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Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Sobre as notícias do momento...

 

Ilustração Elina Ellis

 

 

Um macaco passeava-se à beira de um rio, quando viu um peixe dentro de água. Como não conhecia aquele animal, pensou que estava a afogar-se. Conseguiu apanhá-lo e ficou muito contente quando o viu aos pulos, preso nos seus dedos, achando que aqueles saltos eram sinais de uma grande alegria por ter sido salvo.

Pouco depois, quando o peixe parou de se mexer e o macaco percebeu que estava morto, comentou – que pena eu não ter chegado mais cedo!

 

 

Fábula africana do macaco e do peixe, narrada por Mia Couto

 

 

Alice Alfazema

 

 

 

 

Março dia 23 - Mulheres que tecem a seda do mar

A seda é feita dos casulos construidos por bichos de seda - mas há uma outra, rara, é conhecida como a seda do mar ou o bisso, que vem de um molusco, Chiara Vigo, na ilha de Sant'Antioco, na Sardenha, colhe a saliva desta variedade rara de mexilhão, Pinna nobilis, que é o maior molusco bivalve nativo do mar Mediterrâneo.

 

 

 

A pulseira é feita de um fio antigo, o bisso que é mencionado na pedra Rosetta e dizem ter sido encontrado nos túmulos dos faraós.

 

Alguns acreditam que foi o pano que Deus disse a Moisés para colocar no primeiro altar. Foi o tecido mais fino conhecido no antigo Egipto, Grécia e Roma, uma de suas propriedades ​​é a forma como brilha quando exposto ao sol. É extraordinariamente leve. A matéria-prima vem das águas brilhantes que cercam a ilha. Onde todas as primaveras, Chiara Vigo mergulha para cortar a saliva solidificada deste grande molusco. 

 

 

Esta mulher não vende os seus trabalhos, pois diz: Seria como comercializar o voo de uma águia, o bisso é a alma do mar, é sagrado.

 

 

Ela dá o tecido para as pessoas, com a intenção de as ajudar. Pode ser um casal que decidiu casar, uma mulher que quer uma criança, ou uma que tenha recentemente engravidado. Acredita-se que o bisso traga boa fortuna e fertilidade

 

O pai de Chiara morreu quando ela tinha oito anos e a sua mãe era uma obstetra que trabalhava fora de casa, assim ela foi criada pela avó - e foi a avó que lhe ensinou a arte de trabalhar e bordar com bisso. A avó, por sua vez, aprendeu com sua própria mãe, e assim por diante, de volta através das gerações.

 

 

 

Tecer a seda do mar é o que minha família vem fazendo há séculos, diz Chiara. O fio mais importante, para a minha família, era o fio de sua história, sua tradição. Eles nunca fizeram um centavo a partir dela.

 

 

 

Ver mais aqui.

 

 

 

Alice Alfazema

 

 

Março dia 22 - Mulheres que carregam água

O acesso à água potável ainda é um desafio diário para grande parte das populações do mundo.

 

 

Uma enorme fatia da  população mundial não tem acesso a água potável.

 

 
Mulheres gabras do norte do Quênia gastam até cinco horas diárias carregando pesados galões cheios de água barrenta. Uma seca duradoura levou essa já árida região a uma crise de abastecimento
 
 

As mulheres gabras do norte do Quénia gastam até cinco horas diárias carregando água, levando os pesados recipientes nas costas.

 

 

 

No Paquistão, mulheres carregam água nos arredores de  Islamabad.

 

 

 

Por muitos sítios são as mulheres que têm a dura função de levar a preciosa água para casa, na foto acima é o exemplo de Nova Déli, na Índia.

 

 

 

Aqui é uma menina que carrega a água para casa através da paisagem ressequida do Sudão do Sul. Sendo assim é desde cedo que esta pesada busca por este bem essencial é feita pelas mulheres.

 

 

Na Nigéria...

 

Na Tanzânia, por causa da seca, hoje uma menina precisa de percorrer distâncias maiores em busca de água em comparação com o trajeto que a mãe fazia anos antes. O tempo extra significa que ela não pode frequentar a escola.

 

Segundo a ONU, as mulheres da África Subsaariana gastam uma média de 40 bilhões de horas por ano colectando água.

 

As mulheres “estão entre as pessoas mais vulneráveis às mudanças climáticas”, conclui um relatório do Fundo das Nações Unidas para a População, “parcialmente porque em muitos países elas compreendem uma parcela maior da força de trabalho agrícola e parcialmente porque elas tendem a ter acesso a menos oportunidades de geração de renda”.

 

Quando combinadas com a discriminação económica e social, as mudanças climáticas ameaçam o direito da mulher em questões como educação, informação, água, alimentação, atendimento médico e de viver livre da violência, afirma Eleanor Blomstrom, da Organização da Mulher para o Meio Ambiente e Desenvolvimento.

 

 

Onde a maldade era fria e intensa como um banho de gelo. Como se visse alguém beber água e descobrisse que tinha sede, sede profunda e velha. Talvez fosse apenas falta de vida: estava vivendo menos do que podia e imaginava que sua sede pedisse inundações. Talvez apenas alguns goles...

 

Clarice Lispector

 

 

 

Alice Alfazema