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Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

E se a Mãe Terra falasse connosco o que nos diria?

Setembro 09, 2017

Alice Alfazema

 

Ilustração  Christian Koh-Kisung Koh

 

Somos filhos da Terra, por algum motivo voltamos ao pó.

 

Dizem os entendidos que fazemos parte do mesmo material que compõem as estrelas. Habitamos um planeta lindo, mas procuramos outros mundos para sobreviver. O nosso corpo tem pouco tempo de vida, mas julgamo-nos eternos.

 

De todos os animais que habitam este maravilhoso mundo somos aqueles que menos respeitam a sua origem, senão o único. Comemos mais do que precisamos para viver, temos muita pele para vestir, fazemos montanhas de lixo, muitos nem sabem distinguir o necessário do desnecessário.

 

Valorizamos muito uma marca de vestuário, ou de uma outra porcaria qualquer, e há quem pague milhares em dinheiro para tê-la, entretanto não olhamos para um céu azul como uma preciosidade. Não vemos as árvores como uma obra de arte. Ou o canto de um pássaro como uma prova de liberdade. Comercializamos a liberdade dos outros em lojas, os outros são os chamados animais irracionais.

 

Somos também compostos por água, muita água, e sem ela não somos nada. No entanto as marés vão e vêm sem que haja grande admiração por isso. O plástico alastra nas nossas águas e também em nós, pois já entrou na cadeia alimentar de algumas espécies. Estamos poluídos. Na mente e no corpo.

 

Vemos imagens de furacões nas televisões ou em qualquer outro aparelho tecnológico, dizem os relatos que estes fenómenos nunca antes foram vistos em tal dimensão, ninguém sabe ao certo, no entanto dizem por dizer. Entretanto mostram as imagens de destruição como se fosse um espectáculo de drama, porque há mortos, quantos são? Como morreram? Há uma curiosidade mórbida em saber como se morre que vende, vende, vende, mas quem são os mortos? Quantos animais morreram para além dos humanos? Ou  a morte é só uma coisa humana? E o sofrimento também é um sentimento apenas humano?

 

 

Se a Mãe Terra falasse connosco certamente diria que somos umas bestas porcas e mal-agradecidas. 

 

 

Alice Alfazema

 

 

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