são capazes de nadar até à beirinha da água. 

 

- Ó João Pedro ainda estás aí?

 

 

 

Alice Alfazema

 

Amor pela vida

Abril 22, 2017

Alice Alfazema

 

Ilustração Antonia Bonell

 

Retirei esta frase do blogue Um Jeito Manso, O tempo não erode nem o amor nem o desejo. O que os corrói é a falta de amor pela vida. Num artigo que fala de relações entre homens e mulheres, casamentos, amores. Concordo inteiramente com ela, quem tem amor pela vida tem sempre desejo, bem-querer, tem uma força que alimenta o amor e o desejo. 

 

 

Alice Alfazema

Namorar

Fevereiro 14, 2017

Alice Alfazema

 

Ilustração Leandro Lamas

 

Quem ousará dizer que ele é só alma?
Quem não sente no corpo a alma expandir-se
até desabrochar em puro grito
de orgasmo, num instante de infinito?

O corpo noutro corpo entrelaçado,
fundido, dissolvido, volta à origem
dos seres, que Platão viu completados:
é um, perfeito em dois; são dois em um.

 

 

 

 

 Carlos Drummond de Andrade, in O Amor Natural

 

 

Alice Alfazema

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