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Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Micro contos - O homem dos óculos

Fevereiro 15, 2018

Alice Alfazema

O homem está no café, sentado num banco alto rente ao balcão, traz nas mãos um aparelho tecnológico, passa o tempo a clicar nas páginas electrónicas. No rosto uma barba grisalha, uns óculos a meio do nariz. Olha para o ecrã com um ar de sabedoria, carregando aqui e ali com a ponta do dedo indicador, ao de leve, com delicadeza, enquanto conversa com os demais ao redor. De vez em quando olha para baixo depois para cima, depois para baixo. Interrogo-me sobre o que está a ver com aquele olhar sereno...baixo o olhar e dou um relance nas imagens...são gajas boas, gajas boas meus amigos.

 

 

Alice Alfazema

Do ponto de vista feminino

Fevereiro 14, 2018

Alice Alfazema

 

Ilustração Ale De la Torre

 

 

Hoje em dia, muito mais que antigamente, olho para muitos filmes e vejo claramente que as cenas ditas eróticas mais não são que pornorização do corpo das mulheres, muito provavelmente porque o realizador queria vê-las nuas em poses sexuais. Raríssimas vezes vi uma cena dita erótica num filme que não fosse filmada do ponto de vista masculino, explorando o corpo das mulheres para venda.

 

Beatriz Alcobia, retirado do blogue IP

 

 

 

Alice Alfazema

 

 

 

Tempo de vida

Fevereiro 14, 2018

Alice Alfazema

 

Ilustração  Loish

 

 

A aceleração atual diminui a capacidade de permanecer: precisamos de um tempo próprio que o sistema produtivo não nos deixa ter; necessitamos de um tempo livre, que significa ficar parado, sem nada produtivo a fazer, mas que não deve ser confundido com um tempo de recuperação para continuar trabalhando; o tempo trabalhado é tempo perdido, não é um tempo para nós.

 

Byung-Chul Han

 

 

 

Alice Alfazema

 

Esquecer

Fevereiro 12, 2018

Alice Alfazema

 

Ilustração Anna Grimal

 

 

 

Esquece o futuro... Ele não te pertence!
O presente te basta!
Mas é preciso ser rápido, quando ele é mau presente
E andar devagar quando se trata de saboreá-lo
Expressões como: ‘passar o tempo’ espelham bem a maneira
de viver dessa gente prudente.... que imagina não haver coisa melhor
para fazer da vida.
Deixam passar o presente, esquivam-se, ignoram o presente
Como se estar vivo fosse uma coisa desprezível
Porque a natureza nos deu a vida em condições tão favoráveis
que só mesmo por nossa culpa ela poderia se tornar pesada e inútil!

 

 

Montaigne

 

 

Para ouvir: Antônio Abujamra

 

 

 

 

Para refletir: só o que está morto não muda

 

 

 

 

Alice Alfazema

 

 

Micro contos - Um amor deslavado

Fevereiro 11, 2018

Alice Alfazema

O rapagão musculado, puro ginásio, barba grande e ruiva, todo vestido de preto, assim para o desportivo, gorro de marca, calças de marca, daquelas descidas no rabo e apertadinhas nas pernas. O rapagão estava ao frio e à chuva miudinha que caía pela manhã, falava num tom alto ao telemóvel, assim sem o encostar ao ouvido, andava constantemente de um lado para o outro, mas mantendo meio metro do carro.  Na lavandaria a mulher mais os filhos esperavam que a roupa fosse lavada, assim que a máquina terminou a mulher colocou a roupa a secar, esperou que tudo ficasse seco, dobrou-a enquanto a miúda pequena vestida de Carnaval gritava entusiasmada que tinha encontrado as cuecas. O filho ajudou-a a levar os sacos cheios, ao todo foram quatro, daqueles grandes. Lá fora o rapagão ainda estava ao telemóvel. Um amor deslavadinho.

 

 

Alice Alfazema

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